Como vai ficar o abastecimento de frutas em SP? Incêndio atinge Ceagesp
Divulgação / Defesa Civi
São Paulo - Dezenas de comerciantes da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) relatam um prejuízo milionário após incêndio que atingiu um galpão com 320 boxes na noite deste sábado, 5. A estrutura do local foi comprometida, mas, segundo a Defesa Civil, não houve vítimas.
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A Ceagesp informou que discute com comerciantes uma alternativa para manter as operações do pavilhão de frutas e garantir o funcionamento das atividades na área afetada a partir de segunda-feira.
O galpão reunia mais de 100 permissionários e abrigava majoritariamente quiosques de frutas, além de dois restaurantes e lojas de embalagens. O pavilhão atingido, identificado como MFE-A, é utilizado principalmente para a comercialização de frutas, com destaque para melancias.
Qual foi o prejuízo para os comerciantes?
A dimensão dos prejuízos e o prazo para recuperação das instalações ainda não foram definidos. O espaço sofreu danos significativos e permanece preventivamente interditado, com acesso restrito. A avaliação da estrutura e a perícia precisam ser concluídas antes da definição sobre a recuperação.
Um dos comerciantes impactados é o Emílio Katsuki, de 69 anos, que trabalha na Ceagesp desde 1987 e há pelo menos uma década mantinha uma loja de frutas no galpão incendiado. O prejuízo financeiro é incalculável, segundo o empresário.
A comerciante Maria Helena também foi ao local para entender o estrago causado pelo fogo. No dia anterior, uma carga de melão havia sido descarregada no box que mantém há 30 anos no galpão.
Perdemos tudo. O box estava cheio de mercadoria. Não sabemos como vamos trabalhar", diz.
Somente de estoque o prejuízo gira em torno de R$ 300 mil, sem contar com os equipamentos da loja. "Acabou tudo", lamentou a comerciante que emprega 12 funcionários. Ao lado de Maria Helena, o comerciante Marcio Neto estava sendo consolado por outros colegas enquanto tentava encontrar o que sobrou do negócio familiar.
Ele diz ter sido um dos mais afetados pelo incêndio. Há mais de 40 anos na Ceagesp, ele herdou a loja de embalagens do pai. O comerciante afirma que o prejuízo é na casa dos milhões. Recentemente, havia feito o estoque da loja para o resto do ano.
Quem também diz ter perdido tudo é o comerciante Aldemir Soares, que atua há mais de 15 anos no local. "Temos prejuízo de espaço, de equipamento e de estoque", afirma. Um empresário que presta serviços a mais de 100 comerciantes do galpão estima que o prejuízo provocado pelo incêndio ultrapasse R$ 40 milhões.
Como será realizado o abastecimento de frutas de São Paulo?
A manutenção da operação do entreposto é relevante para o abastecimento da capital paulista. Como o pavilhão atingido concentra a comercialização de frutas, uma eventual interrupção prolongada das atividades poderá exigir a transferência temporária das operações para outras áreas do entreposto ou para estruturas provisórias.
Em nota, a Ceagesp afirmou que mantém "diálogo permanente" com uma comissão de comerciantes que operam no local para definir medidas emergenciais e alternativas para o funcionamento dos negócios. A Ceagesp não informou se haverá necessidade de remanejamento de mercadorias nem se espera algum impacto sobre o abastecimento ou preços de frutas.
Segundo a companhia, o Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), na zona oeste da capital, permanece aberto, mas as áreas próximas ao pavilhão incendiado estão isoladas.
O que causou o incêndio?
As causas do incêndio ainda são desconhecidas, de acordo com as autoridades. Um laudo de interdição temporária foi emitido. Mesmo assim, muitos comerciantes disseram que o galpão apresentava riscos elétricos e que a direção do Ceasa havia sido alertada diversas vezes.
Um deles, que preferiu ter a identidade preservada por medo de retaliação, disse que "todo mundo sabia que isso (o incêndio) ia acontecer". Outro afirmou que a fiação estava danificada e relembrou que durante o natal do ano passado houve um apagão no local.
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