Saiba como a Fifa escolhe os árbitros da Copa: Brasil terá nove, um recorde
CBF
São Paulo - A arbitragem brasileira vai bater o seu recorde de presença na Copa do Mundo de 2026. Isso acontece no ano em que a CBF dá os primeiros passos para a profissionalização dos árbitros e bandeirinhas. Serão nove profissionais do apito escalados pela Fifa para trabalhar em algumas das 104 partidas da competição.
Nunca um Mundial de Futebol teve tantos jogos nem tantos representantes brasileiros no apito, entre árbitros de campo, assistentes e árbitros de vídeo (VAR).
O Brasil é o país com mais árbitros nesta Copa. E isso não tem nada a ver com o fato de a seleção brasileira ser a única pentacampeã, tampouco com a qualidade do trabalho deles no futebol nacional.
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A Fifa aumentou tudo nesta edição da Copa, a começar pelo número de países-sede: São três: Estados Unidos, Canadá e México. O país campeão terá de jogar oito partidas e não mais sete, como ocorreu com a Argentina na Copa do Catar, em 2022.
Com 48 seleções e não mais 32, haverá mais jogos. Portanto, a Fifa precisa de mais árbitros. Mas quem são os escolhidos da tão questionada arbitragem brasileira para apitar na Copa? A lista tem três árbitros de campo, também chamados de árbitros centrais: Raphael Claus (SP), Ramon Abatti Abel (SC) e Wilton Pereira Sampaio (GO).
Tem bandeirinhas e VAR
Muitos brasileiros torceram o nariz quando a entidade comandada por Gianni Infantino anunciou os convocados pela Comissão de Arbitragem para o Mundial. No futebol nacional o trio é bastante questionado, diga-se.
Há ainda cinco assistentes e um árbitro de vídeo do Brasil. Antigamente, os assistentes eram chamados de bandeirinhas. A turma do VAR não existia. Rodolpho Toski Marques (PR) vai ser o representante da equipe da arbitragem de vídeo. A CBF ainda vai mandar para a Copa os seguintes assistentes: Bruno Boschilia (PR), Bruno Pires (GO), Danilo Manis (SP), Rafael Alves (RS) e Rodrigo Figueiredo (RJ).
Mas como a Fifa escolhe os árbitros para uma Copa do Mundo? Primeiramente, é preciso saber que não é a CBF que determina a lista, mas a própria Fifa, por meio de critérios técnicos e físicos definidos pela comissão de arbitragem da entidade. O italiano Pierluigi Collina é o atual presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa. O ex-árbitro ocupa o cargo desde 2017. Ele é o chefão do setor no Mundial e responsável pela arbitragem.
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Collina tem todos os árbitros mapeados por seus pares da comissão. O trabalho é minucioso e delicado. Os escolhidos são acompanhados em todas as rodadas. A Fifa não tolera decisão de jogos (resultados) com erros de arbitragem. Uma de suas bandeiras é o jogo justo.
O VAR nasceu para tornar o futebol mais justo, segundo a Fifa. Se funciona ou não, é outra história.
O que a Fifa leva em conta?
A Fifa leva em conta aspectos como desempenho nas partidas, regularidade, poder de tomar decisão sob pressão, comportamento, leitura de jogo, experiência internacional, conhecimento das regras, condicionamento físico, avaliação clínica e maneira de conduzir a partida nos 90 minutos. São critérios objetivos.
E há um monitoramento constante da comissão sobre os possíveis escolhidos durante o ciclo de Copa. Inclusive, existe um escritório da Fifa no Brasil, sediado no Rio de Janeiro.
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A Fifa acompanha jogos nacionais e internacionais. A entidade faz também seminários técnicos com alguma frequência. Todos os árbitros convocados para o Mundial de 2026 receberão orientações de Collina e dos líderes da arbitragem da Fifa, de modo a tentar deixar o trabalho e a maneira de apitar na competição o mais padronizada possível.
Os árbitros passarão por detalhados exames físicos, clínicos e mentais antes da Copa. Os reprovados serão cortados e substituídos. Por fim, a Fifa sempre dá preferência para quem já apitou Copas anteriores ou foi escalado em competições continentais, como a Libertadores da América. Tudo isso tem um único motivo: não validar gol irregular.
Gol de mão de Maradona
Talvez o maior gol irregular em Copas do Mundo tenha sido o de Diego Maradona no Mundial de 1986, contra a Inglaterra, nas quartas de final. Maradona usou a mão esquerda para marcar o gol de "cabeça", o primeiro da vitória por 2 a 1 no Estádio Azteca.
O gol aconteceu aos 6 minutos do segundo tempo. Maradona fez outro gol genial naquela partida. O árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não viu a malandragem do argentino e o gol entrou para a história como "La mano de Dios".
Se esse gol irregular não foi o mais contestado das Copas, certamente foi o mais famoso de sua história.
Árbitros brasileiros em todas as Copas
1930 - Paraíba Gilberto de Almeida Rego
1934 - Não houve arbitragem brasileira
1938 - Não houve arbitragem brasileira
1950 - Pará Alberto da Gama Malcher, Mário Gardelli e Mário Vianna
1954 - Mário Vianna
1958 - Não houve arbitragem brasileira
1962 - Hungria João Etzel Filho
1966 - Armando Marques
1970 - Ceará Airton Vieira de Moraes
1974 - Armando Marques
1978 - Arnaldo Cezar Coelho
1982 - Arnaldo Cezar Coelho
1986 - Romualdo Arppi Filho
1990 - José Roberto Wright
1994 - Renato Marsiglia
1998 - Márcio Rezende de Freitas
2002 - Carlos Eugênio Simon
2006 - Carlos Eugênio Simon
2010 - Carlos Eugênio Simon
2014 - Sandro Meira Ricci
2018 - Sandro Meira Ricci
2022 - Raphael Claus e Wilton Pereira Sampaio
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