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Tarifaço de 25% dos EUA contra Brasil entra em vigor nesta quarta-feira

Envato
Por Fabiana Holtz

22/07/2026 | 09h57

São Paulo - A imposição da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos entra em vigor nesta quarta-feira. Para justificar a taxação, a administração de Donald Trump alega práticas comerciais consideradas desleais, mencionando Pix, etanol e desmatamento na Amazônia. A lista completa é integrada por 2.126 produtos.

A nova tarifa deve atingir cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano (representando US$ 5,8 bilhões), pelos cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) considerando dados de 2025. 

O que fica de fora do tarifaço?

Foram excluídos dessa lista, porém, uma série de produtos agropecuários nacionais. Entre os principais itens que ficaram de fora do tarifaço estão a carne bovina, café em grão e suco de laranja - por serem considerados "sensíveis" à inflação doméstica americana. 

Embora uma retaliação seja descartada, a decisão dos EUA, do ponto de vista técnico, é definida pelo governo brasileiro como 'injustificável', dado que o país têm superávit comercial com o Brasil.

Ao comentar a questão, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ponderou que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas. Ele ressaltou ainda que legalmente temos instrumentos para reagir, no momento oportuno, da forma adequada. O plano, segundo o governo brasileiro, é continuar negociando.  

Trabalho análogo a escravidão

Outra taxação, essa de 12,5%, pode ser confirmada ainda nesta sexta-feira (24). Nesse caso, o processo está relacionado a investigações sobre importação de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão.

A investigação em curso não atinge apenas o Brasil, mas outros 59 países. O processo é baseado em um relatório de 98 páginas do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que sugere a sobretaxação de 60 economias. No documento, o órgão informa ter consultado diretamente os governos de 46 países, incluindo o Brasil, sobre as políticas e as ações em relação ao trabalho forçado.

Iniciada em 12 de março, a investigação teve audiências públicas no fim de abril e recebeu 455 contribuições de interessados no assunto, de acordo com o relatório.

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