Tatuagem também é coisa de 50+ que rompem preconceitos e realizam sonhos
Arquivo pessoal
São Paulo - Até pouco tempo atrás, pessoas que ousavam desenhar a pele e deixar o desenho da tatuagem à mostra em ambientes sociais, como no trabalho, sofriam um certo preconceito. Isso vem mudando, com maior aceitação social desse estilo, mais usual agora para pessoas 50+.
De acordo com Thiago Rodrigues, 42 anos, que trabalha há vinte com tatuagem em São Paulo, no início de sua carreiraera difícil ver pessoas mais velhas no estúdio.
Ele revela que os 50+ já chegam decididos sobre o que querem fazer, reclamam menos de dor, e sempre ouvem o que o profissional tem a dizer.
Tecnicamente falando, o tatuador ressalta que é muito mais difícil tatuar uma pessoa mais velha porque a pele vai ficando cada vez mais fina, perdendo o colágeno e a elasticidade, e é mais delicado aplicar a tinta sem machucar a pele. Após os 60 anos, o ideal é optar por tatuagens que não sejam tão coloridas nem tenham linhas muito finas.
Muita gente adiou o sonho por preconceito. Após a morte de um ente querido, que muitas vezes era contra a tatuagem, a pessoa se sente mais à vontade", diz Rodrigues.
Em sua prática, ele observa que existe diferença entre o que um jovem e uma pessoa mais velha escolhem para tatuar. Como os idosos não têm conhecimento das tendências nessa área, buscam opções tradicionais, como borboleta, flores, homenagens, mais simples e menores, frequentemente em lugares mais discretos do corpo. Ele revela também que braços e pernas são os lugares mais buscados por este público.
Thiago Rodrigues defende que as pessoas façam os que elas têm vontade, não importa a idade.
"A pessoa mais velha que tatuei foi um senhor de 82 anos, com a pele bem fininha, ele chegou com o neto. Explicou que a esposa havia falecido e queria fazer uma homenagem a ela, tatuando os dois em uma viagem que fizeram para a Bahia. Ele me entregou a foto eu fiz o desenho. Essa foi uma das histórias que mais me tocou”, conta o tatuador.
Primeira tatuagem após os 70
A dona de casa Leni Moura Taraborelli, 77 anos, já está na sua segunda tatuagem. A primeira foi uma coruja com a palavra "avó", aos 71 anos, em homenagem aos netos. Em abril deste ano, ela fez a segunda, uma borboleta azul, pois sempre sonhava com o inseto. Ela conta que a primeira doeu mais, já a segunda, mesmo sendo maior e colorida, foi mais tranquila. "Só doeu no começo, depois adormeceu e não senti mais nada”.
Ela lembra que nunca pensou em fazer o desenho na pele porque sempre pensou em tatuagem como algo de bandido. Quando seu filho fez a primeira tatuagem, ainda na adolescência, ela ficou muito brava, chorou, achou que aquilo poderia ser um sinal de que o filho estava indo para o caminho errado. O tempo passou, o filho se manteve no caminho certo e, para sua surpresa as netas apareceram com tatuagens.
Num primeiro momento ela criticou, achou feio, disse que aquilo não era coisa para menina. Suas netas continuaram a fazer tatuagens e, aos poucos, ela foi revelando que também tinha vontade de fazer uma.
Para incentivar o seu desejo, a filha e a neta deram de presente de aniversário a sua primeira tatuagem. Ela ficou muito feliz com o resultado. E pensa que parou? Não, ela já disse que quer fazer outra.
Já Nizor Mataruco, de 58 anos, autônomo, revela que sempre gostou de tatuagem, mas só fez a primeira quando tinha 53 anos.
Demorei em respeito aos meus pais e a minha falecida esposa, que tinham preconceito com pessoas com tatuagem. Hoje eu tenho cinco tatuagens e pretendo fazer mais algumas.”
Mataruco revela que a tatuagem o deixou com ainda mais vontade de viver. “A sensação é muito boa, você olha no espelho e se sente vivo. Quanto tempo eu demorei para realizar esse desejo.. uma sensação de ficar mais jovens, mais alegria, mais vontade de viver, é muito bom”, afirma.
Sobre sentir dor ao fazer os desenhos, ela afirma que a vontade era tão grande que não sentiu nada. Para o autônomo, o desenho na pele não é sinal de rebeldia e, sim, de realização de um sonho.
Ele revela ainda que acabou sendo inspiração para o amigo do seu filho, que ficou surpreso quando viu que ele tinha feito a tatuagem após os 50 anos e, na semana seguinte, também apareceu tatuado.
Se você tem vontade, esquece o que os outros vão falar para você. Minha família italiana era muito rígida, ainda bem que me libertei disso, mas demorei muito. Mas se você tem vontade, vai lá e faz, seja feliz na sua vida”.
Dicas pós-tatuagem
O tatuador Thiago Rodrigues explica que os cuidados pós-tatuagem são os mesmos para todas as pessoas:
- Após retirar o plástico lave a tatuagem suavemente com água e sabonete neutro;
- Use com toalha macia ou papel toalha para secar;
- Aplique uma fina camada de pomada cicatrizante ou hidratante indicado pelo seu tatuador;
- Evite coçar, arrancar casquinhas, exposição ao sol e banhos de mar ou piscina.
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