Dunga aponta caminhos para Ancelotti levar a seleção ao hexa: 'Ter coragem'
Divulgação / Conembol
Nova York - O VIVA conversou com o capitão do Brasil na conquista do tetra, em 1994, e treinador da seleção na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Dunga tem experiência de sobra para apontar caminhos para a seleção brasileira nos Estados Unidos. Ele já esteve em cenários diferentes de um Mundial e pode ajudar. Dunga tem 62 anos. Em 1990, na Itália, o jogador foi apontado injustamente como responsável pela eliminação do Brasil diante da Argentina, de Maradona, nas oitavas de final.
O fracasso brasileiro foi chamado de 'era Dunga'. Ele foi apontado o "vilão" daquela campanha. O time era comandado pelo técnico Sebastião Lazaroni e tinha no elenco jogadores como Taffarel, Jorginho, Branco, Mazinho, Muller, Romário, Bebeto, Renato Gaúcho... Não deu certo.
Leia também
Quatro anos depois, nos Estados Unidos, Dunga estava lá novamente, mas como capitão e líder da seleção brasileira. Ele teve ao seu lado o volante Mauro Silva. O jogador comandou em campo a equipe nacional que quebrou a sequência de 24 anos sem ganhar uma Copa. Dunga ergueu o troféu ao lado de quase os mesmos jogadores de 1990.
Em 2010, já como técnico do Brasil, a seleção de Dunga fracassou diante da Holanda, com derrota por 2 a 1 nas quartas de final. Mais uma vez, o Brasil voltou mais cedo para casa. Naquele jogo, em Port Elizabeth, na África do Sul, o Brasil fez o primeiro gol, mas permitiu a virada depois da expulsão de Felipe Melo, atualmente comentarista da TV Globo.
Dunga perdeu, ganhou e perdeu de novo
Portanto, Dunga sabe o que é uma Copa do Mundo. Ele viveu a competição em cenários diferentes. Sentiu o dissabor das derrotas, mas também o gostinho doce da conquista. Ele está nos Estados Unidos e acompanhou o primeiro jogo do time de Carlo Ancelotti na competição, sábado, no empate por 1 a 1 com o Marrocos.
O treinador reconhece que há, na teoria, algumas seleções na frente do Brasil, mas não descarta o sucesso da equipe. Ele até ensina o caminho para o italiano Ancelotti.
Tem de ter coragem, trabalho e jogar futebol. Tem um adversário que também trabalhou. Contra a Itália (em 1994), nós ganhamos, mas tem de se impor nas partidas."
O treinador sabe que o Brasil ficou para trás em relação a algumas outras seleções da Copa. Ele admitiu isso ao VIVA, mas também comentou que a seleção tem jogadores capazes de mudar essa história. A própria geração de Dunga em 1990 decidiu o Mundial para o país quatro anos mais tarde.
Se a gente colocar, na teoria, os últimos resultados, é lógico que há algumas seleções na frente do Brasil. Mas se a gente colocar em termos de jogadores convocados, a gente não fica tão atrás.
Dunga nunca deixou de acreditar. Ele também aponta dois detalhes importantes para que o torcedor entenda o que é disputar uma Copa do Mundo. Diz que a Copa começa do zero para todas as seleções depois das eliminatórias. Isso quer dizer que os "perrengues" ficaram para trás para os times credenciados. Para o treinador, o Mundial deixa todos novamente no ponto de partida e quem conseguir jogar melhor vai sair na frente.
Se os nossos jogadores tiverem atitude, coragem e personalidade, o Brasil volta a ser Brasil."
O Brasil jogou mal contra Marrocos, mas não perdeu. O empate por 1 a 1, apesar da vitória da Escócia contra o Haiti na chave, deixou o time de Ancelotti em alerta. Dunga sabe disso, assim como em uma Copa do Mundo não há margem para erros.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.