Imóveis para locação de curto prazo atraem o público 50+
Envato
Por Alessandra Taraborelli
18/01/2026 | 08h00
São Paulo, 18/01/2026 - Investir em imóvel para garantir renda extra, por meio de aluguel não é novo. Agora, alugar por um curto espaço de tempo ou short stay é uma novidade recente que vem atraindo o interesse de pessoas de 44 a 60 anos, que pensam em imóvel como investimento, segundo a SeaZone, proptech brasileira, especializada em gestão e desenvolvimento de imóveis para aluguel por temporada.
De olho neste mercado e no potencial turístico do Brasil, a SeaZone, gestora de imóveis no modelo Airbnb e do Booking, por exemplo, vem investindo em empreendimentos próprios no formato Spot, otimizados para o short stay. De acordo com a Chief Communications Officer (CCO), Mônica Medeiros, da SeaZone, após a compilação de dados, ela e os sócios perceberam que havia espaço para investirem na construção de prédios com apartamentos pequenos, com cerca de 20 metros quadrados, chamados de spot, já estruturado com foco na locação por temporada.
“Não existia esse produto, e pensamos em fazer os nossos prédios. Começamos a estruturar os empreendimentos imobiliários voltados para o retorno financeiro. O primeiro prédio, em conjunto com uma construtora, foi o Jurerê Spot, que é muito pertinho do mar, aliás, 50 metros da praia de Jurerê, com unidades de 20 m² que não existiam em Santa Catarina.”
De acordo com a executiva, os apartamentos são oferecidos a um preço de custo para os investidores, no modelo de Sociedade de Propósito Específico, (SPE). “Os clientes entram na sociedade da construção conosco, no modelo preço de custo, que é cerca de 30% mais baixo do que o preço do mercado de incorporação”, afirma.
Um diferencial importante é que os prédios já são construídos com o edital que permite a locação por curto espaço tempo. Isso acontece porque, com o avanço de empresas como a Airbnb, muitos condomínios passaram a questionar esse tipo de aluguel e até a proibir a locação neste modelo.
Medeiros lembra que a faixa etária dos investidores entre 44 e 60 anos são, hoje, 85% dos investidores parceiros da SeaZone. Ela ressalta que quando a pessoa chega aos 40 anos, geralmente, ela já tem uma casa própria e alguma estabilidade profissional, e começa a pensar onde investir e como diversificar.
“Eu já comprei a minha casa própria, o que que eu vou fazer agora? São clientes que sabem da segurança do mercado imobiliário, a segurança do investimento em tijolo.”
Ela explica que o valor do investimento varia conforme o empreendimento, mas revela que tem um projeto começando em Natal, no Rio Grande do Norte, onde é possível investir R$ 200 mil. Ainda segundo Medeiros, a construção leva cerca de quatro anos para ficar pronta e o faturamento dos investimentos começam logo após a entrega. O retorno total do capital investido (payback) ocorre em média entre três e seis anos.
Os investidores são predominantemente das regiões Sul e Sudeste, que representam mais de 60% do público comprador, com o Centro-Oeste em crescimento.
Perfil do locatário
De acordo com a CCO da SeaZone, o perfil do locatário é diversificado, são pessoas que buscam experiências com boa localização, facilidades, como cozinha, e custos mais baixos que hotéis.
A executiva ressalta ainda que o público 50+ que busca destinos de serra ou praia. “A principal diferença desse público é que eles tendem a ficar mais tempo (10 a 15 dias) e costumam viajar fora da altíssima temporada. Eles são os ‘mestres da média temporada’, buscando diárias mais baixas e locais menos cheios”, revela.
Outra especificidade deste público é que, frequentemente, ele viaja em família, alugando apartamentos maiores, e costumam pagar um tíquete médio 15% maior que as pessoas mais jovens.
“O público que aluga na SeaZone é, majoritariamente, de pessoas que têm renda entre R$ 5.000 e R$ 20.000. A democratização do short stay permite que pessoas com renda média possam viajar, com diárias mais acessíveis”, avalia.
Expansão
O principal foco da empresa para o ano é a expansão na cidade de São Paulo, visando aumentar o número de unidades em gestão de locação, e se tornando uma presença significativa na maior cidade da América Latina. A SeaZone planeja cerca de 12 lançamentos de prédios neste ano, mantendo uma média de um a dois lançamentos por mês. Há planos de expansão para o exterior nos próximos dois anos.
Atualmente, a empresa administra 2.800 imóveis e lançou 42 empreendimentos, com total de 2.600 unidades de spots.
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