Mulheres e pessoas 50+ relatam maior insegurança nas escolas em SP
Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo, 06/03/2026 - As mulheres são maioria absoluta nas escolas paulistas, mas também concentram os maiores relatos de insegurança no ambiente escolar. É o que aponta a pesquisa 'A percepção da docência frente a violência nas escolas', realizada pelo Centro do Professorado Paulista (CPP). As ocorrências mais citadas envolvem agressões verbais e psicológicas, além de desgaste emocional recorrente.
O levantamento contou com a participação de 1.144 professores e profissionais da educação, sendo 70,2% mulheres. Dessas, 74,72% relatam não se sentir segura dentro da sala e no ambiente escolar. De acordo com o CPP, a percepção de insegurança aparece em patamares muito semelhantes entre homens e mulheres, mas é ligeiramente maior entre as professoras.
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Outro ponto que chamou a atenção da instituição durante a análise dos resultados foi o recorte etário. Dos 1.144 participantes da pesquisa, 719 (62,85%) têm entre 45 e 64 anos, faixa que concentra a maior parte dos profissionais ouvidos e que também reúne um volume expressivo de relatos de sensação de insegurança no ambiente escolar.
Maioria feminina
Para Ana Carolina Soares, advogada do Centro do Professorado Paulista, os dados reforçam a necessidade de tratar a segurança da mulher na educação como pauta permanente. "Quando observamos que a maioria da categoria é feminina e também a que mais relata insegurança, é preciso olhar para o ambiente escolar com responsabilidade. Segurança e respeito não são temas acessórios, são condições básicas para o exercício da docência".
De acordo com Soares, a predominância feminina no setor amplia o impacto social de qualquer problema estrutural.
A educação é sustentada majoritariamente por mulheres. Garantir condições adequadas de trabalho significa proteger essas profissionais e fortalecer o próprio sistema educacional".
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Tipos de violência
Segundo os dados coletados, a violência no ambiente escolar é constante e se manifesta de diversas formas, com os tipos verbal e psicológica sendo os mais comuns. A pesquisa também destaca a violência institucional, que se manifesta pela falta de apoio das gestões escolares e pela ausência de ações efetivas. Casos extremos incluem ameaças de morte e atos de depredação patrimonial por parte dos pais.
A pesquisa destaca uma discussão significativa entre os educadores sobre a necessidade de revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e afirma que a maioria dos participantes acredita que o marco legal "protege mais os agressores do que os educadores, contribuindo para uma percepção de impunidade entre os alunos".
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De acordo com os relatos analisados, a violência nas escolas não é um fenômeno isolado e frequentemente se repete sem que haja suporte institucional adequado. O impacto desse ambiente hostil é visível na saúde mental dos professores, que relataram medo e desgaste emocional como consequências diretas de sua experiência profissional.
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