Aos 97 anos, pianista segue ativa e atribui longevidade à música e leitura
Maria Aparecida Figueiredo Alfaro começou a tocar na juventude e vem de uma família de músicos; vídeos viralizaram no Brasil e no exterior
Arquivo pessoal
Maria Aparecida Figueiredo Alfaro, uma pianista de 97 anos, continua a tocar e compartilhar sua paixão pela música em Presidente Prudente, São Paulo, onde seus vídeos nas redes sociais têm alcançado uma audiência global, refletindo a importância da música em sua vida familiar.
Crescendo em uma família de músicos, Maria Aparecida teve uma educação musical rica, com influências de renomados professores, e se destacou por tocar diversos estilos, além de contextualizar as obras que interpreta, como a 'Polonaise' de Chopin.
Após uma recuperação difícil de uma cirurgia, sua filha começou a gravar e publicar vídeos dela tocando piano, o que resultou em uma viralização inesperada, surpreendendo a família e atraindo comentários de pessoas de vários países, enquanto Maria Aparecida continua a manter hábitos saudáveis e uma vida ativa aos 97 anos.
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São Paulo - As notas de Chopin e Beethoven ainda ecoam pela casa da pianista Maria Aparecida Figueiredo Alfaro, de 97 anos, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Hoje, ela segue cultivando uma paixão que começou na juventude, em uma família de músicos.
Foi esse amor pela música que também fez seus vídeos, publicados pela filha, Matilde Alfaro, repercutirem nas redes sociais e alcançarem pessoas no Brasil e no exterior. Ela conta que o piano que aparece nas gravações tem um significado especial para a família: Maria Aparecida ganhou o instrumento como presente de casamento.
“Ela toca a vida inteira. Nós crescemos com música diariamente. A música fez parte da nossa vida, da nossa rotina familiar”, conta a filha.
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A história de Maria Aparecida com a música começou em Mococa, no interior paulista, onde ela cresceu em uma família dedicada ao instrumento. Entre os irmãos, três mulheres e cinco homens tocavam música.
Uma das irmãs chegou a trabalhar como professora de piano e era conhecida na cidade. Maria Aparecida também teve aulas com professores que eram referências musicais na região, entre eles Emerique e Eudóxia de Barros.
“Minha mãe toca o tempo todo. Ela toca desde sempre. Eu, na barriga, já ouvia música”, afirma Matilde. Ao longo dos anos, Maria Aparecida se dedicou a diferentes estilos. Tocava música clássica, chorinho, tango e músicas populares.
Ela também conhece as histórias por trás das obras. Matilde conta que a mãe costuma explicar o contexto histórico das músicas que toca. Um dos exemplos é a “Polonaise”, de Chopin, obra que Maria Aparecida relaciona ao contexto político e militar da Polônia no século 19.
Pianista não entende por que viralizou
Matilde relata que a chegada de Maria Aparecida às redes sociais aconteceu de maneira inesperada. Antes disso, ela passou por um período difícil depois de sofrer uma queda, fraturar o fêmur e precisar passar por cirurgia e fisioterapia.
Durante a recuperação, ficou um período acamada e, segundo a filha, acabou desanimada. Foi nesse momento que Matilde começou a mostrar vídeos da internet para a mãe.
A ideia era apresentar conteúdos diferentes e ajudá-la a sair da rotina de recuperação. Aos poucos, Maria Aparecida passou a se interessar pelo celular e pelas redes sociais.
Foi então que Matilde decidiu publicar vídeos da mãe tocando piano. Os registros foram feitos como uma forma de homenagem e de preservação da história da mãe.
“Eu pensei: ‘Eu vou publicar os vídeos. A mamãe está entre nós, mas ela está deixando lembrança, está deixando marcas pela vida. E é bom a gente registrar isso’”, relata.
Os vídeos receberam comentários de pessoas de diferentes partes do Brasil e também de outros países, como França, Espanha e Inglaterra. “Eu não esperava que tivesse essa repercussão de jeito nenhum. Foi assustador”, diz Matilde.
Apesar de ter viralizado, Maria Aparecida ainda não entende completamente por que os vídeos chamaram tanta atenção. “Ela fala: ‘Meu Deus, mas é uma coisa tão natural para mim, por que tanto?’. Para ela é muito natural isso”, conta a filha.
Hábitos para a longevidade
Além do piano, Maria Aparecida mantém outros hábitos que, segundo a família, continuam presentes aos 97 anos. Matilde conta que a mãe sempre foi uma leitora assídua e uma pessoa interessada em acompanhar diferentes assuntos.
Recentemente, Maria Aparecida teria declamado para uma neta uma poesia extensa, sem consultar o texto. “Ela sempre leu muito. Sempre foi uma mulher muito culta, muito informada, muito atenta”, afirma Matilde.
A família também destaca a religiosidade como parte importante da rotina da pianista. “Ela tem um Deus muito pessoal, que carrega no coração. Está orando pela família toda. É uma mulher interessante, de oração”.
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