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Ancelotti usa experiência para acalmar a seleção após estreia ruim

Divulgação/CBF

Carlo Ancelotti faz últimos ajustes no Brasil antes do jogo com o Haiti na Copa - Divulgação/CBF
Carlo Ancelotti faz últimos ajustes no Brasil antes do jogo com o Haiti na Copa
Por Robson Morelli

19/06/2026 | 08h00

Filadélfia - Carlo Ancelotti sabe que o Brasil ficou devendo na estreia da Copa do Mundo. O empate com Marrocos aumentou a cobrança sobre a seleção e colocou o treinador italiano diante de seu primeiro momento real de pressão no comando do time. Nada, no entanto, parece assustá-lo.

Aos 67 anos, com uma carreira construída em grandes clubes, decisões de Champions League e vestiários estrelados, Ancelotti tenta usar a experiência para corrigir o Brasil sem desmontar a equipe nesta Copa. O rival desta sexta é o sparring ideal.

O treinador prepara poucas mudanças para a partida desta sexta-feira contra o Haiti, na Filadélfia, mas não quis revelar quais serão. Disse que ainda não havia conversado com os jogadores. A tendência é que o lado direito seja alterado com a entrada de Danilo e a possibilidade de Luiz Henrique começar jogando, caso Raphinha não tenha condições por causa de bolhas nos pés. Matheus Cunha também pode ganhar espaço no meio de campo na vaga de Paquetá.

Ancelotti admitiu a fragilidade do Brasil no primeiro tempo contra Marrocos. Não gostou da quantidade de passes errados, do posicionamento de alguns atletas e da falta de equilíbrio entre os setores. Não gostou de nada. Espera mais.

Ancelotti fará ajustes sem grandes rupturas

O técnico evitou individualizar a culpa. Para ele, ninguém jogou bem. Foi uma forma de proteger o grupo e, ao mesmo tempo, deixar claro que a cobrança existiu internamente durante a semana. Ancelotti deu a entender que sabe o que está fazendo. Ele mostrou calma diante da pressão, autocrítica pela estreia e busca por ajustes sem grandes rupturas.

A frase mais importante de Ancelotti foi sobre pressão. Ele disse ter experiência suficiente para lidar com esse tipo de cobrança e lembrou, sem precisar listar títulos, que passou por ligas, clubes e competições em que vencer era obrigação. A Copa do Mundo não se ganha na estreia. Esse é o ponto que ele tenta transmitir aos jogadores: o Brasil jogou mal, precisa melhorar, mas não pode transformar uma derrapada inicial em desespero.

Há, porém, um limite para a paciência. Ancelotti não ficou satisfeito com o que viu. Nem o torcedor brasileiro com ele. O treinador entende que a seleção sentiu o peso da camisa, da estreia e da expectativa criada em torno do Mundial e do seu próprio trabalho. A intenção contra o Haiti é errar menos passes, ter mais presença na área e buscar equilíbrio. Mas ninguém ganha uma Copa só com intenções. O adversário é mais fraco, mas o jogo ganhou importância porque o Brasil precisa vencer para encaminhar a classificação e reduzir a pressão antes da última rodada.

Não é hora de Endrick, mister?

O ponto em que Ancelotti menos convenceu foi sobre Endrick. O treinador elogiou o atacante de 19 anos, chamou-o de talento extraordinário e disse que ele será importante nesta Copa e na próxima. Mas também deixou claro que ainda não chegou a sua hora. O discurso protege o jogador, mas adia uma resposta que parte da torcida espera ver em campo. O plano do italiano é preparar Endrick para os momentos mais agudos do Mundial.

Ancelotti vai tentar melhorar o Brasil sem abandonar suas convicções. Casemiro e Bruno Guimarães devem continuar no time. Igor Thiago pode ter nova chance. A seleção deve apostar mais em presença física e bola aérea contra o Haiti.

O treinador sabe que uma vitória encaminha a vaga e que uma goleada pode ajudar nos critérios de desempate. Mais do que isso, sabe que precisa entregar uma atuação melhor. Sua experiência sustenta a calma. O futebol da seleção, agora, precisa sustentar a sua ideia.

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