É mais difícil contratar na escala 6x1, admite empresária
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São Paulo - A fadiga é maior entre funcionários da escala 6x1 em comparação com os que têm cinco dias de trabalho e dois de folga, e a rotatividade é também mais alta. Estas são algumas das observações da CEO da Premium Essential Kitchen, Caroline Nogueira, do ramo de alimentação empresarial, que trabalha com várias escalas.
Ela diz ver com bons olhos toda a discussão que envolve o fim da escala 6x1, que esta semana foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Principalmente pelo fato de a mudança buscar melhorar a qualidade de vida e trazer mais equilíbrio e bem-estar para seus colaboradores. Ao mesmo tempo, a empresária defende que o debate precisa considerar as particularidades de cada setor.
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Por atuar no segmento de alimentação corporativa, grande parte das operações da companhia de Nogueira funciona de acordo com a jornada dos clientes. "Como atendo por demanda, meu público inclui indústrias que funcionam no final de semana, que operam 24 horas por dia. Então, pensar essa nova jornada é um pouco mais delicado, mais profundo", afirma.
Dizendo ser sempre favorável à evolução das relações de trabalho, a empresária defende que as mudanças precisam ser acompanhadas de flexibilidade e de uma transição responsável.
Segundo Nogueira, mais do que discutir o fim de uma escala 6x1 é preciso pensar em como fazer essa transição de maneira sustentável, que preserve empregos, a qualidade nos serviços e também o equilíbrio econômico desses contratos.
Porque de uma forma ou de outra, tenho bastante receio disso afetar o consumidor final, pois essa transição envolve um impacto econômico muito grande.
No ramo da alimentação coletiva, que é o caso dela, o principal impacto tende a ser um aumento da necessidade da mão-de-obra. Consequentemente, aponta ela, isso terá reflexos no custo da operação.
Em seu segmento, Caroline Nogueira trabalha com várias escalas, entre elas a 5x2, 12x36 horas, porém a 6x1 é a que prevalece entre seus contratos.
Percebo que existe sim uma menor rotatividade, principalmente na escala 5x2. Na 12x36 também há bastante adesão dos trabalhadores. Na escala 6x1 realmente é onde eu tenho maior dificuldade de contratar e manter esses colaboradores por muito tempo", admite.
Ganhos de produtividade e planejamento
A empresária entende que existem ganhos de produtividade possíveis a partir de um maior suporte tecnológico, com revisão de processos e planejamento das equipes. "Nós já estamos trabalhando nessa direção, mas ainda existem atividades que dependem necessariamente 100% da presença física do profissional", explica ela.
Se uma operação precisa continuar funcionando sete dias por semana e o trabalhador passa a estar disponível menos dias, em alguns contratos vai ser necessário aumentar o quadro para garantir essa mesma cobertura e o mesmo nível de entrega.
O real desafio aqui é encontrar o equilíbrio entre a evolução nas relações do trabalho e a sustentabilidade econômica das operações", conclui a empresária.
Sobre a necessidade de novas contratações, Nogueira diz que ainda não pode afirmar exatamente, em termos de custo, qual será o impacto em sua folha de pagamentos. "Isso deve variar conforme o perfil de cada contrato, mas acredito que a nova jornada de trabalho provavelmente vai aumentar de 30% a 40% a minha folha", estima. De acordo com a executiva, também está sendo avaliado o impacto em hora extra, em banco de horas.
Ela conta que é uma avaliação feita de operação por operação. Vou precisar de uma parceria dos meus clientes para juntos buscarmos equalizar esses custos", afirma. Nesse âmbito, a empresária diz que está trazendo o tema para a mesa de negociações com seus clientes. Entretanto, a questão ainda é abordada de maneira sutil, acrescenta ela.
Trabalhamos com possíveis cenários, mas temos trazido essa discussão sim, até também para entender como o nosso cliente vai se comportar.
Entretanto, ainda não vê muita sinalização dos clientes no sentido de mudar as escalas. "Fico naquele dilema, pois vou ter que acompanhar para atender o que me for oferecido aqui, com base em um contrato".
Reflexos positivos da nova jornada
Nogueira ressalta que uma jornada com mais tempo de descanso contribui para a redução de fadiga, a queda no absenteísmo e na rotatividade. "Lá na Premium é bem perceptível a diferença na rotatividade dos colaboradores que trabalham 6x1 e dos que tem dos que trabalham na 5x2. Claro que isso tem um impacto na produtividade."
Por um outro lado, observa ela, não se pode partir da premissa de que todo o impacto da redução da jornada vai ser compensado automaticamente por organização da produtividade. Nas atividades administrativas ou que são mais automatizadas, essa compensação pode até ser maior.
"Em uma cozinha industrial, que é o nosso caso, existem funções diretamente relacionadas ao volume produzido e ao horário de atendimento. Ou seja, é necessário ter um preparo, o serviço, a higienização e manter a operação funcionando. Existe aqui um limite no ganho da produtividade".
Em termos comparativos, o ganho da produtividade dentro de uma cozinha industrial é diferente do registrado em um ambiente administrativo, diz a empresária.
Período de transição
Na visão da empresária, no mundo ideal uma reforma da jornada de trabalho teria de começar por três pontos fundamentais. São eles previsibilidade, flexibilidade e uma fase de transição adequada.
As empresas precisam conhecer claramente as regras para conseguir dimensionar a equipe, renegociar contratos e planejar toda parte de investimento que será necessário", defende Nogueira.
No caso da flexibilidade, a executiva acredita que a legislação precisa permitir diferentes formas de organização da jornada, sempre respeitando o limite de descanso e a proteção do trabalhador. E, por último, uma transição adequada pede tempo para sua implementação. "Precisamos de tempo para treinar pessoas, para adaptar processos."
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