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Passagens aéreas vão ficar mais caras por causa da guerra? Entenda

Unsplash/ Nick Morales

Aumento não será significativo no curto prazo, afirmam especialistas - Unsplash/ Nick Morales
Aumento não será significativo no curto prazo, afirmam especialistas
Por Pedro Marques

02/04/2026 | 18h05

São Paulo – O preço das passagens aéreas deve subir nos próximos meses, mas o aumento não será significativo no curto prazo, afirmam especialistas ouvidos pelo VIVA nesta quinta-feira, 2. Ontem, a Petrobras anunciou um aumento de 54,63% no preço do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras, o que justificaria a alta. 

Segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, "o preço das passagens segue uma dinâmica de sazonalidade que, tradicionalmente, tem preços mais caros em determinadas épocas e mais baratos em outros". 

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"Nós acabamos de sair de um período de alta demanda, que foram as férias escolares, o Carnaval, e agora vamos entrar num período que é tradicionalmente visto como de baixa demanda. Nessas ocasiões, é mais difícil repassar aumento de preços", explica o economista.

Braz acrescenta que, nessa época do ano, as companhias aéreas costumam fazer promoções para atrair os consumidores. 

Em outro contexto, a gente poderia esperar ofertas mais atraentes nesse período de baixa temporada. O que deve acontecer é que teremos ofertas mais tímidas. Pode ser até que aconteçam pequenos aumentos."

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Uma alta mais expressiva só deve ser registrada caso a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se prolongue e os preços mundiais do petróleo permaneçam em patamares elevados por muito mais tempo.

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Nesse caso, as passagens aéreas "podem subir entre 15% e 20%", avalia Luiz Moura, membro do Conselho de Turismo da FecomércioSP e cofundador da VOLL, plataforma de gestão de viagens corporativas.

Hoje as companhias aéreas operam com rentabilidades muito baixas. Se elas têm um aumento de 55% no combustível, que é o principal insumo , vão acabar tendo que repassar isso para o comprador."

Jackson Campos, diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo e especialista em comércio exterior, pondera ainda que "esse repasse não acontece de uma vez nem de forma uniforme". 

O impacto tende a aparecer de forma gradual, principalmente à medida que as companhias atualizam preços, revisam oferta e ajustam suas malhas. Em geral, o efeito é percebido primeiro em compras mais próximas da data do voo e em rotas com menor concorrência."

É por isso que Moura, da VOLL, orienta os consumidores a antecipar as compras de passagens aéreas, quando possível. "A grande mágica por trás da economia com viagens é comprar [as viagens] com antecedência", orienta.

Inflação

Para André Braz, do FGV/Ibre, a questão das passagens aéreas pode ter impacto moderado na inflação. "Por exemplo, para cada 1% que o preço da passagem aérea sobe, ele influencia o IPCA em 0,01 ponto porcentual. É muito pouco. Mas se o aumento for de 10%, influencia em 0,10 ponto porcentual. Se o aumento for de 20%, em 0,20 ponto percentual", explica.

"É um item que compromete 1% do orçamento das famílias, e por conta desse peso é que ela acaba influenciando dessa maneira na inflação", afirma.

O economista, no entanto, ressalta que a alta nos preços das viagens não está garantida. "Pode haver queda, ainda que tímida. [Se o preço das passagens] cair 5%, vai ser menos 0,05 ponto porcentual na inflação."

Além das passagens de avião, a alta do querosene de aviação (QAV) deve causar impacto moderado nos preços de produtos transportados por via aérea, afirma Jackson Campos, da AGL Cargo. Os que devem sofrer maior variação são medicamentos, insumos farmacêuticos, produtos médicos, eletrônicos, autopeças, itens de tecnologia e cargas perecíveis. 

Em itens de maior valor, o efeito pode aparecer mais na redução de promoções e aumento do custo logístico do que no preço direto. Já em cargas urgentes e perecíveis, o repasse tende a ser mais rápido."

Querosene mais cara

A Petrobras confirmou nesta quarta-feira, 1º de abril, um aumento de 54,63% no preço do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras, elevando o valor para R$ 5.495,30 por metro cúbico (R$ 5,495 por litro). Em março, o combustível já havia sido reajustado em 9,4%.

A alta reflete a valorização do petróleo e derivados no mercado internacional em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% da oferta global da commodity.

Diante do impacto, a Petrobras anunciou medidas para reduzir os efeitos do reajuste. A estatal informou que oferecerá um termo de adesão para que distribuidoras paguem aumento de 18% em abril, porcentual inferior ao previsto em contrato. A diferença poderá ser parcelada em seis vezes, com início dos pagamentos a partir de julho de 2026.

Segundo a companhia, “essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”. 

Apesar das medidas, o impacto sobre o setor aéreo já é significativo. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a responder por 45% dos custos operacionais das companhias após os aumentos recentes.

“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do País e a democratização do transporte aéreo”, afirmou a associação em nota.

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