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Da era Pelé a Neymar: a história recente da camisa 10 da seleção nas Copas

Reprodução / Instagram

Kaká foi o camisa 10 do Brasil na Copa do Mundo de 2010 - Reprodução / Instagram
Kaká foi o camisa 10 do Brasil na Copa do Mundo de 2010
Por Robson Morelli

26/05/2026 | 16h35

São Paulo - Para o Brasil, a Copa do Mundo começa nesta quarta-feira, quando os jogadores se apresentam ao técnico Carlo Ancelotti na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio. Vai ser o primeiro contato do treinador italiano com os atletas que ele convocou para a competição. A seleção brasileira é a única que tenta o hexacampeonato. Nenhuma outra das 48 equipes tem cinco conquistas. Mas faz tempo que o Brasil festejou o seu último troféu. Foi em 2002, depois de derrotar a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo. 

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Aquela edição da Copa do Mundo foi a primeira disputada em dois países: Coreia do Sul e Japão. A seleção iniciou a sua campanha na cidade sul-coreana de Ulsan e jogou a final em Yokohama, no Japão. Ainda naquele Mundial, Felipão deu a camisa 10 para Rivaldo, então jogador do Barcelona.

Elenco concorda com a 10 para Neymar

Ancelotti vai definir o seu camisa 10 em breve. Na lista que o treinador apresentou no dia 18, em festa no Museu do Amanhã, não há um 10 definido. O elenco está de acordo de que o número seja entregue a Neymar. A decisão não foi tomada. Mas nem sempre o camisa 10 no futebol foi sinônimo de melhor jogador do time, de excelência e protagonismo.

Isso nasceu em 1958, quando a seleção brasileira deu a 10 para Pelé, um garoto de 17 anos que jogava no Santos e disputava a sua primeira Copa. O Brasil ainda não tinha vencido nenhum dos cinco títulos que tem na competição da Fifa. A distribuição das camisas naquele torneio foi feita de forma aleatória. Mas como Pelé arrebentou em campo, a 10 passou a ser uma referência no esporte. Era a camisa daquele garoto franzino que encantou o mundo na Suécia.

Desde então, o futebol passou a reverenciar os seus camisas 10. O número geralmente passou a ser entregue ao melhor e mais completo atleta do elenco. O craque do time. Isso começou a valer da várzea pelos quatro cantos do Brasil ao profissional, dos campeonatos estaduais à Copa do Mundo. Do futebol no país de Pelé às disputas na Europa.

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Desde então, o mundo do futebol já viu excelentes camisas 10, como Maradona, Platini, Messi... Ainda hoje, o 10 é uma referência em campo. Mas talvez menos badalado. Não é qualquer jogador que aceita também vestir essa camisa. Ela ainda traz muitas responsabilidades. Pesa mais do que as outras.

De Raí a Neymar, passando por Kaká

O Brasil já teve bons camisas 10, como Zico e Rivellino. Houve muitos outros depois de Pelé. Recentemente, nas três últimas Copas (2014, 2018 e 2022), o camisa 10 foi Neymar. Mas em nenhuma dessas edições, o jogador se deu bem. A seleção ficou pelo caminho em todas elas e Neymar não deixou saudades. Ancelotti resgatou o atleta entre os 26 para a Copa deste ano por acreditar que ele ainda pode ajudar a equipe. 

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Antes de Neymar, o camisa 10 do Brasil era Kaká. O jogador usou a numeração na África do Sul. Naquela Copa, ao lado de Robinho, Kaká era um dos principais jogadores do time. Era elegante e de passadas longas, corria com a bola nos pés e cabeça erguida. O técnico era Dunga. Três anos antes, em 2007, Kaká foi eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa. Ele trabalhou com Ancelotti no Milan, quando deixou o São Paulo para se transferir para a Itália. O italiano ficou encantado com o brasileiro.

