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Campeã de pole dance 60+ desmistifica esporte: "dói para caramba"

Divulgação / Polechampionship.net

Sandra Velloso, campeã panamericana de pole dance aos 61 anos, é movida por desafios - Divulgação / Polechampionship.net
Sandra Velloso, campeã panamericana de pole dance aos 61 anos, é movida por desafios

Por Luisa Girado, especial para o VIVA

redacao@viva.com.br
02/01/2026 | 14h38

São Paulo, 02/01/2026 - Sandra Paixão Velloso, 67 anos, sempre foi uma mulher ativa. Há cerca de uma década, a carioca trocou as lesões das maratonas pela barra vertical do pole dance. O que começou como uma busca por uma atividade desafiadora transformou-se em uma carreira competitiva inesperada: aos 61, ela alçou o título de campeã panamericana.

Sandra Velloso foi campeã panamericana de pole dance aos 61 anos
Sandra Velloso foi campeã panamericana de pole dance aos 61 anos - Divulgação / Polechampionship.net

Em pouco tempo, a dançarina trocou o status de aluna pelo de competidora. A busca incessante por movimento e metas é o que define a longevidade, e não a idade, pontua ela.

“O envelhecer está em parar de sonhar. Acordar de manhã sem um propósito envelhece, independentemente da idade. O corpo é energia: quando estagnado tem poder de estagnar a vida”, reflete.

Atividade física e mental

O pole dance é constantemente visto como um esporte que eleva a autoestima. Porém a atleta Sandra Paixão Velloso alerta que o caminho é desafiador para mulheres maduras, além de exigir um forte trabalho mental. Em um ambiente dominado por jovens, muitas vezes ex-atletas de ginástica olímpica ou balé, a comparação é inevitável, reconhece. 

“O pole dance dá autoestima quando não desistimos dele. O corpo maduro precisa de tempo e dedicação para conseguir se segurar em uma barra de quatro metros ou fazer uma invertida, mas a sensação de realizar o impossível alimenta a motivação diária”, reflete a dançarina.

A atleta defende que “o pole dance é arte e exige treino extremo” e desconstrói a ideia de que a prática é apenas para agradar os homens.

O recado é claro às pessoas que associam a dança ao entretenimento masculino:

Nenhum homem merece. A gente vai se ralar, se machucar e sofrer. Dói para caramba!"

Sandra garante que, ao subir quatro metros em uma barra com um salto de 20cm, é difícil não se sentir "a mulher mais linda do mundo."

Por outro lado, a atleta enfatiza que a atividade física vai além da estética: afeta positivamente a saúde e a longevidade. Exercícios que exigem coordenação, como pole dance ou canoagem havaiana, nova prática esportiva explorada por ela, são cruciais para a saúde cerebral.

Pódio com a brasileira campeã de pole dace
Pódio do campeonato Pole Championship, em Buenos Aires - Divulgação / Polechampionship.net

Além de atleta, Sandra é coach e mentora de mulheres maduras. Essa mentalidade de alta performance foi crucial para o sucesso nas competições, diz ela.

A virada da pole dancer no esporte veio após o primeiro campeonato 50+, em 2019, quando perdeu a vitória por apenas 0,2 milésimos. Na competição seguinte, o pan-americano, ela não deixou nada ao acaso: conquistou o primeiro lugar.

Isso aconteceu no dia do seu aniversário de 61 anos como um lembrete que a idade não é fator determinante para o sucesso.

Sandra competia nas modalidades de pole sport, mais técnica, e pole exotic, que é mais performática.

A comunidade de pole dancers é composta majoritariamente por mulheres, um ambiente que ela considera "família", onde atletas de todas as idades, gêneros e corpos se apoiam em festivais e competições.

A profissionalização e reconhecimento da modalidade esportiva é liderada no Brasil pela Federação Brasileira de Pole Dance (Fbpole), fundada em 2009. 

Após se aposentar como analista de empresas, Sandra escolheu o esporte, enfrentando um ambiente dominado por jovens. Mas saiu vencedora. Veja o quadro de medalhas:

  • 2019 - Campeonato brasileiro de Polesport - IPSF amador, 50+ vice campeã
  • 2019 - Campeonato  Panamericano Pole championship - Buenos Aires, profissional 50+ campeã
  • 2021 - Vice-campeã  profissional 50+ brasileiro IPSF
  • 2022 - Vice-campeã elite 60+ CBAPS/IPSF, campeã brasileira elite 60+ LIBAPS
  • 2023 - Campeã brasileira elite 60+CBAPS/IPSF, campeã  brasileira elite 60+ LIBAPS, 4°lugar mundial elite 60+ IPSF- Polônia, vice-campeã Europa profissional 50+ Elevate pole championship Europa - Itália

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