Ancelotti pode trocar jogador da lista dos 26 da Copa? Sim, em dois casos
Reprodução Instagram Fifa
Rio de Janeiro - Todas as 48 seleções da Copa do Mundo de 2026 não podem trocar seus jogadores depois da apresentação da lista oficial na Fifa. O técnico Carlo Ancelotti vai anunciar a sua relação dos 26 atletas nesta segunda-feira, no Museu do Amanhã, no Rio.
O evento tem 700 jornalistas credenciados do Brasil e de fora também. Haverá shows de Ludmilla, João Gomes e Veigh. Teoricamente, os treinadores têm as Eliminatórias e os últimos amistosos da data-Fifa para tomar suas decisões. Mudanças táticas ou técnicas não são autorizadas depois da confirmação da lista.
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O que pouca gente sabe, no entanto, é que a Fifa autoriza a substituição de jogador em duas situações apenas: quando um atleta relacionado se machuca antes da estreia no Mundial e em casos específicos de doença grave. Há um prazo para que os técnicos apresentem a solicitação de troca para a entidade: 24 horas antes da primeira partida da fase de grupos.
Essas regras fazem parte do estatuto da competição. Todas as federações credenciadas para o torneio são alertadas sobre isso. Não há conversas paralelas nem exceções. O que vale para a seleção brasileira, a única pentacampeã do mundo, também vale para qualquer outra equipe da disputa, de menor ou maior prestígio. Até mesmo as debutantes.
Nada na Copa do Mundo é feito de "boca". Tudo precisa ser comprovado para que a Fifa não seja acusada de "manobras esportivas" para ajudar essa ou aquela seleção.
Portanto, nos dois casos permitidos para trocar atletas, a seleção em questão tem a obrigação e o dever de apresentar toda a documentação que comprove a necessidade da mudança, como exames médicos, de imagens e atestados clínicos sobre o jogador em questão.
Quem recebe essas informações é a comissão médica da própria Fifa. Existe a prerrogativa de a entidade acompanhar de perto o caso e se certificar da veracidade e da gravidade do ocorrido. A Fifa é rigorosa no cumprimento do seu estatuto.
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Em 2002, o Brasil viveu a dor de perder um jogador por contusão antes da estreia naquela Mundial. Ninguém esperava. Foi por pura falta de sorte. O clima ficou tenso às vésperas da estreia do time de Felipão contra a Turquia, na Coreia do Sul. O jogador em questão era Emerson, volante e capitão da equipe. Homem de confiança do treinador gaúcho e que viveu todo o "inferno" naquelas Eliminatórias.
Um dia antes da primeira partida da fase de grupos, o Brasil fez um treino de reconhecimento no Suwon World Cup Stadium, na cidade sul-coreana de Suwon, conforme determinação da Fifa. Os jogadores fizeram uma brincadeira em campo reduzido e Emerson foi para o gol. Ele sofreu uma luxação no ombro e foi cortado horas depois da contusão. A previsão era de que ficaria fora por quatro semanas.
O Brasil ganhou da Turquia por 2 a 1, com gols de Ronaldo e Rivaldo. O meia Ricardinho foi chamado em seu lugar. Emerson jogaria depois a Copa do Mundo de 2006. Em 1998, o volante viveu o inverso dessa situação. Ele entrou de última hora na vaga de Romário, cortado por Zagallo. O Brasil teve de superar os turcos e o clima pesado no vestiário com a perda do companheiro.
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A Fifa também não exige que o novo convocado esteja na lista de 55 nomes previamente entregue para a entidade antes da chamada final. Ou seja: se o Brasil tiver algum jogador cortado por lesão até a sua estreia, no dia 13 de junho, contra o Marrocos, Ancelotti poderá chamar qualquer jogador brasileiro. Um outro detalhe é sobre a numeração da camisa desse novo convocado. Ele assume obrigatoriamente o número do atleta cortado.
Para a substituição em caso de jogadores com doenças graves, a Fifa precisa dar uma aprovação médica especial. Esse trâmite é rápido e faz parte das decisões da entidade em Copas do Mundo. A Fifa está preparada para ajudar todas as 48 seleções no que for preciso durante a competição.
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