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Intolerância à lactose não é igual a alergia ao leite: saiba a diferença

Foto: Envato Elements

As reações são diferentes na intolerância e na alergia alimentar - Foto: Envato Elements
As reações são diferentes na intolerância e na alergia alimentar
Por Redação Viva

05/09/2026 | 13h49

São Paulo - Intolerância à lactose e alergia à proteína do leite de vaca não são a mesma coisa. A primeira é um problema digestivo relacionado à deficiência da enzima lactase, enquanto a segunda envolve uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite, sendo um quadro mais grave.

As duas condições podem ser confundidas, justamente por estarem relacionadas ao consumo do leite. O gastroenterologista e endoscopista Eric Pereira afirma que as reações são diferentes na intolerância e na alergia alimentar.

A reação pode ser de leve a grave, até com quadro de anafilaxia. Por isso, a dieta jamais pode ter esses alimentos. Já na intolerância à lactose, o indivíduo pode ingerir leite ou derivados junto ao uso da enzima (lactase) e assim ele não terá sintomas. O desconforto abdominal só vai acontecer se não usar a enzima e não há risco de vida", diz o especialista. 

O que é a intolerância à lactose?

A intolerância à lactose decorre da dificuldade do organismo em digerir a lactose, o açúcar naturalmente presente no leite e em seus derivados. 

A lactose, normalmente, é quebrada pela enzima lactase em dois açúcares menores (glicose e galactose), que são absorvidos pelo intestino delgado e utilizados como fonte de energia pelo organismo. 

No caso dos intolerantes à lactose, existe uma deficiência parcial ou total da lactase, por isso, a lactose não é digerida adequadamente e segue para o intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias da microbiota intestinal.

Esse processo é o que provoca os sintomas gastrointestinais característicos da condição: dor e distensão abdominal, gases, cólicas, diarreia, náuseas, vômitos e, em alguns casos, constipação intestinal e cãibras.

Por isso, é importante diferenciar as duas condições considerando que, no caso da intolerância, é necessário o diagnóstico e tratamento. Na alergia, o consumo de leite e derivados pode colocar em risco a vida da pessoa.

Diagnóstico correto de intolerância

A intensidade dos sintomas varia de acordo com cada pessoa e com a quantidade de lactose ingerida. Além disso, o grau de deficiência da enzima, a velocidade do trânsito intestinal, a idade do paciente e características genéticas relacionadas à produção da enzima também podem influenciar a intensidade dos efeitos.

Mas, no geral, os sinais aparecem cerca de 30 minutos a duas horas após o consumo de leite ou derivados. Para um diagnóstico correto, é necessário o acompanhamento de um profissional de saúde, que avaliará os sintomas e a relação deles com o consumo de lactose. 

Normalmente, é observado se os sintomas desaparecem após a retirada dos alimentos com lactose da dieta, por um período de três a quatro semanas. E, em seguida, é feita a reintrodução dos alimentos para avaliar se há o retorno das manifestações. Também pode ser necessário realizar exames complementares para confirmar a suspeita e confirmar o diagnóstico.

Como é feito o tratamento da intolerância à lactose 

Após o diagnóstico, o paciente tem a indicação de um tratamento, que varia de acordo com o grau de intolerância de cada um. As recomendações gerais para quem possui a condição são reduzir ou evitar o consumo de alimentos que contenham lactose. Também é indicado utilizar suplementos de lactase antes das refeições, quando indicado pelo médico e garantir ingestão adequada de cálcio e vitamina D, por meio da alimentação ou de suplementação, quando houver necessidade.

Na maioria dos casos de intolerância, não é necessário excluir completamente os laticínios da dieta, por não se tratar de uma alergia. Mas é necessário o acompanhamento de um profissional da saúde, que deve indicar como controlar os sintomas e manter uma alimentação equilibrada e nutritiva, explica o especialista.

(Por Mariana Pacheco, especial para o VIVA)

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