Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

No Rio, 2º dia de desfile celebra Rita Lee, candomblé, sambista e escritora

João Salles/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Mocidade Independente de Padro Miguel homenageia a cantora Rita Lee - João Salles/Enquadrar/Estadão Conteúdo
Mocidade Independente de Padro Miguel homenageia a cantora Rita Lee
Por Estadão Conteúdo

17/02/2026 | 08h30

Rio, 17/02/2026 - A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio começou na segunda-feira, 16, com a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola levou para a Marquês de Sapucaí um samba-enredo em homenagem à cantora Rita Lee, morta em 2023.

Na sequência, a Beija-Flor ganhou a avenida. A escola de Nilópolis desfilou ao som do samba-enredo "Bembé", celebrando o candomblé e a ancestralidade.

A terceira a desfilar, Unidos do Viradouro, prestou, já na madrugada da terça-feira, 17, tributo ao sambista Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que completa 70 anos de idade e 55 de seu primeiro desfile.

E, para encerrar, a Unidos da Tijuca levou à avenida uma apresentação dedicada à escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de Despejo" e "Diário de Bitita".

Mocidade relembra a vida e a obra de Rita Lee

Logo no "esquenta", a Mocidade já levantou o público nas arquibancadas da Sapucaí resgatando grandes momentos da história da escola, com sambas que marcaram época.

Com o enredo "Rita Lee, a padroeira da liberdade", a escola seguiu animando o público com o refrão inspirado em Erva Venenosa, um dos maiores sucessos da cantora.

A Verde e Branca fez referência ainda a canções como Ovelha Negra e Amor e Sexo, e levou à avenida aspectos da personalidade da rainha do rock, como a defesa do direito dos animais.

Uma das alegorias, inclusive, homenageou o cão Orelha, que morreu após ser espancado em Florianópolis.

Leia  tambbém: Caso do cão Orelha impulsiona três propostas contra crueldade animal no Senado

Destaque no último carro, o instrumentista Roberto de Carvalho, viúvo da artista, falou da emoção pela homenagem. "Um tsunami de alegria, beleza, luzes, música", sintetizou em entrevista à TV Globo.

Campeã seis vezes do carnaval do Rio, a Mocidade não vence desde 2017, quando dividiu o título com a Portela. Neste ano, a escola desfilou na Sapucaí com 24 alas, sete carros e 3.500 componentes.

Beija-Flor entra na Sapucaí para defender posto de campeã com homenagem ao candomblé

A Beija-Flor entrou na avenida na segunda-feira com o enredo "Bembé", uma homenagem ao maior candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro da Purificação, na Bahia.

A escola optou pela estratégia de juntar os dois sambas finalistas na edição deste ano. Com o refrão "Isso aqui vai virar macumba!", a Beija-Flor buscou consolidar a posição de favorita e manter o posto de campeã conquistado no ano passado.

Uma das novidades da escola foram os cantores Jéssica Martin e Nino do Milênio. Eles assumiram os postos de "puxadores" oficiais no lugar de Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou depois de 50 anos na Azul e Branca. Jéssica Martin é a única puxadora do Grupo Especial do carnaval do Rio.

Com sede em Nilópolis, na Baixada Fluminense, a "Deusa da Passarela" ostenta uma das trajetórias mais vitoriosas do carnaval carioca, acumulando 15 títulos no Grupo Especial - o último com uma homenagem ao mestre Laíla.

No desfile deste ano, a escola levou à avenida 29 alas, seis carros, um tripé e 3.200 componentes.

Leia também: No Rio, 1ª noite de desfiles tem homenagem a Lula, Ney Matogrosso e tradições

Unidos do Viradouro celebra Mestre Ciça

Com o enredo "Pra Cima, Ciça!", a Unidos do Viradouro celebrou a trajetória do mestre Moacyr da Silva Pinto. A agremiação narrou a história do músico desde os tempos na escola Estácio de Sá até a atualidade.

"Gratidão por poder honrar essa figura tão importante do carnaval", disse a atriz Juliana Paes, que voltou ao posto de rainha da bateria após 17 anos.

Tarcísio Zanon assinou o projeto na Sapucaí. Wander Pires interpretou o samba no microfone e o casal Julinho Nascimento e Rute Alves conduziu o pavilhão em um desfile marcado pela emoção.

Como não poderia ser diferente, a bateria brilhou. Do meio até o fim da apresentação, os ritmistas desfilaram sobre um grande carro alegórico, com Ciça à frente, como destaque.

Outro momento emocionante foi a participação do carnavalesco Paulo Barros, que fez história em escolas como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Vila Isabel, como destaque em uma das alegorias.

A Viradouro se apresentou com 23 alas, seis carros, dois tripés e 2.500 componentes.

Unidos da Tijuca homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus

A Unidos da Tijuca encerrou a segunda noite de desfiles na Marquês de Sapucaí. A escola do morro do Borel homenageou a escritora mineira Carolina Maria de Jesus.

No fim dos anos 1950, Carolina vivia na favela do Canindé, em São Paulo, com três filhos, quando foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas. Ela trabalhava como catadora e escrevia todos os dias em seu diário, intercalando os relatos com criações que iam de contos a poemas.

O diário foi lançado em 1960 como "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada", obra belamente retratada no desfile da Azul e Amarela.

A apresentação contou com personalidades, como a escritora Conceição Evaristo e a professora Fernanda Felisberto como destaques.

Em entrevista à TV Globo, Conceição Evaristo afirmou que o desfile mostrava a diversidade da literatura brasileira, com marca social, étnica e um modo diferente de apropriação da língua. "É a democratização da literatura", disse.

A escola desfilou com 24 alas, cinco carros alegóricos, dois tripés e 2.100 integrantes.

Último dia de desfiles

Nesta terça-feira, 17, último dia de desfiles, passarão pela Marquês de Sapucaí as escolas Paraíso do Tuiuti (início às 21h45), Unidos de Vila Isabel (início entre 23h20 e 23h30), Acadêmicos do Grande Rio (início entre 0h55 e 1h15 já da quarta-feira) e Acadêmicos do Salgueiro (início entre 2h30 e 3 horas).

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias