Neymar vai? Ancelotti anuncia hoje seleção em sua difícil missão para a Copa
Reprodução/CBF/Rafael Ribeiro
São Paulo - Nesta segunda-feira, dia 18, o técnico Carlo Ancelotti faz a sua convocação final dos 26 jogadores que estarão na Copa do Mundo dos Estados Unidos, Canadá e México. O evento está marcado para o Museu do Amanhã, no Rio, a partir das 17h.
A lista dos convocados é guardada a sete chaves na sede da CBF. Todos os presidentes da entidade juram de pés juntos que nunca deram palpites na relação dos treinadores.
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Nem o "capo" maior João Havelange, que também comandou a Fifa durante 24 anos. Samir Xaud, atual presidente da CBF, disse em abril que fica sabendo os nomes dos relacionados dez minutos antes de eles serem divulgados. E que jamais se meteu nas escolhas de Ancelotti. Aliás, Carleto renovou o seu contrato com a CBF até julho de 2030.
Um jogador para chamar de seu
Esperar a lista de convocados da seleção brasileira para uma Copa do Mundo sempre mexeu com os sentimentos do torcedor. Por anos, a expectativa foi de ter no "escrete nacional", era assim que a seleção era chamada lá atrás, um jogador do seu time.
Um atleta que se destacasse no futebol brasileiro e usasse a camisa de Palmeiras, Corinthians, Santos, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo... Já houve muitos, como Zico, Sócrates, Oscar, Marcos, Pelé e tantos outros.
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Eles eram maioria nas convocações, diferentemente das listas atuais, em que boa parte vem dos clubes europeus. No passado, dava um certo orgulho ter na competição da Fifa um atleta de equipes do Brasil.
Quem acompanhou a seleção de 1958 até 1970 sempre teve a certeza de que o Santos teria ao menos um jogador chamado: Pelé, que disputou a sua primeira Copa do Mundo com 17 anos de idade, na Suécia, em 1958. Ele chegou ao clube praiano dois anos antes, em 1956, então com 15 anos.
Pelé ainda poderia ter jogado o Mundial de 1974, mas ele manteve a sua palavra de encerrar sua passagem pela seleção com o tri de 70. Ele fez uma gloriosa história no futebol mundial. Muitos apontam aquela seleção de 1970 que ganhou a Copa no México como a melhor de todos os tempos. Ela tinha, além de Pelé, jogadores como Rivellino, Tostão e Jairzinho.
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O que fazer com Neymar?
O fato é que a relação apresentada aos brasileiros nesta segunda-feira não é unanimidade. E jamais será porque no Brasil há 215 milhões de "treinadores". Serão 26 atletas escolhidos. A lista terá, em princípio, três goleiros, nove defensores, seis meio-campistas e oito atacantes. Os grupos dos meias e dos atacantes podem mudar de tamanho.
A única manifestação popular sobre a lista diz respeito ao atacante Neymar. Ele será ou não chamado por Ancelotti? Se for, estará em sua quarta Copa do Mundo. Se não for, dará adeus à seleção aos 34 anos. Na última semana, o atacante ganhou força nos corredores da CBF. Portanto, não será surpresa se Neymar for chamado.
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A convocação final começou fria, mas esquentou com a sua proximidade. No futebol brasileiro, chamar ou não chamar Neymar virou conversa em todas as rodas sobre futebol. Antigamente, os torcedores tomavam seus lugares diante dos televisores espalhados pelas lojas nas ruas do centro das capitais, como São Paulo, para ver e ouvir os relacionados. Todo mundo parava tudo para acompanhar a lista.
Era um acontecimento. Ninguém nas ruas se conhecia, mas todos tinham a seleção como ponto comum e uma grande paixão. Cada nome apresentado despertava um frisson nos torcedores como se eles estivessem na arquibancada de um estádio. Se tivesse perna de pau na relação, as vaias e discussões começavam ali mesmo diante da tevê.
Os craques e nomes "certos" eram ovacionados como se fosse um gol, numa mistura de alívio e renovação de fé. Fé na seleção. Para os brasileiros, a Copa do Mundo sempre começou pelas listas dos atletas convocados, essa que Ancelotti tem a missão de apresentar nesta segunda-feira.
Brasil ficará nos EUA
Quando desembarcou no Brasil dez meses atrás para tirar a seleção do buraco, o treinador italiano já sabia que o seu maior problema não era escolher os 26 atletas. Mas era abrir mão e deixar fora do Mundial outros trinta bons jogadores.
O Brasil ficará nos Estados Unidos durante a competição, em New Jersey. O listão de nomes do Ancelotti sempre teve 55 atletas. Neymar sempre esteve nele.
A decisão será 100% profissional. Vou levar em conta apenas o desempenho dele (Neymar) como jogador", disse, na ocasião.
A verdade é que nunca foi uma tarefa fácil para o técnico da seleção escolher o grupo para uma Copa. Felipão, em 2002, não quis levar Romário. Ele preferiu chamar Rivaldo e Ronaldo, machucados. Dunga, em 2010, também não levou Neymar nem Ganso. Eles estavam prontos.
Telê Santana cortou Renato Gaúcho em 1986 e também não chamou Reinaldo no Mundial de 1982. Há outros exemplos que dividiram a opinião dos torcedores brasileiros ao longo das competições. Mas se não tiver isso, não é Copa do Mundo.
Em definições passadas, como as de Tite, por vezes o técnico já era xingado ali mesmo quando deixava de chamar um atleta de carisma ou outro que o torcedor desejava. Sentenças eram proferidas com certezas absolutas diante da relação apresentada: “esse time não vai dar em nada” ou “essa seleção volta mais cedo para casa”.
Torcedor aprova Ancelotti
As escolhas de Ancelotti vão ecoar pelo Brasil e pelo mundo. A seleção ainda é a única pentacampeã. Há três tipos de torcedores em Copas: os apaixonados, os que torcem contra e os indiferentes. O técnico italiano fez um bom trabalho sem mexer muito nos ovos de sua cesta. A chegada de Carlos Ancelotti, no entanto, foi o que de melhor aconteceu na seleção brasileira nos últimos anos, de modo a trazer para o Brasil a esperança que faltava, com ou sem Neymar. A fé no Brasil foi renovada.
O treinador chegou tarde, é bem verdade, e correu contra o tempo para formar um time e uma maneira de atuar. A seleção, diga-se, não está pronta para a Copa do Mundo. Mas encontrou um caminho e renovou a confiança do torcedor. Para os brasileiros, a Copa começa nesta segunda.
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