Dia de combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes
Divulgação /Instituto libertas
São Paulo - O Brasil chega a mais um Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, neste 18 de maio, com dados alarmantes.
De acordo com levantamento do Mapa Nacional da Violência de Gênero, as crianças e os adolescentes são o segundo maior grupo etário vítima de violência sexual no Brasil, depois de jovens dos 18 aos 29 anos. No primeiro semestre de 2025, dos 187 estupros registrados em média por dia no País, 47 teriam sido cometidos contra vítimas de zero a 17 anos de idade e 58 contra vítimas de 18 a 29 anos.
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Além disso, independente da idade da vítima, 85% dos casos acontecem contra mulheres e quatro em cada dez dentro da própria residência da pessoa que é violentada.
A antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra Mulheres no Instituto Natura, Beatriz Accioly, comenta que muitas vítimas não conseguem nomear a violência, não têm segurança para falar ou convivem com o próprio agressor. Por isso, ela defende a existência de uma política pública eficiente.
"A política pública precisa estar na escola, na saúde, na assistência social, na segurança pública e na justiça, com profissionais preparados para reconhecer sinais, acolher sem revitimizar e acionar uma rede que funcione de verdade."
E completa:
Proteger crianças e adolescentes exige orçamento, coordenação e capacidade institucional de agir antes que a violência aconteça ou se repita”.
Projetos de conscientização
A ideia de fazer diferente, de construir algo relevante, motivou organizações e profissionais com o propósito de criar uma ferramenta na luta contra a violência que atinge mulheres e crianças, o Mapa Nacional da Violência de Gênero.
Realizado por meio da cooperação entre Estado, sociedade civil e imprensa, o projeto é fruto da parceria entre o Senado Federal (representado pelo Observatório da Mulher e DataSenado), o Instituto Natura e a Gênero e Número, que reuniram seus projetos em uma plataforma pública e interativa dedicada à transparência dos principais dados sobre a violência de gênero no Brasil.
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O Instituto Liberta está lançando no metrô de São Paulo a campanha "Conversas que protegem". A inicitiva que se estende até o dia 29 de maio, terá mensagens nos vagões da Linha 3–Vermelha direcionando alertas de enfrentamento à violência sexual infantojuvenil.
A iniciativa também irá contar com projeções em totens e telões montados nas estações das linhas 1-Azul, 2-Verde e 4-Amarela.
Haverá distribuição de 20 mil exemplares do Guia Saber Liberta nas estações da Luz e República. Gratuito e em linguagem acessível, o material oferece a familiares e cuidadores ferramentas e conhecimentos para conversar com as crianças de acordo com sua faixa etária e educá-las sobre temas ligados ao corpo, sentimentos, toques, pessoas de confiança e segurança na internet.
Para Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, estudos internacionais mostram que conversar com crianças sobre estes temas é muito positivo.
Há estudos internacionais mostrando que conversar com crianças sobre corpo, toques seguros e pessoas de confiança funciona. Crianças que passam por programas de prevenção desenvolvem habilidades reais de autoproteção e, principalmente, têm muito mais chance de revelar um abuso quando ele acontece”.
O dia 18 de Maio
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído no ano de 2000 pela Lei Federal 9.970/00. A data foi escolhida em memória ao "Caso Araceli", que chocou o País em 1973.
Araceli Cabrera Crespo, uma menina de apenas 8 anos, foi sequestrada, drogada, violentada e assassinada em Vitória (ES) por jovens de classe alta. Mais de cinco décadas depois, o crime hediondo segue como o símbolo da urgência em se proteger a infância brasileira.
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