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Luto por pets: sofrimento se iguala à perda de parente próximo

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Em casos mais graves, há relatos de sintomas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático - Envato
Em casos mais graves, há relatos de sintomas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático

Por Joyce Canele

redacao@viva.com.br
27/01/2026 | 16h41

São Paulo, 27/01/2026 - A morte de um pet de estimação pode provocar um sofrimento emocional tão intenso quanto a perda de um parente próximo, afetando a rotina, a identidade e a saúde mental de seus tutores.

Uma pesquisa mostrou que, em casa e no cotidiano mais íntimo, o rompimento desse vínculo desperta reações profundas, muitas vezes agravadas pela falta de reconhecimento social e pela dificuldade de acesso a apoio emocional e profissional.

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Segundo o estudo "The Impact of Continuing Bonds Between Pet Owners and Their Pets Following the Death of Their Pet: A Systematic Narrative Synthesis", publicado pelo Sage Journals, entre as reações mais frequentes estão choque, descrença, tristeza profunda, sintomas depressivos, ansiedade, dificuldades de concentração, isolamento social e perda de identidade.

Em casos mais graves, há relatos de sintomas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático. O sofrimento não se limita à esfera emocional, manifestações físicas, como dores, fadiga e alterações no sono, também são comuns.

Vínculo forte pode ampliar ou aliviar a dor

O chamado vínculo contínuo (a manutenção simbólica da relação com o animal após a morte) exerce um papel ambíguo no luto.

Quando marcado por culpa, autorreprovação ou pensamentos repetitivos, tende a intensificar o sofrimento. Nesses casos, a dor se aproxima daquela vivida na perda de parentes ou amigos próximos.

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Por outro lado, quando o vínculo é preservado por meio de lembranças positivas, rituais, homenagens, memórias e até sonhos, ele pode reduzir a solidão e ajudar na adaptação à perda. A literatura mostra que não é a existência do vínculo em si que define o impacto, mas a forma como ele é elaborado emocionalmente.

Quem sofre mais e por quê

A intensidade do luto varia conforme características individuais e contextuais. Estudos apontam maior sofrimento quando a morte do animal ocorre de forma repentina. Faixas etárias entre 18 e 35 anos e acima dos 60 também aparecem com maior vulnerabilidade emocional.

Mulheres tendem a relatar vínculos mais fortes e luto mais intenso, mas os próprios pesquisadores alertam para um viés importante.

A maioria dos estudos foi realizada com mulheres brancas adultas, o que limita a compreensão sobre como homens, pessoas não brancas, crianças e tutores de animais que não sejam cães ou gatos vivenciam essa perda.

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Em crianças e adolescentes, o impacto depende da idade, do nível de apego e de experiências prévias com a morte. Em muitos casos, a perda do primeiro animal de estimação marca o primeiro contato consciente com o luto.

Luto em idosos

Com o avanço da idade, as perdas tendem a se acumular e a morte de um animal de estimação pode ter um impacto ainda mais profundo, sobretudo para quem mora sozinho e encontrava nessa relação companhia, rotina, propósito e autoestima, segundo publicado pelo HelpGuide.org.

Manter vínculos sociais ativos, buscando a convivência diária com amigos, vizinhos ou grupos, ajuda a reduzir o isolamento e a tristeza, assim como preservar a atividade física, com exercícios adequados e prazerosos que estimulem o corpo e favoreçam novas conexões;.

Além disso, preencher o tempo antes dedicado ao cuidado do animal com atividades significativas, como:

  • Retomar hobbies;
  • Participar de ações voluntárias; ou
  • Colaborar com abrigos e grupos de proteção animal.

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Isso pode auxiliar na reconstrução do sentido da vida após a perda, respeitando o próprio ritmo e sem a pressão de substituir imediatamente o vínculo que foi perdido.

