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Consignado no INSS não acaba porque há muito dinheiro em jogo, diz Lupi

Lula Marques/Agência Brasil

Ex-ministro voltou a defender o fim da intermediação do INSS entre aposentados e quaisquer entidades - Lula Marques/Agência Brasil
Ex-ministro voltou a defender o fim da intermediação do INSS entre aposentados e quaisquer entidades
Por Broadcast

26/02/2026 | 17h41

Brasília, 26/02/2026 – O presidente nacional do PDT e ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, afirmou, em entrevista exclusiva à Broadcast, que o fim das operações de empréstimo consignado por meio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é difícil porque “há muito dinheiro em jogo” e o sistema financeiro brasileiro é “quase intocável”.

Lupi deixou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em maio do ano passado, após a abertura de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto. Ele voltou a defender o fim da intermediação do INSS entre aposentados e quaisquer entidades para a realização de descontos em folha, incluindo bancos.

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No ano passado, o Congresso aprovou e o presidente Lula sancionou lei que proíbe descontos nos benefícios pagos pelo INSS referentes a mensalidades, contribuições ou outros valores destinados a associações, sindicatos, entidades de classe ou organizações de aposentados e pensionistas, mesmo com autorização expressa do beneficiário. A regra, no entanto, não se aplica aos descontos em folha relativos a empréstimos bancários.

Na avaliação do dirigente partidário, o escândalo das fraudes não deve gerar desgaste ao partido nem ao presidente Lula durante a campanha eleitoral. Ele afirma ter sido a primeira ou a segunda pessoa a prestar depoimento, por iniciativa própria, e destaca que a Polícia Federal, subordinada ao governo federal, conduziu as investigações.

“Começaram a puxar um fio da meada desse processo, que não aconteceu no nosso governo. Pode até ter se agravado, mas ocorre há mais de 20 anos. Eu não tenho o que temer”, declarou.

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Lupi também afirmou que “desde que existe o INSS, existe alguma fraude” e argumentou que o sistema é complexo. “O INSS tem mais de 20 mil funcionários, mais de 1.400 agências, mais de 4 mil conveniados. Mas quem controla todo o sistema de informatização não é o INSS. É outro organismo, a Dataprev”, disse.

Para coibir irregularidades, ele defende transparência total e o fim de intermediários entre o INSS e a população.

Por que o INSS precisa ter intermediário? Sabe por que se faz isso? Para obter alguma vantagem indevida."

Questionado sobre por que não se encerra o crédito consignado via INSS, respondeu que há muito dinheiro envolvido e muitos bancos interessados. “O sistema financeiro é quase intocável”, disse.

Sobre os trabalhos da CPMI do INSS, avaliou que, no contexto atual, a tarefa é difícil devido às disputas eleitorais. “Há também o jogo da eleição presidencial, com cada lado puxando para si”, afirmou. Segundo ele, a comissão deveria atuar com limites éticos e foco na apuração dos fatos, sem se transformar em plataforma eleitoral às vésperas da eleição. “Essa é a minha preocupação”, concluiu.

(Por Gabriel de Sousa e Luci Ribeiro)

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