Dia das MPMEs: Conhece o papel do segmento na economia brasileira
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São Paulo - Hoje (27/06) é comemorado o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Longe de ser apenas um dado estatístico, esse segmento desempenha um papel fundamental na geração de empregos, distribuição de renda e inovação, alcançando regiões e setores frequentemente esquecidos pelas grandes corporações. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017, como reconhecimento dos resultados desses negócios para a economia global.
Para se ter uma ideia, este ano os pequenos negócios já respondem por 95% do total de empresas ativas e por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Levantamento feito pelo Sebrae mostra que as MPEs são responsáveis por R$ 51 bilhões pagos mensalmente aos trabalhadores no país. Ou seja, a cada R$ 100 pagos em salários no mercado de trabalho brasileiro, R$ 40 são desembolsados por um pequeno negócio.
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Para a sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados, Daniela Poli Vlavianos, o cenário atual traz motivos para comemorar avanços em políticas públicas focadas na simplificação tributária, na formalização de negócios e no acesso ao crédito.
Por outro lado, o otimismo divide espaço com a realidade prática. O ambiente de negócios ainda impõe desafios estruturais relevantes, como a alta carga tributária, a burocracia persistente e a busca por segurança jurídica. A data, portanto, funciona como uma via de mão dupla: celebra as conquistas e cobra as melhorias necessárias.
Empreendedorismo maduro
Para Daniela, o aumento do empreendedorismo entre pessoas acima dos 50 anos está relacionado a fatores econômicos, sociais e demográficos. Muitos profissionais alcançam essa fase com ampla experiência de mercado, rede de contatos consolidada e conhecimento técnico acumulado ao longo da carreira.
Além disso, mudanças nas relações de trabalho, reestruturações empresariais, aposentadorias insuficientes para manutenção do padrão de vida e o aumento da expectativa de vida têm levado muitos profissionais a buscar novas fontes de renda e realização pessoal.
Do ponto de vista jurídico, o empreendedorismo maduro também surge como instrumento de autonomia econômica, permitindo que profissionais utilizem seu conhecimento de forma independente, por meio da abertura de empresas, consultorias, franquias ou negócios próprios.”
Para a fundadora e CEO da SOMA, plataforma digital de M&A para pequenas e médias empresas e franquias, Mary Mizuno, a chegada da Inteligência Artificial (IA) está redesenhando profissões, modelos de negócio e a própria relação das pessoas com o trabalho.
Ela avalia que, para quem tem 50+, isso abre uma janela única, porque essa geração passou décadas construindo patrimônio, experiência e autonomia financeira. Agora, segundo ela, muitos percebem que não precisam mais estar presos ao emprego formal para garantir estabilidade. Pelo contrário: veem no empreendedorismo uma forma de usar todo o conhecimento acumulado, trabalhar com mais propósito e aproveitar as oportunidades criadas pela tecnologia.
Para mim, a combinação de maturidade, segurança financeira e um cenário tecnológico extremamente favorável está impulsionando cada vez mais pessoas acima dos 50 a empreender.”
Negócio próprio ou franquia
Ao pensar em abrir um negócio após os 50 anos, muitas pessoas têm dúvidas entre começar o zero ou optar por uma franquia, que já tem um modelo validado e conta com o apoio do franqueador. Daniela ressalta que a escolha depende do perfil do empreendedor, de sua tolerância ao risco, capacidade financeira e conhecimento do mercado em que pretende atuar.
Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor registrou um crescimento nominal de 10,1% no primeiro trimestre, alcançando um faturamento de R$ 72,7 bilhões. Os dados indicam que a expansão foi impulsionada pelo aumento da renda da população e pelo forte desempenho dos segmentos de Alimentação, Saúde e Beleza.
Daniela avalia que a franquia oferece maior previsibilidade operacional, modelo de negócio testado, treinamento e suporte da franqueadora. Mas ressalta que, juridicamente, pe necessário ter muita atenção aos contratos, taxas, obrigações operacionais e às regras previstas na Circular de Oferta de Franquia (COF).
A CEO da SOMA, concorda que investir em uma operação já existente, significa não investir no escuro, e que os riscos e oportunidades estão mapeados, sem surpresas.
Daniela ressalta que investir em um projeto próprio pode proporcionar maior autonomia, liberdade criativa e potencial de realização pessoal. No entanto, ela lembra que essa opção exige validação do modelo de negócio, construção de marca, definição de processos e maior exposição aos riscos inerentes à atividade empresarial.
“A decisão ideal costuma ser aquela que equilibra paixão, viabilidade econômica e planejamento estratégico”, avalia a sócia da Poli, Porto & Andreghetto Advogados.
Por onde começar?
De acordo com a Daniela, o primeiro passo é elaborar um planejamento estruturado. Antes de investir recursos financeiros, o futuro empreendedor deve avaliar o mercado, identificar oportunidades, compreender seu público-alvo e projetar receitas, despesas e riscos.
Também é recomendável analisar aspectos jurídicos, como regime tributário, modelo societário, licenças necessárias, proteção da marca e obrigações regulatórias específicas do setor escolhido.
Outro cuidado importante é separar as finanças pessoais das empresariais desde o início. Essa organização contribui para a sustentabilidade do negócio e reduz riscos patrimoniais.
“Empreender não começa com a abertura da empresa, mas com a construção de um plano consistente e juridicamente seguro”, avalia Daniela.
Vantagens de empreender após os 50 anos
Entre as principais vantagens estão a experiência profissional acumulada, maior maturidade para tomada de decisões, capacidade de gestão de crises, rede de relacionamentos consolidada e melhor compreensão dos riscos empresariais.
Outro diferencial, segundo Mary, é a tendência de decisões mais estratégicas e menos impulsivas, o que pode favorecer a sustentabilidade do negócio.
Por outro lado, existem desafios. A adaptação a novas tecnologias, a necessidade de atualização constante, o acesso a determinadas linhas de crédito e a disposição para enfrentar períodos de instabilidade financeira podem representar obstáculos para alguns empreendedores.
No entanto, a CEO avalia que essas dificuldades costumam ser compensadas pela experiência e pela visão prática adquiridas ao longo da trajetória profissional.
“A experiência profissional que se aporta ao negócio, o amadurecimento pessoal que possibilita um melhor gerenciamento das relações humanas, a independência financeira que não pressiona o resultado a curto prazo, só vejo vantagens”, avalia, acrescentando que tem 70 anos e deixou a vida corporativa após 30 anos atuando em empresas globais para empreender no seu negócio.
Cuidados ao fazer a transição
A transição para o empreendedorismo exige preparação financeira, emocional e jurídica. O ideal é que o futuro empresário construa uma reserva financeira capaz de suportar os primeiros meses de operação, período em que muitas empresas ainda não alcançam estabilidade de receita.
Também é fundamental realizar estudos de mercado, validar a demanda pelos produtos ou serviços oferecidos e compreender a concorrência.
Sob a ótica jurídica, recomenda-se atenção especial à estrutura societária, aos contratos, às questões tributárias, trabalhistas e regulatórias. A formalização inadequada ou a ausência de planejamento legal pode gerar passivos relevantes e comprometer a continuidade do negócio.
Daniela avalia ainda que é importante compreender que empreender após os 50 anos não significa apenas abrir uma empresa. Trata-se de uma mudança de mentalidade, na qual o profissional deixa de atuar apenas como especialista e passa a assumir responsabilidades relacionadas à gestão, estratégia, finanças, marketing e conformidade legal.
"Quanto maior o planejamento prévio, maiores são as chances de construir um negócio sólido e sustentável", conclui.
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