Espanha chega à final da Copa com 'tiki-taka' moderno, posse de bola e Yamal
Instagram / Dani Olmo
Nova York - É preciso falar um pouco mais desta Espanha antes da grande final da Copa do Mundo, contra Inglaterra ou Argentina, no dia 19, ganhando ou perdendo o título. O conceito prático de futebol sempre foi a simplicidade e a distribuição dos jogadores em campo. Os atletas espanhóis não trocam de posição nem se revezam nos setores do campo como fazem os franceses, por exemplo.
A Espanha é uma seleção bem definida, organizada e até previsível, com cada atleta no seu devido lugar. E isso é muito bom. Há um padrão e um jeito de jogar.
Ela não lembra a Holanda de 1974, liderada por Cruyff, que depois transformou o jeito de atuar do Barcelona e do futebol espanhol. Mas ela tem o que todos os times gostariam de ter: jogadores capazes de entender a partida e de se posicionar para jogá-la em função de suas características e também do adversário e uma disciplina tática de fazer inveja aos alemães. Foi assim que ela desbancou a França na semifinal desta Copa do Mundo.
Um time que gosta da bola
Diferentemente de algumas seleções grandes por aí, a Espanha gosta e quer a bola. Faz uso dela para evitar que o rival o faça. Dessa forma, ela engoliu os franceses com seu estilo agudo e recheado de craques. Mas é importante não jogar a França na lata do lixo como se faz com o Brasil a cada Mundial desperdiçado.
A França é tão gigante quanto a Espanha e encantou o mundo nesta disputa. Essas duas seleções têm potencial para dominar o cenário nesta e na próxima década.
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Ainda há um garoto que nasceu para grandes momentos no futebol. Lamine Yamal vai se tornar um dos jogadores mais novos a disputar uma final de Copa do Mundo. Vai desbancar Mbappé nessa condição. Ele só tem 19 anos e alguns poucos dias. Está sendo preparado para herdar tronos vagos na caminhada dos melhores do mundo. Seu grande concorrente, por ora, é Mbappé. Talvez Vini Jr. entre na briga ao menos na Liga Espanhola e Champions League.
A Espanha que deu um banho nos franceses contrariando o "mundo" adotou um "tiki-taka" moderno, mais rápido e usado menos para desgastar os rivais e mais para envolvê-los. O gol de Pedro Porro, eleito pela Fifa o melhor da decisão da semifinal, foi uma demonstração disso.
A bola foi tocada curta pelo goleiro espanhol Simón e caminhou até o gol francês de pé em pé, com toques e recomeços, ora pela direita, ora pela esquerda, sem que o adversário a tomasse de volta até o pivô de Dani Olmo e a chegada de Porro para a conclusão. Foi lindo. Foi um "tiki-taka" mais rápido, moderno e para frente.
É treino e qualidade de seus jogadores. É a formação de uma escola que gosta da bola e do jogo. Que nasce não para ganhar competições, mas para formar equipes e seleções, com profissionais que já entenderam há décadas que as conquistas são consequências e não metas.
Em 2010, na África do Sul, ainda de Nelson Mandela, quando a Espanha ganhou a sua primeira e única Copa do Mundo, havia jogadores tão bons quanto tem na seleção deste ano. Havia Iniesta, Xavi, Fábregas, Busquets... Não era um time qualquer. Mas o futebol era lento. Envolvente, mas lento. O que a Espanha fez de 2010 para 2026 foi acelerar o jogo, levá-lo para o futebol atual, mas sem perder a sua essência.
Os espanhóis também descobriram um talento chamado Lamine Yamal, que não assinou essa Copa do Mundo, mas que certamente terá chances de ter um Mundial chamado de seu. Yamal não é um resultado acabado. Ele faz parte de um processo de construção, como muitos dos seus companheiros atuais desta Copa.
Oito jogadores da delegação espanhola nos Estados Unidos disputaram os Jogos Olímpicos de 2020 no Japão: Simón, García, Cucurella, Merino, Zubimendi, Pedri, Oyarzabal e Dani Olmo, além do técnico Luis de la Fuente. Ou seja: a Espanha não está na final por acaso.
A Espanha, segundo o seu treinador, é "a melhor seleção do mundo". Ele disse isso independentemente de ganhar ou não a Copa de 2026. De la Fuente está certo. Sob o seu comando, o time tem feito da França, por exemplo, um freguês, com três vitórias seguidas em competições importantes nas semifinais: Eurocopa (2024), Liga das Nações (2025) e Copa do Mundo (2026). A Espanha já está consagrada.
Ela não precisa da chancela da Fifa com o troféu do Mundial para ser reconhecida por isso.
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