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Danilo coloca o dedo em feridas após a estreia: 'a Copa nos deu nova chance'

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Danilo treina com a seleção brasileira antes do jogo com o Haiti - CBF
Danilo treina com a seleção brasileira antes do jogo com o Haiti
Por Robson Morelli

18/06/2026 | 08h05

Morristown (EUA) - A experiência de Danilo conta muito na seleção brasileira. O lateral do Flamengo é a voz mais lúcida de um time que mescla atletas mais velhos com meninos em começo de carreira, como o atacante Endrick. Aos 34 anos e dono de uma carreira consolidada, Danilo navega por todos os "grupos" do time de Carlo Ancelotti sem perder o rebolado.

Quando ele fala, é preciso prestar atenção. E ele falou muito nesta quarta. Colocou o dedo em feridas abertas de uma equipe que fez uma estreia ruim na Copa do Mundo, apesar do empate. "A Copa do Mundo nos deu uma nova chance", disse, referindo-se ao jogo pífio que o Brasil fez contra Marrocos.

Assustou aquele primeiro tempo do Brasil contra Marrocos. Existia muita expectativa interna em fazer um jogo grande, de domínio, de pressão a todo tempo. Quando acontece o contrário disso, com o adversário tendo várias ocasiões, não é fácil. E não se muda uma situação dessa facilmente. A primeira coisa era buscar o equilíbrio."

Sua liderança não é apenas técnica. Ele vem de sua experiência na Europa, mas sobretudo de enxergar o que talvez outros não observam. Ele foi o primeiro jogador convocado pelo técnico Carlo Ancelotti. Danilo admitiu que os "jogadores conversaram muito sobre o que aconteceu no primeiro jogo".

Ele fez questão de abrir a porta da concentração para situações não reveladas antes, de modo a admitir o mal-estar da estreia. Mal-estar de todos. Mas Danilo entende que o jogo ruim pode ser um aprendizado para as próximas partidas do Mundial.

Danilo diz que o Brasil tem 80% do time pronto

O lateral tem resposta para todas as perguntas, olha o interlocutor nos olhos e faz diagnósticos precisos e inteligentes da condição da seleção. Danilo não cobrou Ancelotti, mas entende que há no elenco jogadores que precisam "ser escalados" com antecedência.

O que aconteceu no último jogo (escalação em cima da hora) teve uma importância exagerada. Temos um time 80% definido. Para três ou quatro posições ainda não se sabe, seja por questão tática ou até por mania do treinador. Algumas escolhas não têm explicação, vai do técnico. Se o treinador falar que vou jogar hoje, amanhã ou uma hora antes da partida, a minha preparação vai ser a mesma. Mas alguns precisam saber antes."

Danilo confia no Brasil, mas ele admitiu que a seleção não tem a mesma "maturidade" da França nem da Argentina. Os jogadores estão acompanhando algumas partidas da Copa. E todos viram como Messi e Mbappé atuaram em suas respectivas estreias. O lateral do Brasil não citou nomes, mas colocou o time num degrau abaixo dessas duas equipes, por exemplo.

Depois do jogo da França, falei a todos que não tínhamos a mesma maturidade deles, assim como também não temos da Argentina. O que não quer dizer que não podemos chegar longe na Copa."

O jogador entende que a seleção brasileira precisa encontrar caminhos para tirar essa diferença para seus rivais. O trabalho da semana foi baseado nisso. Danilo também rechaçou a esperada goleada que o torcedor imagina sobre o Haiti. Para ele, a seleção só precisa encontrar o seu jeito de jogar. E voltar a se impor.

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