Portabilidade pode reduzir valor de parcelas do crédito consignado; entenda
Envato
São Paulo, 16/02/2026 - Quem contratou um empréstimo consignado e eventualmente precisa de um alívio no orçamento pode recorrer a uma alternativa: a portabilidade do crédito. A opção está disponível tanto para servidores públicos e pensionistas do INSS quanto para trabalhadores do setor privado e permite transferir a dívida de um banco para outra instituição financeira.
A vantagem é que, ao transferir a dívida, quase sempre existe a possibilidade de negociar taxas de juros menores que as do empréstimo original e, com isso, reduzir o valor das parcelas, mas sem a necessidade de contratar um novo consignado, mantendo o desconto direto em folha ou no benefício.
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Isso acontece porque, quando você leva o consignado para outro banco, a nova instituição costuma oferecer juros mais baixos para conquistar o novo cliente. Como os juros são o principal componente do custo do empréstimo, uma taxa menor já reduz automaticamente o valor da parcela, mesmo mantendo o prazo original.
Vantagens
A portabilidade oferece ainda outras possibilidades, como alongar o pagamento do empréstimo e até receber um "troco". Confira a seguir outras vantagens de fazer a portabilidade do empréstimo consignado, além da taxa de juros reduzida.
Portabilidade com troco
A portabilidade com troco é uma oportunidade para você trazer seu empréstimo de outro banco e ainda receber um valor a mais, o famoso "troco". Ao renegociar a dívida com uma taxa de juros menor, o valor total do novo contrato pode ser maior que o saldo devedor atual. A diferença entre os dois valores é depositada na sua conta.
Imagine um aposentado que tem um crédito consignado com saldo devedor de R$ 10 mil e parcelas de R$ 420. Ao buscar a portabilidade, outro banco oferece juros mais baixos e propõe um novo contrato de R$ 13 mil, mantendo o desconto em folha dentro da margem consignável. A dívida antiga é quitada e a diferença de R$ 3 mil — o chamado troco — é depositada diretamente na conta do cliente.
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As parcelas passam a caber no orçamento, enquanto o consumidor ganha um valor extra em dinheiro — a transferência pode ser vantajosa desde que você avalie com cuidado o prazo e o custo total do novo empréstimo. Também é importante ressaltar que nem todo mundo recebe troco. Isso depende do saldo restante do seu empréstimo atual, da taxa negociada e da sua margem consignável.
Redução do saldo devedor
Dependendo da quantidade de parcelas pagas, uma boa parte da dívida já pode ter sido quitada no contrato antigo. Na portabilidade, o novo banco considera o saldo devedor atual, não o valor total do empréstimo. Com juros menores sobre esse saldo, a prestação tende a cair.
Por exemplo, um trabalhador contratou um crédito consignado de R$ 20 mil para pagar em 60 meses. Após dois anos, ele já quitou parte da dívida e o saldo devedor caiu para R$ 12 mil. Ao solicitar a portabilidade, o novo banco passa a considerar apenas esse valor restante — e não o montante originalmente contratado — e oferece uma taxa de juros menor.
Com isso, mesmo mantendo o prazo de pagamento, o valor da parcela mensal diminui, gerando economia imediata no orçamento.
Mais prazo
Em alguns casos, o banco permite estender o prazo de pagamento. Quando o número de parcelas aumenta, o valor mensal diminui — mas é preciso atenção, pois o custo total pode subir.
Considere como exemplo um trabalhador que ainda tem 36 parcelas de um consignado com prestação de R$ 520 para pagar. Na portabilidade, o novo banco permite alongar o prazo para 60 meses. Com mais parcelas para pagar o mesmo saldo devedor, o valor mensal pode cair para R$ 360, aliviando o orçamento no curto prazo.
Em contrapartida, o consumidor passa mais tempo pagando o empréstimo e pode acabar desembolsando um valor total maior ao final do contrato, o que exige atenção na comparação das propostas e uma avaliação sincera da atual situação financeira: mais prazo pode criar um alívio imediato, mas um problema a longo prazo.
Menos encargos
Contratos antigos costumam ter encargos e juros mais altos do que os praticados atualmente. A portabilidade atualiza o empréstimo para condições mais competitivas de mercado.
Essa situação acontece, por exemplo, quando o contrato do crédito consignado foi feito há alguns anos, em um período de juros elevados, que inclui encargos mais caros embutidos no contrato.
Ao fazer a portabilidade para outro banco, a nova instituição oferece um empréstimo com taxas mais baixas e menos encargos, alinhadas às condições atuais do mercado.
Com a substituição do contrato antigo, esses custos deixam de existir e a parcela mensal pode cair, gerando economia ao longo do pagamento da dívida.
Armadilhas da portabilidade
Apesar das vantagens, a portabilidade do consignado também tem pontos de atenção que precisam ser avaliados antes da decisão. As principais são:
Dívida maior
Se a portabilidade vier acompanhada de alongamento do prazo, a parcela mensal pode cair — e isso cria uma falsa sensação de que a dívida diminuiu. Na prática, é o contrário: o valor total pago ao final do contrato pode ser maior.
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"Troco" sem planejamento
Fazer a portabilidade com troco pode ser sedutor, já que receber um valor extra pode aliviar o caixa no curto prazo. Por outro lado, esse tipo de contrato também aumenta a dívida. Sem controle, o "troco" pode comprometer a renda por mais tempo.
Perda de benefícios
Alguns contratos antigos podem ter condições específicas — como prazos menores ou regras diferenciadas — que se perdem na troca para outra instituição.
Assédio e ofertas enganosas
É comum o consumidor ser abordado com promessas de parcelas "muito menores" ou "dinheiro fácil". Em alguns casos, o cliente é enganado e acaba contratando um empréstimo comum, com taxas de juros mais elevadas, em vez de realmente fazer a portabilidade do empréstimo consignado.
Nem sempre compensa
Se a taxa de juros atual já for baixa ou se o saldo devedor for pequeno, a economia obtida com a portabilidade pode ser mínima.
Quando a portabilidade compensa?
Levando em consideração todos esses pontos, a portabilidade do crédito consignado se apresenta como uma alternativa relevante para reduzir o custo das dívidas, especialmente ao permitir a troca de contratos antigos por outros com juros mais baixos e encargos mais competitivos.
No entanto, a decisão exige cautela. A redução da prestação nem sempre significa menor custo total, sobretudo quando há extensão do prazo ou aumento do valor contratado, e pode apenas prolongar o endividamento. Usada com planejamento, no entanto, a ferramenta pode aliviar as finanças.
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