Kaká pousou no aeroporto de Malpensa, em Milão, e eu coloquei as mãos na cabeça: óculos, cabelo perfeitamente penteado, rosto de bom menino. Só lhe faltavam livros escolares e um lanche. Meu Deus, contratamos um estudante universitário. Kaká não se parecia em nada com um jogador de futebol brasileiro. Aí ele entrou em campo ainda com jet lag: o céu se abriu. Com a bola nos pés, ele era monstruoso."


Em 2010, Kaká jogou com dores no joelho. Ele liderou a seleção até a partida diante da Holanda, em Port Elizabeth, quando o Brasil perdeu por 2 a 1 e voltou mais cedo para casa. Todos dizem que a Copa de Kaká deveria ter sido a de 2006, na Alemanha. Neste Mundial, o camisa 10 do Brasil era Ronaldinho Gaúcho.

A seleção tinha um "quadrado mágico" formado por Kaká, Ronaldo, Ronaldinho e Adriano Imperador. Foi assim que a imprensa batizou essa formação. O técnico Carlos Alberto Parreira reuniu um setor ofensivo para fazer inveja ao planeta. E a seleção ainda havia acabado de ganhar a Copa anterior, em 2002. Portanto, chegou na Alemanha de peito estufado.

Mas nada deu certo. Ronaldinho, o camisa 10, estava no auge da sua carreira, fama e conquistas. Um ano antes, havia sido eleito o melhor do mundo. Ocorreu que o time se perdeu em sua própria fama e levou a disputa sem a seriedade que uma Copa exige dos seus jogadores. O Brasil caiu nas quartas diante da França. 

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Rivaldo era um 10 menos badalado. Fez a sua carreira no Palmeiras antes de ganhar a Europa. Foi no Barcelona que ele mostrou todo o seu talento, fazendo jus à fama dos brasileiros daquela década. Rivaldo era inteligente, pensava rápido, mas nunca teve nem metade da fama de seus colegas 10 da seleção. A discrição era o lema do jogador.

Na última conquista, a camisa era de Rivaldo

Em 2002, ele foi tão importante para a conquista do penta quanto Ronaldo. Até hoje os torcedores se questionam qual dos dois foi melhor e mais decisivo na campanha do penta. Se Ronaldo era o goleador, Rivaldo era o maestro. Ele conta que sempre que encontra Ronaldo diz ao amigo que o fez famoso de novo. Rivaldo participou diretamente dos dois gols que Ronaldo Fenômeno marcou na final diante dos alemães do goleiro com cara de mal Oliver Kahn. 

Rivaldo também usou a camisa 10 do Brasil no Mundial de 1998, quando a seleção esteve bem perto de mais uma conquista. O time de Zagallo chegou à final com a anfitriã França, mas tomou uma surra de 3 a 0. Foi uma hora antes desse jogo que Ronaldo teve uma convulsão no hotel, chegou a ser hospitalizado e voltou para o estádio em Saint-Denis para jogar a final. Um absurdo para os dias atuais. Não havia condição emocional de o Brasil se dar bem na partida. Rivaldo foi discreto, o oposto de Zidane, que marcou dois gols.

Ainda para matar a saudade dos últimos camisas 10 do Brasil, em 1994, na campanha do tetra, ela pertencia a Raí, outro jogador que se fez no São Paulo, antes de crescer no Botafogo de Ribeirão Preto e ganhar fama em Paris, com a camisa do PSG. Raí tinha estilo e presença. Era um 10 clássico, objetivo e bom nas bolas paradas. Mas ele perdeu posição para Mazinho naquela Copa. Portanto, o 10 do Brasil foi para o banco de reservas, como deve acontecer no Mundial deste ano com Neymar.  

A 10 do Brasil nas últimas Copas

2026: ?
2022: Neymar
2018: Neymar
2014: Neymar
2010: Kaká
2006: Ronaldinho Gaúcho
2002: Rivaldo
1998: Rivaldo
1994: Raí

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