Um luto ainda pouco reconhecido

Apesar da intensidade do sofrimento, a morte de animais de estimação segue sendo tratada, em grande parte das sociedades, como um luto menor.

Esse não reconhecimento reduz o acesso ao apoio social e profissional e faz com que muitos tutores silenciem a própria dor.

Há ainda uma hierarquia implícita entre os animais. A perda de cães e gatos tende a receber alguma validação, enquanto a morte de outros animais, como peixes, roedores ou aves, é frequentemente trivializada.

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Alguns tutores relatam uma dupla exclusão, o luto não é reconhecido e o vínculo com o animal é visto como exagerado ou inadequado.

Religião, espiritualidade e sentido da perda

A religião aparece como um importante recurso de enfrentamento, mas seus efeitos variam. Tutores que acreditam em uma vida após a morte para pessoas e animais tendem a lidar melhor com a perda, especialmente quando encontram apoio em comunidades religiosas.

Já crenças que associam a morte do animal à punição divina podem intensificar sentimentos de culpa e sofrimento.

A espiritualidade, entendida como uma busca pessoal por significado e conexão, mostrou-se um fator protetor relevante. Mesmo quando a fé não se fortalece, reflexões sobre a vida, a morte e o cuidado ajudam a reorganizar a experiência do luto.

O papel do apoio social e profissional

Conversar sobre a perda, ser ouvido e ter os sentimentos validados são elementos centrais para atravessar o luto.

Quanto maior a percepção de apoio social, menores os níveis de ansiedade e comportamentos de evitação emocional. Veterinários costumam ser o primeiro contato após a morte do animal e podem influenciar diretamente a experiência do tutor.

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A literatura aponta que gestos simples, como uma ligação, uma carta de condolências ou a indicação de redes de apoio, ajudam a reduzir o sofrimento. Quando o luto é minimizado por profissionais de saúde, o efeito tende a ser o oposto, criando barreiras para a busca de ajuda.

Em situações mais graves, o acompanhamento psicológico se mostra necessário, especialmente quando há prejuízo no funcionamento diário ou prolongamento intenso do sofrimento.

Quando a dor se transforma em crescimento

Embora menos frequente, o crescimento pessoal após a perda de um animal de estimação é um fenômeno documentado.

Alguns tutores relatam fortalecimento emocional, maior empatia, valorização da vida e aproximação de familiares.

Outros encontram sentido ao oferecer apoio a pessoas em situação semelhante, escrever sobre a experiência ou se envolver em atividades voluntárias com animais.

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Esse crescimento não elimina a dor, mas indica que o vínculo afetivo também pode gerar efeitos positivos a longo prazo, funcionando como um processo adaptativo de reorganização emocional.

Como lidar com o luto pela perda de um pet?

O luto é individual, então não existe maneira certa ou errada de viver a perda de uma animal de estimação. De acordo com a publicação realizada pelo Petz, existem táticas que ajudam a aliviar a dor. 

1. Permita-se sentir

Não existe um jeito certo de viver o luto. Tristeza, raiva, culpa ou silêncio fazem parte do processo. Evitar ou minimizar as emoções tende a prolongar o sofrimento.

2. Busque apoio

Falar sobre a perda ajuda a aliviar a sensação de isolamento. Quando amigos ou familiares não conseguem oferecer esse espaço, o apoio profissional pode ser fundamental.

3. Celebre a vida do animal

Revisitar fotos, vídeos, histórias e criar rituais de despedida ajuda a ressignificar a relação e a manter lembranças positivas.

4. Cuide da saúde física

Sono, alimentação e movimento influenciam diretamente a capacidade emocional de lidar com a perda. Manter rotinas básicas é parte do processo de cuidado.

5. Encontre novos sentidos

Atividades criativas, voluntariado ou novos projetos podem ajudar a preencher o vazio deixado pela ausência, sem a pressa de substituir o vínculo perdido.

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Palavras-chave animal estimação luto pets

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