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Padre de SP é excomungado após entrar em grupo que desafia o papa Leão XIV

Diocese de Jundiaí/Divulgação

O padre Rodrigo de Oliveira Silva foi excomungado da Igreja Católica - Diocese de Jundiaí/Divulgação
O padre Rodrigo de Oliveira Silva foi excomungado da Igreja Católica
Por Estadão Conteúdo

11/08/2026 | 10h57

São Paulo - A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após o religioso ter aderido à Fraternidade São Pio X. Em nota oficial, o bispo diocesano Dom Arnaldo Carvalheiro Neto justificou a decisão destacando que o Vaticano determinou que padres e fiéis que aderirem formalmente à fraternidade passam a ser considerados em situação de cisma e, consequentemente, excomungados.

"O Rev.mo. Pe. Rodrigo de Oliveira da Silva, por sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, encontra-se, em razão dos atos acima referidos, em situação de cisma e de excomunhão, assim como todos os ministros sagrados vinculados à mesma Fraternidade. Consequentemente, os atos de seu ministério são ilícitos", informa a nota.

No que tange aos Sacramentos da Penitência e do Matrimônio, tanto a absolvição sacramental por ele concedida quanto os casamentos por ele assistidos carecem de validade e são nulos", declarou o bispo diocesano.

Rodrigo de Oliveira Silva já tinha pedido o afastamento da diocese em fevereiro. O sacerdote excomungado nasceu na cidade de Cajamar, no interior de São Paulo. Estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro e concluiu a sua formação acadêmica (Filosofia e Teologia) em 2009. Em 2010, foi ordenado diácono e, um ano depois, padre. Ele era pároco da Paróquia Santo Antônio.

A reportagem não conseguiu contato com o padre Rodrigo de Oliveira Silva.

Grupo desafia Leão XIV

No mês passado, o Vaticano excomungou bispos, sacerdotes e leigos que aderirem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Trata-se do primeiro cisma da Igreja em 38 anos - e, como o anterior, envolve o grupo fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre.

Oficialmente, o Vaticano chamou a nomeação de quatro bispos pelo grupo tradicionalista, sem o aval de Leão XIV, de "ato de natureza cismática", isto é, de dissidência.

Roma ainda definiu regras para quem quiser deixar a excomunhão e "voltar à unidade", que incluem a rejeição a alguns dos fundamentos da ultratradicionalista FSSPX, como a aceitação formal do Concílio Vaticano II e a submissão ao papa.

A FSSPX é influente em círculos conservadores no mundo todo, contando com dois bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas, 145 irmãos religiosos, 88 oblatos e 250 religiosas, representando 50 nacionalidades.

Vaticano é contra a Fraternidade São Pio X

Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), a Fraternidade de São Pio X foi uma das respostas aos avanços do Concílio Vaticano 2º, série de encontros ocorridos entre 1962 e 1965 com o objetivo de trazer a Igreja Católica para a contemporaneidade, tornando a liturgia mais acessível e assumindo compromissos sociais de combate à pobreza, entre outros pontos, como a importância do ecumenismo.

Os seguidores de Lefebvre, por exemplo, continuaram celebrando as missas pelo rito tridentino, formato também chamado de "missa antiga" - com o padre de costas para a assembleia e as orações em latim.

Em seu site em língua portuguesa, a fraternidade "defende-se de qualquer acusação de cisma" e considera, "apoiando-se em toda a teologia tradicional e no ensinamento constante da Igreja, que uma consagração episcopal não autorizada pela Santa Sé - quando não é acompanhada nem de uma intenção cismática, nem da colação da jurisdição não constitui ruptura da comunhão". E alega necessidade pastoral para as ordenações, por causa de seus fiéis e da idade de seus bispos.

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