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Que tal investir em grupo? Conheça family office e clube de investimento

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Gestão de investimentos em grupo requer contratação de profissionais especializados
Por Alessandra Taraborelli [email protected]

Publicado em 28/03/2025, às 10h22

Escolher um investimento é sempre um desafio para um investidor individual, que além de tentar identificar a melhor opção dentro dos seus objetivos, também precisa ficar atento às adversidades do mercado financeiro, para tentar minimizar possíveis perdas. Para buscar melhorar seus rendimentos e reduzir o risco, trabalhar em grupo pode ajudar. Há abordagens mais estruturadas e com estratégias sofisticadas nos family offices e clubes de Investimentos. Mas qual a diferença e como funcionam?

O Family Office é quando uma gestora de patrimônio gerencia o patrimônio de uma família, com o objetivo de preservar e aumentar o patrimônio. Além disso, oferece serviços personalizados de gestão financeira, planejamento tributário, sucessório, entre outros. O Clube de Investimentos é uma associação de pessoas que se unem para investir no mercado financeiro e buscar melhores resultados do que se investissem individualmente. Nos dois casos é necessário abrir um CNPJ. 

De acordo com o Planejador Financeiro CFP pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro) José Faria Junior, o family office é indicado para famílias com patrimônio elevado e que buscam gestão profissional e personalizada. Outra demanda é para casos de planejamento tributário, sucessório e outros serviços especializados, além da comodidade de ter quem gerencie seus investimentos.

Já os clubes de investimentos são voltados para investidores iniciantes, que estão começando a investir e querem aprender sobre o mercado financeiro. Faria Junior ressalta ainda que para quem tem pouco capital é mais difícil diversificar e, neste caso, o clube contribui para ampliar as opções de investimentos. Outro diferencial, por exemplo, é que ao contrário de um fundo de investimento, que você não pode participar das decisões de alocação, no clube isso é possível. 

“No Family Office não há um número mínimo de pessoas, porque ele atende a uma família. O gestor vai elaborar um plano financeiro personalizado para cada família. Já no Clube de Investimentos é necessário ter no mínimo três pessoas e no máximo 50, que juntos definem as regras em um estatuto”, explica Faria Junior. 

Atenção para os riscos

Embora as duas opções sejam regulamentadas e tenham que cumprir regras, há riscos, lembra o economista da Corano Capital, Bruno Corano. No caso do family office, ele ressalta que pode se tornar inviável financeiramente, caso os custos superem os benefícios.  Já o clube de investimento pode ter dissolução, se houver grandes perdas da carteira montada. 

Corano também ressalta a importância de fazer boas escolhas de gestores. “No caso do Clube de Investimentos é importante escolher um grupo com objetivos de investimentos alinhados e buscar por um gestor com experiência e um bom histórico de performance. No Family Office, com cerca de R$ 2 milhões para cima, você terá acesso a bons escritórios de gestão de patrimônio Multi-Family Office, que consequentemente custará menos”, afirma.


Vantagens

Family Office

- O patrimônio é administrado por profissionais certificados;

- As estratégias são adaptadas às necessidades e objetivos específicos da família;

- Oferece uma gama completa de serviços financeiros e administrativos;

- As informações sobre o patrimônio são confidenciais;

- Facilita planejamento sucessório e tributário;

- Proteção contra riscos jurídicos e financeiros;

- Dependendo da plataforma bancária, o cliente pode ter cashback dos seus investimentos, em especial em renda fixa.  

Clube de Investimentos:

- Permite diversificar de forma mais eficiente os investimentos, em especial em renda variável;

- Os membros trocam informações e experiências, enriquecendo o processo de tomada de decisão. Além disso, é um bom mecanismo de aprendizado do mercado financeiro;

- As taxas e custos são divididos entre os membros, tornando o investimento mais acessível, a depender do patrimônio do Clube.

Desvantagens: 

Familly Office

- Os serviços podem ser caros, especialmente para famílias com patrimônio menor;

- A família pode perder o controle sobre seus investimentos, delegando as decisões para o Family Office.

Clube de Investimentos

- Todos os membros são responsáveis pelas decisões tomadas, mesmo que não concordem com elas. Além disso, eventuais divergências de opinião podem gerar conflitos e dificultar a gestão do clube;

- As regras do clube podem limitar a flexibilidade e a autonomia dos membros, em especial devido a necessidade de alocar ao menos 67% em renda variável, conforme norma da CVM.

Investimento mínimo

Family Office

Varia de acordo com a empresa e os serviços oferecidos. Geralmente, é exigido um patrimônio mínimo de R$ 3 milhões ou potencial para atingir este valor.

Clube de Investimento

Não há valor mínimo definido por lei, mas é recomendado que o Clube tenha um patrimônio suficiente para diversificar os investimentos e cobrir os custos operacionais. Um valor inicial de R$ 500 mil pode ser um bom ponto de partida.

Decisão de investimentos

Family Office

Decisões são do gestor, com base no Investment Policy Statement (IPS, sigla em inglês para declaração de política de investimento) e nas condições do mercado. O administrador deve manter a família informada sobre as decisões e os resultados dos investimentos.

Clube de Investimentos

Decisões são tomadas em assembleias, onde os membros votam as propostas de investimento. O estatuto do clube define as regras de votação e o quórum necessário para aprovação.

Taxas e tributação

Family Office:

Taxa de Administração: percentual sobre o patrimônio da família. Em geral a taxa é decrescente com o valor aplicado e algo em torno de 0,5%;

Taxa de Performance: percentual sobre os lucros se o desempenho superar um determinado benchmark contratado. Muitos Family Office não cobram esta taxa para evitar correr riscos em excesso, algo que seria contra o IPS acordado;

Custos Operacionais: taxas de corretagem e custódia pagos à parte;

Imposto de Renda: a tributação varia de acordo com os investimentos realizados e a estrutura jurídica da família.

Clube de Investimento:

Taxa de Administração: percentual sobre o patrimônio do clube e, em geral, varia de 0,5% a 2,0%, pago ao administrador;

Taxa de Performance: percentual sobre os lucros do clube, pago ao administrador se o desempenho superar benchmark estipulado no estatuto. Em geral, não é muito comum este tipo de taxa;

Custos Operacionais: taxas de corretagem, custódia etc;

Imposto de Renda: 15% sobre os lucros do clube retido na fonte, no momento do resgate.

Saída 

Family Office

Depende do contrato, mas é possível rescindir a qualquer momento, mas pode haver multas e outras penalidades.

Clube de Investimento

Segue as regras do estatuto do clube. Geralmente, é possível sair a qualquer momento, mas é comum ter prazo de aviso prévio.

Fonte: Planejar e Corano Capital

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