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Inadimplência atinge recorde de 9 milhões empresas em abril, afirma Serasa

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Resultado representa um novo pico na série histórica iniciada em 2016 - Adobe Stock
Resultado representa um novo pico na série histórica iniciada em 2016
Por Broadcast

01/06/2026 | 09h50

São Paulo - A inadimplência entre as empresas atingiu o recorde de 9 milhões de CNPJs negativados em todo o país em abril de 2026, aponta o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, antecipado com exclusividade à Broadcast. O resultado representa um novo pico na série histórica iniciada em janeiro de 2016 e sinaliza uma tendência de manutenção da inadimplência em um nível bastante elevado.

O dado reforça a persistência de um ambiente de crédito ainda bastante restritivo para as companhias brasileiras, avalia a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, enfatizando que mesmo com o início do ciclo de afrouxamento monetário, o nível de juros ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito.

"O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa", afirma Abdelmalack. Ela destaca que a inadimplência têm potencial de registrar novos recordes ao longo de 2026. A base de dados da Serasa Experian mostra que o inadimplemento tem batido sucessivos recordes desde janeiro.

O total de dívidas negativadas também registrou novo pico, somando R$ 220,9 bilhões em abril. Em média, cada empresa inadimplente possui 7,1 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 24.665,91 por CNPJ e tíquete médio de R$ 3.468,99.

Setores e regiões

O setor de "Serviços" concentrou 55,6% das empresas negativadas em abril. Na sequência aparecem "Comércio" (32,4%), "Indústria" (8,1%) e o setor "Primário" (0,9%). Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou no segmento de "Serviços" (31,7%), seguido por "Bancos/Cartões" (19,4%). Na sequência apareceram "Cooperativas" (8,6%), "Utilities" (7,0%) e "Telefonia" (5,7%).

Para a economista-chefe da Serasa Experian, a composição das dívidas mostra que uma parcela importante da inadimplência está ligada à sustentação do capital de giro e à manutenção das operações das empresas. "Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências. Isso prolonga o processo de regularização financeira", acrescenta.

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em abril de 2026, com destaque para São Paulo (3.076.064), seguido por Minas Gerais (881.652) e Rio de Janeiro (864.722). Na sequência apareceram Estados como Paraná (588.935) e Rio Grande do Sul (518.195). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.

PMEs são maioria

Do total de empresas inadimplidas no país, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJs negativados em abril, recorde desde o início da série histórica do indicador. O grupo concentrou o volume de 57,6 milhões de dívidas que somam R$ 191,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,8 contas negativadas, com dívida média de R$ 22.503,39 e tíquete médio de R$ 3.328,73.

Abdelmalack nota que as micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo, porque dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação. "Com juros ainda elevados e maior seletividade na concessão de crédito, essas empresas enfrentam dificuldades adicionais para recompor capital de giro e administrar o fluxo de caixa, o que contribui para a permanência da inadimplência em níveis elevados", analisa.

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas mensura o número de empresas brasileiras que se encontram em situação de inadimplência. Uma empresa é considerada inadimplente quando possui ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. Essa apuração é realizada com base nas notificações registradas até o último dia do mês de referência.

(Por Caroline Aragaki)

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