Mulheres 60+ são mais felizes que média geral da população, diz pesquisa
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São Paulo - Se para alguns chegar aos 60 anos pode parecer assustador, para as mulheres essa tem se mostrado uma fase muito positiva. Pelo menos é o que aponta o Mapa da Felicidade Real dos Brasileiros, conduzido pela pesquisadora em Ciência da Felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. Segundo o levantamento, mulheres nessa faixa etária apresentam níveis mais elevados de satisfação com a vida e com a própria trajetória quando comparadas à média da população, indicando que o avanço da idade também pode representar um período de maior autonomia e bem-estar.
Entre as entrevistadas com mais de 60 anos, 60,1% afirmam estar muito satisfeitas com a vida, percentual bem superior aos 45,9% registrados na média geral. A satisfação com o cotidiano segue a mesma tendência: 63,3% dizem estar plenamente satisfeitas, frente aos 48,1% observados na população total.
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Na vida profissional, metade desse público (50%) declara alto grau de satisfação, acima da média nacional (38%). Já a parcela que aponta o trabalho como um fator de infelicidade cai para 13%, enquanto o índice geral é de 23,4%.
Para Renata Rivetti, pesquisadora da Ciência da Felicidade e autora do estudo, os resultados sugerem que o bem-estar acompanha as diferentes fases da vida e está diretamente relacionado às condições em que as mulheres vivem. Ela ressalta que existe uma narrativa muito forte de que envelhecer significa perder qualidade de vida, mas os dados mostram o contrário.
À medida que aumenta a autonomia sobre o próprio tempo e diminuem parte das responsabilidades acumuladas ao longo da vida adulta, cresce também a satisfação com a própria trajetória."
O desafio da faixa dos 45 aos 59 anos
A pesquisa mostra que esse cenário de leveza ainda não se repete entre mulheres de 45 a 59 anos, faixa em que costumam coexistir os cuidados com filhos, mudanças hormonais, carreira e, muitas vezes, o suporte aos pais idosos. Nesse grupo, 25,6% relatam sentir preocupação com muita frequência, percentual superior à média geral (18,9%).
"Entre os 45 e os 59 anos, muitas vivem o período de maior sobreposição de papéis. É comum conciliar carreira, família, transformações da menopausa e o cuidado com os pais. Essa combinação reduz o tempo disponível para descanso, lazer e autocuidado, fatores essenciais para o bem-estar", afirma Renata Rivetti.
Segundo a pesquisadora, os resultados reforçam que felicidade e bem-estar dependem diretamente do contexto em que cada mulher está inserida.
Outro dado importante é a percepção de segurança: apenas 31,8% afirmam sentir-se seguras ao caminhar sozinhas à noite, enquanto a média nacional é de 47,1%.
Maturidade e redes Sociais
O estudo também identificou diferenças na relação com o ambiente digital. Ao contrário dos mais jovens, mulheres maduras demonstram menor tendência à comparação social.
Entre aquelas de 45 a 59 anos, 36,9% afirmam comparar a própria vida com a de outras pessoas nas redes sociais. Já entre as mulheres acima de 60 anos, esse índice é maior de 45,1%. No entanto, ambos estão abaixo da média nacional, que é de 56,5%. Também é menor a proporção das que relatam sentir tristeza após utilizar essas plataformas: 37,3% no grupo de 60 anos ou mais, contra 50,5% na média geral.
De acordo com a especialista, esses resultados sugerem que a maturidade traz uma relação menos dependente da validação externa.
O envelhecimento costuma trazer ganhos que raramente entram na discussão pública, como maior autoconhecimento, clareza sobre prioridades e menor necessidade de comparação. A pesquisa mostra que esses aspectos se refletem diretamente nos indicadores de bem-estar."
Os jovens estão infelizes?
Na outra ponta da pirâmide, os jovens brasileiros entre 16 e 24 anos apresentam os piores indicadores de bem-estar, segundo o estudo. Esse público se diz menos satisfeito com a própria vida, relata ter menos pessoas com quem contar e demonstra uma relação significativamente mais negativa com o trabalho. Ao mesmo tempo, são os que mais sofrem com a comparação social nas redes.
O cenário desafia a ideia de que a juventude seria a fase de maior entusiasmo. Na prática, os dados revelam uma geração que olha para o presente com mais sofrimento do que as pessoas mais velhas.
No grupo de 16 a 24 anos, apenas 33% dizem estar muito satisfeitos com a vida, contra a média de 47,9% entre pessoas acima de 25 anos. Além disso, a satisfação com a vida que levam no dia a dia é de 32,5% (contra 50,5% das demais faixas) e 81% se consideram felizes (frente a 90,8% da média geral).
"A juventude deveria representar energia, construção de projetos e descoberta de possibilidades. Quando justamente esse grupo relata níveis menores de satisfação, menos apoio e maior sofrimento cotidiano, acende-se um alerta importante sobre o funcionamento da nossa sociedade", afirma Renata.
Sobre a pesquisa
O Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026 é a primeira pesquisa nacional desenvolvida sob a metodologia da Ciência da Felicidade, realizada por Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. O levantamento ouviu 1.500 brasileiros em todo o País, de diferentes faixas etárias.
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