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Escolher um investimento é sempre um desafio para um investidor individual, que além de tentar identificar a melhor opção dentro dos seus objetivos, também precisa ficar atento às adversidades do mercado financeiro, para tentar minimizar possíveis perdas. Para buscar melhorar seus rendimentos e reduzir o risco, trabalhar em grupo pode ajudar. Há abordagens mais estruturadas e com estratégias sofisticadas nos family offices e clubes de Investimentos. Mas qual a diferença e como funcionam?
O Family Office é quando uma gestora de patrimônio gerencia o patrimônio de uma família, com o objetivo de preservar e aumentar o patrimônio. Além disso, oferece serviços personalizados de gestão financeira, planejamento tributário, sucessório, entre outros. O Clube de Investimentos é uma associação de pessoas que se unem para investir no mercado financeiro e buscar melhores resultados do que se investissem individualmente. Nos dois casos é necessário abrir um CNPJ.
De acordo com o Planejador Financeiro CFP pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro) José Faria Junior, o family office é indicado para famílias com patrimônio elevado e que buscam gestão profissional e personalizada. Outra demanda é para casos de planejamento tributário, sucessório e outros serviços especializados, além da comodidade de ter quem gerencie seus investimentos.
Já os clubes de investimentos são voltados para investidores iniciantes, que estão começando a investir e querem aprender sobre o mercado financeiro. Faria Junior ressalta ainda que para quem tem pouco capital é mais difícil diversificar e, neste caso, o clube contribui para ampliar as opções de investimentos. Outro diferencial, por exemplo, é que ao contrário de um fundo de investimento, que você não pode participar das decisões de alocação, no clube isso é possível.
“No Family Office não há um número mínimo de pessoas, porque ele atende a uma família. O gestor vai elaborar um plano financeiro personalizado para cada família. Já no Clube de Investimentos é necessário ter no mínimo três pessoas e no máximo 50, que juntos definem as regras em um estatuto”, explica Faria Junior.
Embora as duas opções sejam regulamentadas e tenham que cumprir regras, há riscos, lembra o economista da Corano Capital, Bruno Corano. No caso do family office, ele ressalta que pode se tornar inviável financeiramente, caso os custos superem os benefícios. Já o clube de investimento pode ter dissolução, se houver grandes perdas da carteira montada.
Corano também ressalta a importância de fazer boas escolhas de gestores. “No caso do Clube de Investimentos é importante escolher um grupo com objetivos de investimentos alinhados e buscar por um gestor com experiência e um bom histórico de performance. No Family Office, com cerca de R$ 2 milhões para cima, você terá acesso a bons escritórios de gestão de patrimônio Multi-Family Office, que consequentemente custará menos”, afirma.
- O patrimônio é administrado por profissionais certificados;
- As estratégias são adaptadas às necessidades e objetivos específicos da família;
- Oferece uma gama completa de serviços financeiros e administrativos;
- As informações sobre o patrimônio são confidenciais;
- Facilita planejamento sucessório e tributário;
- Proteção contra riscos jurídicos e financeiros;
- Dependendo da plataforma bancária, o cliente pode ter cashback dos seus investimentos, em especial em renda fixa.
- Permite diversificar de forma mais eficiente os investimentos, em especial em renda variável;
- Os membros trocam informações e experiências, enriquecendo o processo de tomada de decisão. Além disso, é um bom mecanismo de aprendizado do mercado financeiro;
- As taxas e custos são divididos entre os membros, tornando o investimento mais acessível, a depender do patrimônio do Clube.
- Os serviços podem ser caros, especialmente para famílias com patrimônio menor;
- A família pode perder o controle sobre seus investimentos, delegando as decisões para o Family Office.
- Todos os membros são responsáveis pelas decisões tomadas, mesmo que não concordem com elas. Além disso, eventuais divergências de opinião podem gerar conflitos e dificultar a gestão do clube;
- As regras do clube podem limitar a flexibilidade e a autonomia dos membros, em especial devido a necessidade de alocar ao menos 67% em renda variável, conforme norma da CVM.
Varia de acordo com a empresa e os serviços oferecidos. Geralmente, é exigido um patrimônio mínimo de R$ 3 milhões ou potencial para atingir este valor.
Não há valor mínimo definido por lei, mas é recomendado que o Clube tenha um patrimônio suficiente para diversificar os investimentos e cobrir os custos operacionais. Um valor inicial de R$ 500 mil pode ser um bom ponto de partida.
Decisões são do gestor, com base no Investment Policy Statement (IPS, sigla em inglês para declaração de política de investimento) e nas condições do mercado. O administrador deve manter a família informada sobre as decisões e os resultados dos investimentos.
Decisões são tomadas em assembleias, onde os membros votam as propostas de investimento. O estatuto do clube define as regras de votação e o quórum necessário para aprovação.
Taxa de Administração: percentual sobre o patrimônio da família. Em geral a taxa é decrescente com o valor aplicado e algo em torno de 0,5%;
Taxa de Performance: percentual sobre os lucros se o desempenho superar um determinado benchmark contratado. Muitos Family Office não cobram esta taxa para evitar correr riscos em excesso, algo que seria contra o IPS acordado;
Custos Operacionais: taxas de corretagem e custódia pagos à parte;
Imposto de Renda: a tributação varia de acordo com os investimentos realizados e a estrutura jurídica da família.
Taxa de Administração: percentual sobre o patrimônio do clube e, em geral, varia de 0,5% a 2,0%, pago ao administrador;
Taxa de Performance: percentual sobre os lucros do clube, pago ao administrador se o desempenho superar benchmark estipulado no estatuto. Em geral, não é muito comum este tipo de taxa;
Custos Operacionais: taxas de corretagem, custódia etc;
Imposto de Renda: 15% sobre os lucros do clube retido na fonte, no momento do resgate.
Depende do contrato, mas é possível rescindir a qualquer momento, mas pode haver multas e outras penalidades.
Segue as regras do estatuto do clube. Geralmente, é possível sair a qualquer momento, mas é comum ter prazo de aviso prévio.
Fonte: Planejar e Corano Capital
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