Aeroporto de Congonhas faz 90 anos: modernização e história se cruzam em novo ciclo
Foto: Acervo Flap International
São Paulo - Hoje, o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, completa 90 anos de operação. Inaugurado em 12 de abril de 1936, o terminal nasceu de uma necessidade crítica: as constantes enchentes que inundavam o Campo de Marte, no norte da capital. O local foi escolhido por sua localização elevada e livre de neblina na época.
Inicialmente, o terreno na Vila Congonhas foi visto com ceticismo pela distância do centro, mas logo se tornou o símbolo da modernização. O projeto original foi assinado por Hernani do Val Penteado e Raymond Alberto Jehlen, e é um marco da arquitetura Art Déco, consolidando o aeroporto não apenas como pista de pouso, mas como um monumento cultural da cidade.[
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O aeroporto preserva seu patrimônio histórico e avança com investimentos no presente e no futuro para se consolidar como o aeroporto mais estratégico da malha aérea nacional, com foco em eficiência, pontualidade e conforto aos passageiros. Administrado pela Aena, operadora aeroportuária, desde outubro de 2023, Congonhas equilibra tradição e modernização em um novo ciclo de desenvolvimento.
Localizado no coração da capital paulista, Congonhas é também um vetor econômico: cerca de 10% do PIB nacional é gerado em um raio de 15 km do aeroporto. O terminal movimenta mais de 24,5 milhões de passageiros por ano, mais de 65 mil por dia, opera aproximadamente 540 voos diários para 45 destinos e emprega mais de 8 mil pessoas, direta e indiretamente, além de abrigar atualmente cerca de 100 operações comerciais.
*Fotos: Acervo Flap Internacional
Patrimônio histórico
O aeroporto de Congonhas já foi refúgio da elite paulistana, lugar onde as famílias vestiam as melhores roupas para circular pelo local para pegar seus voos e também para almoçar no Restaurante do Aeroporto, lugar requintado onde as pessoas ficavam no terraço vendo o movimento no terminal.
O saguão central mantém o icônico piso de xadrez em preto e branco que viu a transição das pesadas malas de couro para as de rodinha, e dos bilhetes escritos à mão para as passagens digitais nos celulares.
Mesmo com os investimentos e a alta tecnologia, Congonhas ainda mantém "janelas para o passado" que a Aena busca preservar. Ao caminhar pelo terminal, o passageiro mais atento consegue perceber nos detalhes em mármore e nas linhas geométricas das janelas sinais dos tempos em que o espaço era ocupado apenas pela elite.
A transformação do hangar de madeira da década de 50 em sala de embarque é, talvez, o maior símbolo de nostalgia: o espaço que antes abrigava a manutenção mecânica de aeronaves históricas, agora recebe o viajante, mantendo, assim marcas de quem ajudou a construir a história de São Paulo.
Congonha também abriga um acervo artístico de grande valor histórico e cultural. A Aena já realizou o restauro do Pavilhão de Autoridades, incluindo áreas estruturais e mobiliário. Em breve, também deverá ser iniciado o restauro de importantes obras, como o mural “Os Trabalhadores”, de Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano, que ocupa 3,5 metros de altura por 16 metros de comprimento no Pavilhão de Autoridades.
O espaço também conta com oito espelhos decorados pelo arquiteto francês Jacques Monet. No saguão central, será feita a recuperação de um painel de madeira do mesmo artista, que apresenta um mapa do Brasil que celebra a riqueza da fauna e flora nacionais. Esses são apenas alguns do acervo do aeroporto.
Além disso, o hangar tombado vai ganhar vida e poderá ser visitado por todos os passageiros. Utilizado até então como centro de manutenção de aeronaves, com acesso restrito, depois de restaurado, o local irá abrigar a nova sala de embarque remoto. Com estrutura de madeira tri articulada da década de 1950, o hangar é um exemplar único de uma técnica construtiva rara em São Paulo, um marco técnico e histórico preservado no aeroporto.
Investimentos
A Aena está investindo mais de R$ 2 bilhões na modernização de Congonhas, com a construção de um novo terminal de passageiros até 2028, mais que dobrando a área atual, de 45 mil m² para 105 mil m². As melhorias já em andamento incluem ampliação da área de inspeção de segurança, modernização de banheiros, novas salas VIP, melhorias no sistema viário e intervenções para aumentar a fluidez e o conforto dos passageiros.
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“O Aeroporto de Congonhas tem uma relevância única para São Paulo e para o Brasil. Os investimentos que estamos realizando vão elevar significativamente a experiência dos passageiros e a eficiência operacional, preparando o terminal para as próximas décadas”, destaca Kleber Meira, diretor-executivo do Aeroporto de Congonhas.
Novidades a caminho
De acordo com o executivo, os passageiros contarão com espaços ampliados, conforto e novas ofertas comerciais, em mais de 20 mil m² destinados a lojas e restaurantes, capazes de elevar a experiência dos viajantes ao padrão que a cidade de São Paulo merece. Além disso, 19 novas pontes de embarque, o aumento de 30 para 37 posições de estacionamento e a melhor circulação das aeronaves, com 215 mil m² de pátio de manobra, vão proporcionar maior acessibilidade, pontualidade e comodidade no acesso às aeronaves.
Com a expansão do terminal, Congonhas também passará por uma profunda transformação em sua estratégia comercial. A área bruta locável (ABL) será ampliada de cerca de 10 mil m² para mais de 20 mil m², com lojas maiores e um novo conceito de curadoria de negócios. Nas próximas semanas, a Aena abrirá a concorrência para ocupação dos espaços comerciais do futuro terminal.
Segundo o diretor comercial da Aena Brasil, Juan José Sánchez, o novo modelo prioriza a experiência do cliente e a diversificação da oferta.
A gastronomia terá papel central, com conceitos que vão além da praça de alimentação, incluindo restaurantes sofisticados, fast casual, cafeterias flagship, bares premium e opções de alimentação saudável.”
O varejo também será reposicionado, com crescimento de 131% na área destinada a lojas. O mix incluirá desde marcas de alto luxo e luxo acessível até operações de conveniência, livrarias, vestuário e cosméticos. A proposta é transformar Congonhas em um polo de consumo comparável a grandes centros comerciais urbanos e de aeroportos internacionais.
“Combinando tradição, inovação, cultura e eficiência, o Aeroporto de Congonhas chega aos 90 anos preparado para um novo ciclo de crescimento. A modernização em curso preserva sua história e também reposiciona o terminal como referência em qualidade de serviços, experiência do passageiro e integração com a dinâmica econômica de São Paulo e do Brasil”, conclui Sánchez.
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