Indústria de fundos imobiliários bate recorde de investidores
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São Paulo - A indústria de fundos de investimentos imobiliários (FIIs) voltou a crescer em 2026, estimulada pela expectativa de cortes do juro básico no País. Assim, o ano começou batendo novos recordes de número de investidores e de movimentação de recursos, de acordo com a B3.
O setor atingiu a marca de 3,1 milhões de investidores em março, maior patamar da história. Ao longo de 2025, esse número ficou praticamente estável em torno de 2,8 milhões. De novembro para cá, o mercado voltou a atrair novos participantes, contabilizando o ingresso de mais 300 mil pessoas.
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"Se esse ritmo de crescimento for mantido, podemos chegar a 4 milhões de investidores até o fim do ano", estimou a gerente de Produtos de Equities da B3, Bianca Maria.
O aumento de investidores veio acompanhado de avanço da liquidez. Em março, a compra e venda de cotas na Bolsa movimentou R$ 11,4 bilhões, maior valor já registrado em um único mês. O montante superou em 34% as negociações de fevereiro e em 80% o realizado no mesmo mês do ano passado.
O principal gatilho para a aceleração do crescimento do setor foi o início do ciclo de cortes da Selic, apontou Bianca Maria. "Vemos uma clara relação do ativo com a taxa de juros no País. Neste momento em que há uma perspectiva de redução da taxa, os FIIs e outros ativos de renda variável ganham um apetite maior das pessoas físicas", observou.
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Ela acrescentou que as pessoas físicas são atraídas pelos benefícios dessa modalidade de investimento, que permite deter participação em grandes propriedades comerciais por meio de cotas dos fundos. Outro benefício óbvio é a isenção do imposto de renda sobre os dividendos.
Transformação
Além disso, o mercado vem passando por uma transformação. Historicamente, as pessoas físicas compuseram a maior parte do bolo do setor, mas essa fatia vem sendo cada vez mais dividida com os investidores institucionais locais e estrangeiros, de acordo com a B3.
Há um ano, os investidores institucionais locais detinham 19,5% das cotas em circulação, patamar que subiu para 20,7% em março deste ano. No mesmo período, os estrangeiros ficaram estáveis em 4,2%. Já as pessoas físicas seguiram crescendo em termos nominais, mas reduziram sua participação relativa de 75% para 74%.
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Em termos de volume negociado, essa transformação ficou mais evidente. Há um ano, os investidores institucionais locais foram responsáveis por 24,9% das cotas negociadas no mercado, patamar que chegou a 31,6% neste ano. Os estrangeiros subiram de 17,6% para 21,6%. Já as pessoas físicas, foram diluídas de 55% para 42,3%.
"Temos visto cada vez mais os investidores institucionais e estrangeiros entrarem no mercado de FIIs. Isso é muito relevante, porque essa frente de clientes representa uma grande parcela dos volumes movimentados", disse a representante da B3.
Ela acrescentou que, enquanto as pessoas físicas compram as cotas e seguram por um longo prazo, com foco em dividendos mensais, os grandes investidores adotam estratégias mais complexas, como arbitragem, day trade e adoção de derivativos.
Outro fator que contribuiu para o crescimento do mercado foi a resiliência das captações mesmo em um ciclo marcado pelos juros altos. O número de FIIs cresceu de 418 para 434 em um ano. "Mesmo com taxa de juros elevada, o mercado de FIIs não apresentou queda em numero de listagens. Houve maior dificuldade de captação, mas isso foi algo natural", comentou.
(Por Circe Bonatelli)
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