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Dia do Cachorro: mais que companhia, cães ajudam idosos na conexão social

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Cães representam uma ponte para fortalecer relações familiares e sociais na vida de idosos - Adobe Stock
Cães representam uma ponte para fortalecer relações familiares e sociais na vida de idosos
Por Alexandre Barreto

26/08/2026 | 10h08

São Paulo - Celebrado nesta quarta-feira, 26 de agosto, o Dia Mundial do Cachorro chama atenção para um papel que vai além da tradicional imagem do "melhor amigo do homem". Para muitas pessoas idosas, os cães representam companhia, estímulo para manter hábitos saudáveis e até uma ponte para fortalecer relações familiares e sociais.

A data foi criada em 2004 pela ativista norte-americana Colleen Paige com o objetivo de incentivar a adoção responsável e aumentar a conscientização sobre os cuidados necessários com os animais. Desde então, a celebração ganhou espaço em diferentes países e passou a destacar a importância dos cães na vida cotidiana das pessoas.

Mais do que "amigo do homem", o cachorro é amigo do idoso

Ao longo da história, os cachorros estiveram presentes em atividades como guarda, pastoreio, resgate e assistência. Hoje, além dessas funções, ocupam um espaço cada vez mais afetivo dentro das famílias: em muitos lares, são considerados integrantes da casa e participam da rotina, das celebrações e dos momentos de convivência.

mulher idosa em cadeira de rodas ao lado de cachorro golden
A presença de um cachorro pode ter impactos positivos na maturidade - AdobeStock

Essa presença pode ter impactos positivos especialmente na maturidade. Um estudo publicado pela National Library of Medicine em 2025 identificou a relação entre a convivência com cães, os passeios regulares e melhores indicadores de capacidade física entre adultos de meia-idade e idosos.

Outra revisão científica, que reuniu dados de mais de 25 mil pessoas idosas, apontou uma possível associação positiva entre a convivência com cães e a redução de sintomas de ansiedade.

Segundo a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, a proximidade entre cães e seres humanos é resultado de uma convivência construída ao longo de milhares de anos.

Juliana Sato é psicóloga e especialista em vínculo humano-animal e luto pet
Juliana Sato é psicóloga e especialista em vínculo humano-animal e luto pet - Divulgação

Durante a domesticação, os animais desenvolveram habilidades para interpretar gestos, buscar interação e criar relações de cooperação com as pessoas.

Os cães observam nossos comportamentos, respondem à nossa comunicação e acompanham diferentes momentos da vida familiar", explica.

Para os idosos, esse vínculo pode assumir um significado ainda mais amplo. Além da companhia diária, o animal ajuda a manter uma rotina de cuidados, estimula a movimentação e favorece interações com outras pessoas durante passeios, visitas e encontros familiares.

A psicóloga, psicanalista e escritora Danielle Vieira destaca que os pets podem funcionar como uma importante fonte de afeto e pertencimento nessa fase da vida.

Muitas vezes, o papel social foi reduzido, pessoas que já se aposentaram, que já não precisam se preocupar com filhos ou com rotinas intensas, os pets podem trazer aquela sensação de resgate da rotina, a capacidade de oferecer cuidado a alguém".

Ela ressalta que o cachorro não substitui relações humanas, mas pode atuar como facilitador de conexões. O animal frequentemente aproxima familiares, gera conversas e incentiva momentos de convivência entre diferentes gerações.

Danielle Vieira é psicóloga e psicanalista
Danielle Vieira é psicóloga, psicanalista e autora do livro “Amor moderno: o nosso mundo evitativo” - Divulgação

"Tudo isso pode auxiliar não somente com a saúde mental, mas também com a saúde física, uma vez que demanda também cuidados, passeios, brincadeiras", ressalta a especialista.

Apesar dos benefícios, especialistas lembram que a decisão de adotar um cachorro exige planejamento. Antes de levar um animal para casa, é importante avaliar tempo disponível, condições financeiras, espaço adequado, acesso a cuidados veterinários e compatibilidade entre o perfil do cão e a rotina da família.

Para Sato, o vínculo saudável é construído aos poucos, respeitando o tempo de adaptação do animal.

"Amar um cachorro não é apenas trazê-lo para a nossa vida. É também aprender quem ele é e construir uma relação em que as necessidades dos dois possam ser respeitadas", diz.

Vínculo se constrói sem pressa

Outro ponto destacado pelas especialistas é que, depois da adoção, é preciso dar tempo para que o animal se adapte ao novo ambiente. Juliana destaca que estabelecer uma rotina, permitir que ele explore gradualmente o espaço, respeitar quando procura distância e observar sua linguagem corporal são atitudes importantes.

Após a adoção, o vínculo com o pet é construído nas pequenas experiências cotidianas
Após a adoção, o vínculo com o pet é construído nas pequenas experiências cotidianas - Envato
Afeto também significa não forçar contato, colo ou interação. O vínculo vai sendo construído nas pequenas experiências cotidianas em que o cachorro percebe que aquela pessoa é previsível e segura”, explica.

Para Danielle Vieira, o vínculo com um animal também pode criar uma forma particular de relação, baseada na comunicação, na espontaneidade e na presença constante no cotidiano. “Existe também reciprocidade afetiva, mesmo que diferente daquela estabelecida entre seres humanos. Algo que pode ser extremamente benéfico e auxiliar na regulação emocional”, finaliza.

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