Uruguai é o melhor país para acolher aposentados; Brasil é o 15º
Índice global avalia vistos de 46 países. Alta carga tributária penaliza o Brasil, enquanto Uruguai lidera a lista com isenções
Por Claudio Marques
30/09/2026 | 08h48Adobe Stock / IA
O aumento da população idosa global, projetada para 1,6 bilhão até 2050, impulsiona a mobilidade internacional de aposentados, com o Uruguai, Ilhas Maurício, Espanha, Costa Rica e Portugal se destacando como os destinos mais vantajosos para essa população. O Brasil, embora tenha um visto de renda passiva acessível, ocupa apenas a 15ª posição no ranking de aposentadoria global.
O '2026 Global Retirement Report & Index' avaliou 46 países com base em qualidade de vida, mobilidade, tributação e custos, atribuindo ao Brasil uma pontuação de 91,4, destacando suas regras de entrada acessíveis, mas enfrentando desafios na tributação, onde ocupa a 35ª posição.
As opções mais atraentes para aposentados brasileiros incluem Uruguai, Portugal, Espanha, Paraguai e Costa Rica, com o Uruguai oferecendo isenção de rendimentos de capital por até 11 anos. Especialistas destacam que a escolha do país deve considerar as regras fiscais e de residência, além do estilo de vida desejado.
São Paulo - Com o número global de pessoas com 65 anos ou mais projetado para chegar a 1,6 bilhão até 2050, somado ao avanço do público com alto patrimônio e a aposentadorias mais precoces, a mobilidade internacional proporciona que inativos possam escolher um diferente do seu para aproveitar essa fase da vida.
Nesse sentido, o "2026 Global Retirement Report & Index" aponta que os cinco países mais acessíveis e vantajosos são Uruguai, Ilhas Maurício, Espanha, Costa Rica e Portugal. Em relação ao Brasil, o visto brasileiro de renda passiva, o VITEM XIV, embora consolida-se como um dos caminhos de residência mais acessíveis das Américas, ocupa apenas a 15ª posição. No sentido oposto, as melhores alternativas para aposentados brasileiros são Uruguai, Portugal, Espanha, Paraguai e Costa Rica.
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O 2026 Global Retirement Report & Index está sendo lançado hoje pela consultoria Global Citizen Solutions. Desenvolvido pelo Global Intelligence Unit. O estudo avaliou programas de aposentadoria e renda passiva de 46 países em cinco pilares — qualidade de vida, mobilidade e cidadania, tributação, processo e custos —, atribuindo ao Brasil a pontuação geral de 91,4.
As vantagens do Brasil
O desempenho brasileiro é impulsionado por regras de entrada acessíveis, como a exigência de comprovação de renda estável de aposentadoria ou pensão de US$ 2.000 por mês, ausência de idade mínima ou de necessidade de compra de imóveis, e amplas regras de inclusão familiar.
O País se destaca principalmente em Mobilidade e Cidadania, pilar no qual ocupa o 6º lugar por oferecer circulação no Mercosul e um caminho para a naturalização.
Por outro lado, a principal barreira do cenário nacional é a Otimização Tributária, pilar em que o Brasil cai para a 35ª colocação. A legislação brasileira tributa residentes pela renda mundial com alíquotas progressivas de até 27,5%, sem regimes especiais para aposentados ou acordos para evitar a dupla tributação com países como os Estados Unidos e o Reino Unido.
Renda mundial (ou rendimento de fonte global) é um princípio tributário em que um país exige que os seus residentes fiscais declarem e paguem impostos sobre todos os seus ganhos e rendimentos obtidos em qualquer lugar do mundo, e não apenas dentro do território onde residem.
O peso da tributação
O alívio fiscal brasileiro limita-se a créditos unilaterais por impostos pagos no exterior, ao crédito por reciprocidade reconhecido pela Receita Federal para o Social Security norte-americano e aos efeitos de uma reforma do imposto de renda promovida em 2025, que ampliou a faixa de isenção e suavizou a carga para rendas mais baixas.
Segundo a pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit, Laura Madrid, o visto VITEM XIV é um dos programas mais acessíveis das Américas — barreira de renda baixa, sem idade mínima e um caminho claro para a cidadania. Mas quem tem renda global significativa precisa avaliar com atenção a tributação sobre a renda mundial antes de decidir.
A escolha certa depende menos do clima e mais das regras fiscais e de residência de cada país.
Laura Madrid, pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit
No panorama global do índice, los programas da Europa sobressaem-se em estilo de vida e mobilidade, enquanto as Américas se destacam em custo, eficiência fiscal e variedade.
O estudo aponta que o grande dilema dos aposentados é a correlação inversa entre vantagem fiscal e qualidade de vida, equilíbrio que poucas jurisdições conseguem entregar.
Ao mesmo tempo, observa-se o endurecimento do acesso à cidadania internacional. Portugal, por exemplo, perdeu a liderança do ranking ao dobrar seu prazo de naturalização de cinco para dez anos — reduzido para sete no caso de cidadãos da CPLP e da União Europeia.
Melhores locais para aposentados brasileiros
Nesse contexto global, o relatório aponta as melhores alternativas para aposentados brasileiros.
Uruguai - desponta como a opção mais equilibrada, combinando facilidades do Mercosul com o Tax Holiday 2.0, que isenta rendimentos de capital estrangeiro por até onze anos.
Portugal e Espanha - destacam-se pela qualidade de vida e acesso à União Europeia — permitindo a naturalização de brasileiros em sete e dois anos, respectivamente —, embora imponham tributação sobre a renda mundial.
Paraguai - oferece o melhor custo-benefício e regime estritamente territorial que deixa a renda de fonte brasileira fora do alcance local.
Costa Rica - consolida-se como uma base estável de regime territorial e baixo custo. Menções complementares incluem a Argentina e o Panamá.
Para a CEO da Global Citizen Solutions, Patricia Casaburi, a A principal conclusão do Índice é que um visto de aposentadoria deve ser entendido como um ativo; uma forma de diversificar a exposição tributária, de estilo de vida e política.
"Estamos diante de uma geração de aposentados que viverá mais, será mais numerosa e terá mais mobilidade do que nunca. Os países que desenharem seus programas em torno dessa realidade moldarão a próxima década da mobilidade na aposentadoria", acrescenta.
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