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O que fazer se o seu banco ou corretora quebrar? Para onde vai o dinheiro?

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Quebra de uma instituição financeira costuma gerar pânico, mas o impacto real depende de onde o seu dinhero está - Envato
Quebra de uma instituição financeira costuma gerar pânico, mas o impacto real depende de onde o seu dinhero está
Por Fabiana Holtz

16/01/2026 | 16h51

São Paulo, 16/01/2026 - A crise do Banco Master e os seus desdobramentos, que chegaram essa semana à Reag Investimentos, tem despertado muitas dúvidas entre os correntistas e investidores sobre o que fazer e quais são seus direitos e garantias. A quebra de uma instituição financeira costuma gerar pânico, mas o impacto real depende de onde o seu dinheiro está e de que tipo de ativo você possui.
Fato é que banco e corretora exercem papéis diferentes, e isso muda completamente o risco envolvido. O que fazer nesses casos? Para esclarecer essas dúvidas, o VIVA conversou com o consultor Álvaro Camargo, professor de Estratégia e Gerenciamento de Projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para responder às principais dúvidas do pequeno investidor e trazer algumas dicas para evitar problemas com as suas finanças.

Dicas para o pequeno investidor

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Evite concentrar tudo em um único banco ou corretora, aconselha Camargo
Foto: Divulgação
Em primeiro lugar, é essencial entender o papel de cada instituição. Banco é onde você deposita o seu dinheiro e pode guardá-lo na poupança ou então fazer uma aplicação em um CDB, por exemplo. Já uma corretora é uma empresa que faz a intermediação entre o seu dinheiro e o mercado financeiro: ela compra, em seu nome, ativos como ações, títulos e fundos.

O que acontece se a corretora quebrar?

Aqui ocorre uma confusão comum, explica Camargo. A corretora não é dona dos seus investimentos. A corretora é apenas intermediária. Os ativos ficam registrados no seu CPF e em sistemas centrais de custódia, como a B3, afirma o professor. 
Para ações, ETFs (Exchange Traded Fund, os fundos negociados em bolsa de valores), fundos imobiliários e debêntures, entre outros, é importante saber que esses ativos não entram na massa falida da corretora e permanecem registrados em seu nome e podem ser transferidos para outra corretora. Ou seja, você não perde os seus ativos. Mas há um risco real aqui: atraso operacional e burocracia. Se a pessoa precisar do dinheiro com urgência isso pode vir a ser um problema, principalmente se ele está parado na conta da corretora.
Segundo Camargo, o risco é maior se você por acaso deixou dinheiro na conta da corretora e não fez nenhum investimento. O conselho é: nunca mantenha grandes valores parados em conta de corretora.
Dinheiro em conta da corretora não tem garantia legal. Em caso de quebra, você vira credor quirografário, que é aquele que não tem preferência de receber o valor depois da liquidação dos bens da massa falida", afirma o professor.

O que acontece se o banco quebrar?

Os valores normalmente depositados nos bancos, como aqueles na poupança e na conta corrente, e aplicações como CDB, LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com as seguintes regras:

• Cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por instituição;
• Limite global de R$ 1 milhão por CPF, renovável a cada 4 anos;
• O pagamento costuma ocorrer após a decretação formal de intervenção ou liquidação.
Na prática, até o limite do FGC você não perde o dinheiro. Acima disso, você passa a ser credor do banco.

O que fazer em relação aos títulos públicos?

Títulos do Tesouro não pertencem ao banco. Eles ficam registrados no seu CPF junto ao sistema do Tesouro e à infraestrutura do mercado. Mesmo que o banco quebre, o título continua sendo seu. Basta transferir a custódia para outra instituição

Quem regula e fiscaliza o sistema?

O sistema de garantias funciona porque há separação clara de papéis institucionais. O Banco Central supervisiona bancos e instituições de pagamento. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fiscaliza corretoras, fundos e o mercado de capitais. A Bolsa de Valores (B3) garante o registro, custódia e liquidação dos ativos. Todo esse conjunto reduz o risco sistêmico para o investidor pessoa física, conta Camargo.

Passada a tormenta

Segundo Camargo, além das questões relacionadas à recuperação do investimento, existe um aspecto que raramente recebe atenção: poucos falam sobre como agir depois que a crise passa. “É justamente nesse momento que muitos pequenos investidores cometem novos erros”, afirma. Segundo ele, o simples fato de o dinheiro voltar para a conta pode gerar um alívio enganoso.
O FGC existe para situações como essa. Mas ele também pode criar uma falsa sensação de segurança, levando a pessoa a acreditar que basta trocar de instituição financeira para evitar novos problemas. Não é suficiente mudar de banco ou corretora. É preciso mudar a forma de decidir onde e como investir, ensina.
De acordo com Camargo, especialistas costumam dividir o dinheiro pessoal em três categorias básicas. A primeira é o dinheiro disponível para o curto prazo, usado para despesas do dia a dia. A segunda é o capital destinado a investimentos. A terceira é o chamado dinheiro de passagem, formado por valores temporários que ainda terão um destino definido. Um exemplo típico de “dinheiro de passagem” é um valor recebido por herança enquanto a família decide o que fazer com ele.
Segundo o professor, o dinheiro de curto prazo deve ficar aplicado em alternativas seguras e com liquidez diária, capazes ao menos de reduzir o impacto da inflação. Já o capital destinado a investimentos pode assumir riscos maiores, desde que esses riscos sejam claramente compreendidos pelo investidor.
O dinheiro de passagem, por sua vez, exige atenção especial. “Esse é um recurso que não deveria ficar exposto desnecessariamente”, explica Camargo. “Ele costuma ser mantido provisoriamente enquanto se aguarda uma decisão, como a compra de um imóvel, de um automóvel ou a escolha de um novo investimento.
Por isso, esse tipo de recurso deve ser investido em algo que traga segurança, mas também boa rentabilidade até o momento de alocação na compra de algum bem ou de comprometê-lo com algum investimento de longo prazo.
Confundir essas categorias, alerta o professor, é uma das principais causas de problemas quando uma instituição financeira fecha as portas.
Camargo também chama a atenção para outro comportamento comum após uma crise. “Passado o susto, a pergunta mais frequente é: de quem foi a culpa? Mas essa não é a pergunta certa”, diz. Para ele, a reflexão mais importante é outra: “O que, na minha forma de decidir, me impediu de perceber esse risco antes?”
Responder a essa pergunta, segundo o consultor, ajuda o investidor a rever práticas, buscar mais informação e adotar decisões mais seguras e consistentes no futuro.
Depois de uma crise, vale desconfiar de promessas fáceis de alta rentabilidade com segurança total. Em finanças, essa combinação quase nunca existe, afirma Camargo.

Principais falências e liquidações no Brasil

A história de falências e liquidações de bancos no Brasil é repleta de situações pitorescas, fraudes gigantescas e executivos com rotinas exuberantes. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Edmar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, que ganhou fama por sua extravagante mansão no Morumbi, na zona oeste de São Paulo, e coleção de obras de arte, integrada por quase 2 mil peças, entre elas quadros de Tarsila do Amaral, Basquiat, Frank Stella e Tunga.
No site do Banco Central é possivel acompanhar todos os registros de liquidações. Clique aqui para conhecer a lista. Veja a seguir os principais casos que marcaram nosso história:

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