Esclerose múltipla pode afetar mulheres até três vezes mais do que homens
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São Paulo - Segundo dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), cerca de 40 mil brasileiros convivem com a condição. A doença é mais frequente entre mulheres, que representam 85% dos diagnósticos, e costuma surgir na fase adulta, em pessoas entre 18 e 30 anos de idade.
A predominância feminina nos casos de esclerose múltipla é observada em diferentes populações, mas ainda não existe uma explicação única para essa variação de casos.
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“Fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais são estudados para entender por que o público feminino apresenta maior suscetibilidade à doença”, afirma o neurologista Harley De Nicola, superintendente médico da Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI).
O que é a esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença crônica e autoimune do sistema nervoso central. Nela, o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.
Quais são os sintomas da esclerose múltipla?
Os sintomas variam conforme a região afetada e podem incluir fadiga, visão embaçada, dormência, formigamento, perda de força e alterações no equilíbrio ou na coordenação.
Um dos desafios é reconhecer esses sinais, já que eles podem ser confundidos com estresse, ansiedade, excesso de trabalho e outros problemas neurológicos. Em alguns casos, os sintomas desaparecem por um período e retornam posteriormente, criando a falsa impressão de que o problema foi resolvido.
Por que a esclerose múltipla demora para ser diagnosticada?
A dificuldade para identificar a doença pode atrasar o início do tratamento. Uma pesquisa realizada pela HSR Health, com apoio da ABEM, mostra que 56,8% dos entrevistados receberam um diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla.
Para 26,6% dos participantes, a confirmação demorou mais de cinco anos após os primeiros sintomas. Em 14,1% dos casos, a espera ultrapassou uma década.
Não existe um único exame capaz de diagnosticar a esclerose múltipla. A investigação considera o histórico do paciente, uma avaliação neurológica completa e exames de imagem, como a ressonância magnética.
A doença pode evoluir ao longo do tempo, e cada dia sem o diagnóstico correto e o início do tratamento pode comprometer funções como força, equilíbrio, visão, coordenação e memória”, alerta o neurologista Rodrigo Kleinpaul.
Esclerose múltipla tem tratamento?
Embora a esclerose múltipla não tenha cura, os tratamentos disponíveis atualmente permitem maior controle da condição ao reduzir os surtos e ajudar a retardar a progressão da incapacidade.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico são importantes para preservar funções como força, equilíbrio, visão, coordenação e memória, além de contribuir para a autonomia e a qualidade de vida do paciente.
(Matheus Konzen, especial para o VIVA)
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