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Pesquisa aponta que 60% relacionam falta de dinheiro e adoecimento mental

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Somente 7,9% dos entrevistados não viram relação entre finanças e o desenvolvimento de transtornos - Envato
Somente 7,9% dos entrevistados não viram relação entre finanças e o desenvolvimento de transtornos
Por Fabiana Holtz

15/06/2026 | 14h18 ● Atualizado | 14h22

São Paulo - A relação entre endividamento e o diagnóstico formal de ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout tem crescido e deixou de ser um assunto secundário no Brasil. Estudo realizado pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (Abefin), em parceria com o Instituto Axxus, revelou que quase 60% dos entrevistados consideram que a causa exclusiva ou predominante do adoecimento mental são os problemas financeiros. Dentro do universo pesquisado apenas 7,9% disseram que as finanças não tiveram participação no desenvolvimento do transtorno.

As dificuldades financeiras foram identificadas como principal gatilho para o surgimento do transtorno mental por 32,4% dos entrevistados, segundo a pesquisa. Outros 27,1% disseram que os problemas financeiros foram fator exclusivo para o adoecimento e 22,4% relatam que as finanças figuravam apenas entre os diversos fatores que contribuíram para o quadro. O tema já supera preocupações relacionadas ao trabalho, relacionamentos, doenças e até o luto.  

Contraditoriamente, apesar da forte relação entre problemas financeiros e saúde mental, quase metade dos entrevistados (48,5%) nunca buscou orientação profissional em educação financeira.

Segundo o levantamento, 69,4% dizem enfrentar dificuldades para pagar contas básicas, 61,2% convivem com dívidas, 53,6% relatam renda insuficiente para atender às necessidades do dia a dia e 31,1% apontam o desemprego como um dos principais desafios financeiros.

Para a pesquisa foram realizadas 1.000 entrevistas presenciais (em profundidade) em todas as regiões do País, conduzidas por psicólogos especializados. 

Lazer e humor

A influencia da questão financeira no cotidiano dos entrevistados é identificada de forma ampla e cada vez mais profunda.

De acordo com o estudo, 64,9% afirmam que o lazer foi prejudicado, 61,9% afirmaram sentir impactos no humor, 60,1% nas relações familiares. Mais da metade (56,1%) disseram ter sofrido alterações na qualidade do sono, 42,8% consideram ter observado queda no desempenho profissional e 39,8% viram suas amizades e relações sociais afetadas pela questão financeira.

Depressão entre 60+

No recorte por faixa etária, os maiores índices de depressão foram identificados entre pessoas acima de 60 anos (42,1%). Quando a questão é ansiedade, a maior taxa foi apurada entre os jovens de 18 a 30 anos, com 52,3%

Por região, Norte e Nordeste concentram os maiores índices de ansiedade. Já o Sudeste lidera nos casos de síndrome de burnout. Sul e Centro-Oeste registram os maiores porcentuais de entrevistados que apontam os problemas financeiros como causa principal de seus transtornos mentais.

Ao serem questionados sobre o futuro, o cenário se mostra ainda mais incerto, com 67,2% dos entrevistados revelando uma visão pessimista ou muito pessimista em relação ao futuro financeiro. Somente 20% disseram acreditar que sua situação financeira irá melhorar.

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