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Brasileiros 60+ tendem a subestimar sintomas de câncer de intestino; entenda

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Apenas três a cada 10 idosos (30%) consideram os sintomas agudos ou mudança no funcionamento intestinal por mais de um mês como “muito graves” - Adobe Stock
Apenas três a cada 10 idosos (30%) consideram os sintomas agudos ou mudança no funcionamento intestinal por mais de um mês como “muito graves”
Por Emanuele Almeida

20/07/2026 | 10h00

São Paulo - Brasileiros com 60 anos ou mais tendem a não associar os sintomas claros do câncer de intestino, ou colorretal, como sangue nas fezes, como um alerta. Isso é o que mostra um levantamento feito pelo Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, e da Nexus. 

Os dados mostram que apenas três a cada 10 idosos (30%) consideram os sintomas agudos ou mudança no funcionamento intestinal por mais de um mês como “muito graves”. Entre os jovens de 16 a 24 anos o percentual de percepção de risco é de 45%. 

O chefe do Centro de Referência em Câncer Colorretal do A.C. Camargo, Samuel Aguiar explica que o público mais velho tem a tendência de relacionar o sintoma a outros problemas que surgem com o envelhecimento como hemorroidas ou intestino preso.

A partir dos 60 anos é faixa etária que menos associa a presença de sintomas com câncer. Eles até de certa forma negam que isso pode estar associado a câncer".

Porém, contraditoriamente, é esse grupo que mais procura auxílio médico apesar de não categorizar como um alerta os sintomas. Por sua vez, no grupo de pessoas mais jovens, mesmo identificando os sintomas como graves, apenas 39% procuraram algum tipo de ajuda médica. 

"O grupo mais velho tem uma maior rotina de cuidados com a saúde e o costume de investigar alterações físicas os levam a procurar o médico mais rapidamente do que os jovens”, diz o especialista.  

Sangue nas fezes é alerta

Outro dado importante da pesquisa é que, embora 80% dos brasileiros reconheçam a gravidade de sintomas como sangue nas fezes, 40% dos que notaram algum sinal diferente não buscaram ajuda médica imediata. 

Kátia é uma mulher branca, com cabelos curtos com luzes
Kátia reforça que é preciso prestar atenção ao pequenos sinais do câncer, principalmente nas fezes. Arquivo Pessoal

Foi isso que aconteceu com a especialista em produto digital, Kátia Regina, 49, que só procurou ajuda ao ser alertada por uma amiga que conheceu pessoas diagnosticadas com câncer colorretal. “Em 2018 [com 41 anos], comecei a notar sangramentos muito sutis ao ir ao banheiro, mas associava ao período menstrual ou a um intestino ocasionalmente mais preso”, lembra. 

O alerta da amiga foi essencial. Alguns meses depois, ela procurou a ajuda de um coloproctologista e teve o diagnóstico confirmado para câncer de intestino em janeiro de 2019, ainda em um estado inicial. 

O médico oncologista Samuel Aguiar, do AC Camargo, adiciona que, nas faixas etárias abaixo dos 49 anos há uma tendência perigosa de não pensar no câncer por se acreditar ser uma “doença de idosos”. Atualmente, um a cada cinco casos de câncer colorretal diagnosticados ocorre em pessoas com menos de 54 anos. 

Hoje, sintomas não podem mais ser subestimados em nenhuma faixa etária. Então, não dá mais para a gente associar um sangramento de fezes como algo ‘bobo’ por não estar na faixa etária de risco”, alerta. 

Foi o diagnóstico precoce que fez com que Kátia entrasse em remissão do câncer de intestino. “A gente precisa de pessoas que falem mais para olhar as fezes na privada, sabe?. No meu caso, já tinha coisa ali e eu não tinha percebido", diz. 

Exame simples está disponível no SUS

A pesquisa indica ainda que 67% dos brasileiros desconhecem totalmente a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, um dado que o oncologista atribui principalmente à falta de informação e orientação adequada. “É um exame é barato, simples e está disponível no SUS, mas frequentemente não é incluído nas indicações médicas de rotina”, destaca. 

O teste, explica, permite identificar traços de sangue que não são visíveis a olho nu, permitindo um diagnóstico antes mesmo do surgimento de sintomas.  As principais considerações para a pesquisa de sangue oculto nas fezes incluem:

  • Frequência: deve ser realizado uma vez por ano ou a cada dois anos;
  • Público-alvo: recomendado para qualquer pessoa com mais de 45 anos, independentemente de sintomas; 
  • Função de triagem: um resultado positivo não confirma câncer, mas indica a necessidade de realizar uma colonoscopia para investigação. 

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