Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Setor musical: Mulheres recebem menos e precisam provar mais o seu talento

Divulgação

Pesquisa realizada pela UBC mostra ainda que 65% sofreram assédios variados - Divulgação
Pesquisa realizada pela UBC mostra ainda que 65% sofreram assédios variados
Por Alessandra Taraborelli

09/03/2026 | 18h17

São Paulo - Não existe limite para a discriminação de mulheres. Segundo o relatório “Por Elas Que Fazem a Música 2025”, termômetro da participação e das dificuldades das mulheres na indústria, 63% das mulheres que participaram do levantamento afirmam que já foram ignoradas ou interrompidas em sua fala em contextos profissionais por ser mulheres, 59% receberam comentários depreciativos, 57% sentiram que precisam “provar mais” seu talento, e 52% tiveram seus créditos ou participação diminuídos em contextos de cocriação.

A pesquisa, realizada anualmente pela União Brasileira de Compositores (UBC), mostra ainda que 65% relataram assédios variados, sendo que, entre as que o sofreram, 75% relataram assédio sexual; 63%, verbal, e 56%, moral. E 35% mencionaram algum tipo de violência. Os números continuem altos, embora melhores do que os revelados no levantamento de 2023, quando 76% reportaram assédios variados, e 85%, discriminação de gênero.

Leia também: Mulheres e pessoas 50+ relatam maior insegurança nas escolas em SP

Ações para equalizar

A UBC vem promovendo iniciativas para tentar diminuir o abismo entre os gêneros, como a realização de um “songcamp 100% feminino”, em São Paulo, no ano passo, com a participação de artistas brasileiras e portuguesas. Essa foi a segunda edição, a primeira ocorreu na Grande Belo Horizonte, em Minas Gerais.

De acordo com a entidade, o objetivo com essas iniciativas é tentar dar “seu quinhão para diminuir a desiqualdade”. Segundo o relatório, só 3% das associadas moram na Região Norte, sendo que 8,% da população mora nessa área. Já o Nordeste, que tem 25% da população total, tem apenas 17% de associadas. Enquanto isso, o Sudeste concentra 60% das associadas, mas só 42% da população.
A participação feminina continua sendo um destaque positivo: 59% do quadro total de funcionários são compostos por mulheres, que respondem por 57% dos cargos de chefia.

Leia também: Contra barreiras invisíveis, mulheres seguem avançando no mercado financeiro

Melhor remuneração

A despeito dos esforços para atrair mais mulheres ao mercado formal, as oportunidades dadas a elas na indústria musical continuam a ser muito díspares. Isso fica claro quando analisamos a renda das mulheres, na comparação com a dos homens. Somente 11 mulheres estão entre os maiores arrecadadores de direitos autorais, ou seja, entre as pessoas que têm suas obras usadas pelo mercado em diferentes contextos — de shows e TV, ao streaming e aos estabelecimentos comerciais.

A mulher mais bem posicionada no ranking dos 100 maiores arrecadadores aparece em 16º lugar — uma discreta melhora em relação ao ano passado, quando ela estava em 21º.

Sonorização ambiental (músicas tocadas em estabelecimentos comerciais, basicamente) é o segmento de distribuição de direitos autorais em que há menor brecha entre homens e mulheres, com 25% de participação feminina

De acordo com a cantora, compositora e presidente da UBC, Paula Lima, o relatório revela que o crescimento da presença feminina na entidade é resultado de um processo contínuo de transformação e um compromisso real com a equidade.

O crescimento acumulado de 229% no número de associadas traduz não apenas a ampliação de oportunidades e realizações, mas representa, para além de números, história, trajetórias e conquistas de mulheres que há anos lutam por espaço, reconhecimento e voz. É o reconhecimento do papel essencial das mulheres na construção da música brasileira.”

A diretora da UBC, cantora e compositora Fernanda Takai, avalia ainda que há um caminho enorme a percorrer.

“Embora os números estejam expandindo, autoras, versionistas, intérpretes, musicistas e produtoras ocupam apenas 17% da base total da associação. Abrimos 2026 mirando um futuro que espelhe nossa cultura interna, onde as mulheres ocupam 59% no quadro geral de funcionários e maioria absoluta nos cargos de liderança. A indústria da música precisa ser mais representativa”, afirma.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias