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Operação mira lavagem de dinheiro do PCC em fintechs de R$ 26 bilhões

Reprodução/Receita Federal

O objetivo da nova operação é avançar na asfixia financeira e no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis - Reprodução/Receita Federal
O objetivo da nova operação é avançar na asfixia financeira e no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis
Por Emanuele Almeida

28/05/2026 | 08h57

São Paulo - Nesta quinta-fera, 28, a Receita Federal junto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), através do Gripo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a segunda fase da Operação Carbono oculto, que identificou o uso de mais seis fintechs, fundos de investimento e empresas de fechada para movimentar recursos ilícitos. 

A operação chamada "Fluxo Oculto" também apurou o desvio de nafta petroquímica, produto utilizado no setor químico e petroquímico que estaria sendo encaminhado de forma ilegal para postos e distribuidores de combustíveis.

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A operação continuou o trabalho da primeira fase que desvendou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro e obtenção de lucros na cadeia produtiva de combustíveis através da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).  

infográfico operação fluxo oculto
Para o cumprimento das diligências, a operação mobilizou cerca de 135 auditores-fiscais, analistas-tributários e servidores da Receita Federal. Reprodução/Receita Federal

A ação também contou com o apoio da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as Polícias Militar e Civil. 

No momento, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em pessoas físicas e jurídicas de cinco estados:

  • São Paulo (capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim),
  • Paraná (Cascavel e Paranavaí);
  • Mato Grosso do Sul (Iguatemi);
  • Minas Gerais (Belo Horizonte);
  • Rio de Janeiro (capital).

Fintechs, dinheiro vivo e cripto

Como um dos desdobramentos mais recentes da investigação, as autoridades descobriram a participação de seis novas fintechs que atuavam como o núcleo financeiro da organização criminosa. 

Essas instituições movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 para realizar compensações financeiras. Apenas uma dessas instituições de pagamento recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre 2022 e 2024, e também foram rastreados pelo menos R$ 365 milhões negociados em criptoativos com empresas já investigadas por lavagem de dinheiro. 

O uso dessas estruturas pela organização criminosa era possível, historicamente, devido à ausência de um compliance rigoroso nas plataformas financeiras. O grupo explorava essa fragilidade para criar "contas bolsão", que centralizavam e depois dispersavam os recursos ilícitos, criando uma dupla camada de ocultação e dificultando o rastreio dos verdadeiros beneficiários. 

Além disso, até 2025, as instituições de pagamento não eram obrigadas a enviar a declaração e-Financeira à Receita Federal, mantendo os órgãos de controle às cegas sobre essas movimentações.

Após a obrigatoriedade ser implementada em consequência da primeira fase da Operação Carbono Oculto, três das seis fintechs investigadas declararam ter movimentado cerca de R$ 8 bilhões apenas de janeiro a dezembro de 2025. As outras três instituições que não entregaram a declaração serão autuadas pela Receita Federal.

Nafta e o uso de fundos de investimento

A nova fase da investigação também aprofundou as apurações sobre os ganhos astronômicos obtidos com a adulteração de combustíveis. Aproveitando-se das vantagens tributárias, empresas de fachada simulavam a compra de nafta para fins industriais ou petroquímicos.

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No entanto, o produto era desviado para terminais de armazenamento e misturado a combustíveis automotivos, que depois eram distribuídos para postos revendedores controlados pela organização. Estima-se que apenas a fraude com a nafta tenha gerado um prejuízo de cerca de R$ 200 milhões aos cofres públicos por sonegação em apenas dois anos.

Para mascarar o dinheiro vindo dos lucros com as fraudes, a organização remetia os recursos a fundos de investimento para esconder os seus reais beneficiários. A operação revelou o envolvimento de quatro fundos, administrados e geridos por duas administradoras e duas gestoras sob investigação.

Juntos, esses quatro fundos acumularam um patrimônio estimado em R$ 205 milhões, registrando um crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano. O objetivo central das autoridades nesta fase é sufocar as finanças do grupo e desmantelar permanentemente a fraude.

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