Compostagem em casa: transforme sobras de alimentos em adubo natural e potente
Envato
Por Alessandra Taraborelli
13/01/2026 | 12h57
São Paulo, 13/01/2026 - Você sabia que mais da metade de tudo o que jogamos no lixo em nossas casas é composto por resíduos orgânicos? No Brasil, restos de comida e cascas representam cerca de 51,4% do que descartamos diariamente. Ao reciclar esses materiais por meio de compostagem, você deixa de gerar lixo e passa a produzir um adubo riquíssimo, devolvendo nutrientes para a terra e fechando o ciclo do alimento.
A compostagem é uma técnica ancestral que consiste na transformação de resíduos orgânicos em adubo através da ação de micro e macro organismos vivos, amantes de oxigênio. Nele você participa ativamente ao criar as condições ideais para que esses “serezinhos” transformem seus resíduos em um adubo rico em nutrientes e com cheiro de chuva.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil produz cerca de 37 milhões de toneladas de restos orgânicos por ano, e somente 1% é reaproveitado por meio da compostagem para virar um nutritivo fertilizante.
Como fazer uma composteira?
De acordo com a Ciclo Orgânico Compostagem, antes de começar uma composteira é importante conhecer o processo, para não se surpreender com as etapas. Por exemplo, certos bichinhos ou larvinhas podem acabar saindo da composteira. Moscas de banana ou um cheiro estranho também podem acontecer no início. No entanto, uma compostagem bem-feita não gera nada disso, mas é necessário saber que existe um período de aprendizagem importante e que alguns aspectos podem fugir do seu controle. Afinal, a composteira habita um organismo vivo.
O principal benefício ao começar uma composteira é que você estará contribuindo para que os aterros sanitários recebam menos lixo orgânico e, com isso, haja uma redução da poluição de lençóis freáticos e na emissão de gases tóxicos na atmosfera.
Outro benefício, é a produção de um adubo natural rico em nutrientes, e que vai dispensar o uso de fertilizantes químicos nas suas plantas.
O que pode e não pode ir na compostagem?
É importante escolher os alimentos certos para colocar na composteira. Alguns materiais comprometem a degradação da matéria orgânica e prejudicam o desenvolvimento do adubo.
Pode usar: frutas, legumes, verduras, grãos e sementes, cascas de ovos, sachê de chá sem etiqueta e erva de chimarrão, borra e filtro de café;
Pode ser usado com moderação: frutas cítricas, flores e ervas medicinais e aromáticas, alimentos cozidos, guardanapos e papel toalha, laticínios;
Não deve ser usado: arroz, carnes, líquidos, trigo, temperos fortes, como pimenta, alho e cebola, limão, nozes pretas, fezes de animais domésticos, óleos e gorduras.
Como montar sua composteira?
A composteira pode ser com ou sem minhoca. Quando há minhoca, ela é chamada de minhocário, e sua principal vantagem é ser menor e indicada para apartamentos. Embora as minhocas acelerem o processo, é preciso alguns cuidados e também são mais restritivas com os tipos de resíduos que se alimentam. Já na composteira de fungos e bactérias são as mais indicadas para quintais e jardins.
Com minhocas
Quem procura um processo de compostagem mais rápido pode optar pela compostagem com minhocas, ou vermicompostagem, que também pode ser feita em casas e apartamentos com o uso da composteira doméstica, segundo a Universidade Federal do Vale do São Franciso (Univasf). O vermicomposto, adubo orgânico gerado a partir desse processo, conhecido também como o húmus de minhoca, é rico em flora bacteriana e ajuda a fornecer às plantas uma nutrição equilibrada e maior resistência a doenças.
Neste caso, são necessárias três caixas plásticas escuras (sendo uma com tampa), folhas secas e galhos pequenos e cerca de 100 minhocas. As caixas deverão ser empilhadas em três níveis. Nas duas superiores deve haver pequenos furos, que serão responsáveis pela comunicação entre uma caixa e outra. São nessas caixas que será feita a compostagem (processo de decomposição natural). A última caixa será utilizada apenas para coletar o resíduo líquido orgânico, que, se diluído, pode ser utilizado para regar plantas e hortas.
Ainda segundo a Univasf, o primeiro passo é forrar o fundo da caixa superior com folhas secas e pequenos galhos ou serragem. Esta primeira camada vai funcionar como dreno para a composteira. Em seguida deve-se colocar a terra com as minhocas e logo acima os resíduos orgânicos. É importante que os resíduos sejam cobertos com outra camada de folhas secas para contribuir com a oxigenação. Isso também garante que não se gere um mal odor pelo processo.
Sem minhoca
Outra opção é a compostagem sem minhocas. O processo é quase o mesmo, mas ela pode, diferentemente do outro, receber casca de alho e cebola. Porém, o desenvolvimento do adubo tende a ser mais lento e pode desenvolver um cheiro não tão agradável, principalmente caso o processo dê errado. É comum que a falta de oxigenação nesse tipo de compostagem gere mofo e a falta de material seco pode causar o mal cheiro.
Os benefícios para as plantas
O resultado é um adubo que melhora a saúde do solo e previne a erosão. Uma das maiores vantagens é a economia de água: cada quilo de composto ajuda a planta a absorver até 6 litros de água, fazendo com que ela precise de menos regas e cresça muito mais bonita.
Se você acha o processo caseiro difícil, ainda existem opções de compostagem comunitária ou por assinatura, como o Ciclo Orgânico, onde empresas coletam seu resíduo e entregam o adubo pronto em sua porta.
Bora reciclar?
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