Endrick confia em Ancelotti, quer jogar e aproveitar a experiência de Neymar
CBF
Nova York - Endrick ainda é colega de banco de Neymar. Mas por enquanto. É uma troca de bastão natural na seleção brasileira. A lesão de Lucas Paquetá abriu uma vaga no time titular do Brasil e também uma possibilidade real para Carlo Ancelotti mexer na estrutura da seleção contra a Noruega. Os rivais jogam no domingo pelas oitavas de final. Uma das alternativas estudadas é colocar o garoto do Real Madrid entre os zagueiros rivais, como referência de área, quase espelhando o que Haaland representa do outro lado.
Nesse desenho, Matheus Cunha recuaria alguns metros e passaria a fazer a movimentação entre o meio-campo e o ataque. Não seria novidade para ele. Cunha já cumpriu essa função em alguns momentos da Copa, participou de jogadas decisivas e marcou gols. Hoje, parece mais pronto para ocupar o espaço deixado por Paquetá do que outras opções do elenco.
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A entrada de Endrick mudaria o jeito de o Brasil atacar. Com ele na área, a defesa norueguesa teria uma preocupação fixa. Ancelotti gosta dessa ideia. A seleção ganharia força física, presença entre os zagueiros na área e mais poder para atacar cruzamentos e bolas quebradas. Contra uma equipe como a Noruega, forte no contato e acostumada ao jogo físico, isso pode fazer diferença.
Martinelli e Danilo Santos estão no páreo
Martinelli também está no páreo, mais pelo seu histórico na temporada do que pelo gol contra o Japão. O atacante foi muito bem pelo lado esquerdo diante dos japoneses e marcou o gol salvador da virada. Mas começar uma partida é diferente de entrar com o jogo aberto, rival cansado e espaços maiores. Se for titular, suas obrigações serão outras. Ele teria de recompor mais, dar sustentação ao lado de Vini Jr. e ajudar a manter o equilíbrio que Paquetá oferecia.
Danilo Santos é o pedido da vez de parte da torcida brasileira e da mídia que cobre a Copa, ainda que em tom mais baixo do que aconteceu com Endrick e com o próprio Neymar em outros momentos da disputa. Seria a escolha mais conservadora, de maior proteção ao meio-campo e direta. Com Danilo, o Ancelotti não mexe no ataque, com Vini, Cunha e Rayan. Neymar corre por fora. Ancelotti disse que o camisa 10 está bem, mas não parece propenso a escalá-lo desde o início, justamente quando a Noruega estará inteira fisicamente e o calor de Nova Jersey ainda pesará menos.
No banco, Endrick tem aproveitado a convivência com Neymar. O atacante contou que costuma se sentar ao lado do camisa 10 para absorver um pouco da experiência dos jogadores mais velhos do elenco.
Tenho uma relação muito boa com o Ney. A gente pode ficar brincando depois dos treinos e jogando cartas. Numa folga, pude estar com ele. É muito importante conversar com essas pessoas que são os capitães da seleção. Não só o Ney, mas Marquinhos, Casão (Casemiro), Alisson... Estar com esses jogadores por perto e pegar experiência com eles é uma coisa maravilhosa.”
O garoto espera ser escalado, mas sabe que Ancelotti pensa primeiro no Brasil. O treinador não vai montar o time para agradar este ou aquele jogador. “Ele não fará o melhor para mim ou para o Igor Thiago e Matheus Cunha”, afirmou Endrick. A frase mostra entendimento do momento. Em Copa do Mundo, a hierarquia é simples: joga quem melhor serve ao plano.
Endrick: força física para encarar os 'vikings'
Endrick está pronto para ser usado. Sua força física, sua presença de área e sua trajetória recente no Lyon e no início no Real Madrid são conhecidas pelos rivais. A Noruega sabe que ele não é apenas um menino promissor. É um atacante capaz de incomodar zagueiros, prender marcação e transformar uma bola viva em gol. Sua força física contra os "vikings" pode ajudar.
Desde o início da Copa, Ancelotti procura a melhor formação para o Brasil. Encontrou um bom caminho contra a Escócia, com Rayan no lugar de Raphinha, machucado, e Danilo na lateral no lugar de Ibañez. Também abriu mão de um camisa 9 fixo depois de testar Igor Thiago e não gostar da resposta. Agora, com a contusão de Paquetá, ganha nova chance de ajustar a equipe.
A ausência de Paquetá é um problema, mas também pode virar oportunidade. Todas as mudanças importantes feitas por Ancelotti até aqui melhoraram a seleção. A entrada de Endrick, com Matheus Cunha mais recuado, seria a mexida mais ousada. Talvez também a mais interessante. Contra a Noruega de Haaland, o Brasil pode responder com seu próprio homem de área — jovem, forte e pronto para deixar de ser apenas colega de banco de Neymar.
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