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Sebrae visa um milhão de atendimentos a empreendedores 60+ este ano

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Georgia Nunes, do Sebrae, ressalta que um dos principais obstáculos do público 60+ é a adaptação tecnológica - Divulgação
Georgia Nunes, do Sebrae, ressalta que um dos principais obstáculos do público 60+ é a adaptação tecnológica
Por Alessandra Taraborelli

19/03/2026 | 18h00

São Paulo - O Sebrae Nacional realizou 800 mil atendimentos de pessoas 60+ em 2025 e este ano quer atingir um milhão. Para isso, a instituição está investindo em eventos regionais, com o objetivo de reunir empreendedores, fazer uma interlocução entre os Estados e levar soluções e cursos para esse público.

De acordo com a gerente da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão (UEDI) do Sebrae Georgia Nunes, esses atendimentos podem ter sido uma consultoria, participação em uma palestra, eventos ou cursos. “Considerando todos os serviços do Sebrae, foi gerado 800 mil atendimentos para pessoas nessa faixa etária em 2025”, afirmou.

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Ela acrescenta ainda que a instituição está criando o máximo de soluções para trazer esse público massivamente para dentro da entidade.

O nosso trabalho é também transformar pessoa física em pessoa jurídica. Formalizar esses empreendedores e colocá-los nessa trilha de atendimento através de pessoa jurídica. Quanto mais pessoas físicas a gente estiver atendendo pelo Brasil inteiro, maior a chance de aumento de CNPJs.”

Georgia Nunes explica que a unidade, que acabou de completar dois anos, nasceu para promover ações de empreendedorismos para as mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, 60+, LGBTQIA+ e Pessoas Com Defidiências (PCDs). Todos esses empreendedores têm características peculiares na sua forma de empreender e, principalmente, obstáculos. Por isso, a unidade foi criada com o propósito de direcionar as ações e as políticas que o Sebrae já realiza para os pequenos negócios para cada um desses públicos.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024 existiam 4,3 milhões de pessoas empreendedoras, sendo que os 60+ respondiam por 14% desse total. Se considerar o período de 2012 a 2024, esse universo cresceu 53%.

O futuro do empreendedorismo é, sim, a futuridade. Então, temos que estar preparados para quando tivermos mais de 30%, 40% de empreendedores nessa faixa etária; contribuir para ajudá-los a superar barreiras que a gente já vê hoje muito claras.”

Desafios de empreender

Os desafios, em regra, são muito semelhantes aos das demais faixas etárias: dificuldades com planejamento, administração, gestão de pessoas, recursos humanos, entre outras tantas adversidades, como a questão climática, que afeta tanto os grandes quantos os pequenos negócios. A executiva, no entanto, ressalta que, além destes, um dos principais obstáculos do público 60+ é a adaptação tecnológica.

“Muitos empreendedores enfrentam problemas para se familiarizarem com as novas ferramentas digitais. Todos nós, da nossa geração, encontramos problemas em acompanhar com rapidez as novidades que chegam, as plataformas de e-commerce, as estratégias de marketing online. Isso acaba criando um gap, uma lacuna entre a operação e a divulgação do trabalho. Os mais jovens lidam muito bem com essas ferramentas digitais", avalia Nunes. 

Outro ponto destacado pela executiva são as dificuldades de acesso ao crédito, principalmente para mulheres, pessoas negras e as 60+.

Apesar de este público já ter uma experiência de vida, um relacionamento longo com instituições financeiras, por conta da idade, ainda encontra algumas dificuldades na obtenção de crédito e investimentos de longo prazo. "O banco é mais cauteloso em investir a longo prazo com pessoas 60+”, ressalta.

Ela ressalta ainda que o etarismo não está só na sociedade, também está nas instituições financeiras, na relação com os fornecedores, com o cliente. São obstáculos que precisam ser enfrentados quando se fala em empreendedorismo sênior.

"O etarismo impacta na percepção dos clientes e dos parceiros, limitando a atuação e, às vezes, o crescimento desses empreendedores 60 mais.”

Resiliência maior

Ela ressalta que a mortalidade dos pequenos negócios liderados por pessoas 60+ é menor do que dos públicos mais jovens. A média é de um a dois anos em alguns casos enquanto nos 60+ é maior, justamente porque o sênior planeja melhor, já tem uma experiência de vida, uma rede de contatos, e vai trabalhar com aquilo que tem mais familiaridade, com o que já atuou e aproveitará sua bagagem de vida no seu negócio.

Georgia acrescenta ainda que para os mais jovens que estão começando e, principalmente, mulheres e pessoas negras, essa mortalidade é alta, porque empreendem mais por necessidade do que por oportunidade. Os dados mostram que estas pessoas têm uma dificuldade maior de permanecer com seus negócios ativos.

A executiva do Sebrae avalia ainda que o crescimento de empreendimentos de pessoas 60+ se deve, também, à dificuldade de se recolocar no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, como as pessoas estão vivendo mais, acabam empreendendo para ter uma renda extra, como forma de permanecerem ativas no trabalho, investindo o que pouparam ao longo da vida. Nesses casos, não são os empreendedores por oportunidade, que vêm nesse tempo livre após a aposentadoria o momento adequado para investirem no próprio negócio.

Temos essas duas realidades: os que empreendem por necessidade, porque não conseguem mais uma colocação no mercado de trabalho; e aqueles que já estão se aposentando, saindo voluntariamente após cumprirem o tempo de contribuição, e decidem abrir o seu negócio.”

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