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Desastre na fronteira entre Nepal e a China já deixou mais de 500 mortos

Reprodução/CGTN

Mais de 1.500 pessoas estão desaparecidas após desastre na fronteira entre Nepal e China - Reprodução/CGTN
Mais de 1.500 pessoas estão desaparecidas após desastre na fronteira entre Nepal e China
Por Broadcast

28/08/2026 | 10h36

Katmandu - Equipes de resgate retiraram sobreviventes cobertos de lama e helicópteros levaram pessoas ilhadas para áreas seguras nesta sexta-feira, enquanto Nepal e China tentam responder a enxurradas catastróficas na região de fronteira. O desastre já deixou mais de 500 mortos e mais de 1.500 desaparecidos.

As equipes foram colocadas em alerta máximo devido ao risco de novas inundações provocadas por um lago recém-formado em altitude no Himalaia após as enchentes de quarta-feira. Especialistas alertam que o lago, criado depois do colapso de uma geleira que desencadeou o desastre, começou a transbordar.

No Nepal, o Exército foi mobilizado para tentar resgatar mais de 100 pessoas que estariam presas em um túnel de uma usina hidrelétrica no distrito mais atingido. O trabalho é dificultado por camadas espessas de lama.

A autoridade de gestão de desastres do Nepal informou que as enchentes mataram 538 pessoas no país. Mais tarde, a polícia nepalesa elevou o número para 547. Do lado chinês, havia poucas informações sobre sobreviventes. A imprensa estatal disse que o total de mortos subiu para cinco nesta sexta-feira, enquanto mostrava evacuações de vilarejos e a coordenação das ações de socorro.

Mais de 3.700 pessoas foram resgatadas no Nepal até agora, mas 977 continuam desaparecidas. A mídia estatal chinesa havia informado anteriormente que 558 pessoas estavam desaparecidas do lado chinês. Entre os desaparecidos há estrangeiros que estavam na região para trabalhar, fazer trilhas ou peregrinações.

Novo alerta

A polícia do Nepal emitiu um novo alerta após receber informações de que uma barragem no lado tibetano teria se rompido. Agentes de segurança e equipes de resgate e assistência foram orientados a manter prontidão e se deslocar para locais seguros, se necessário.

Não está claro se o possível rompimento está ligado ao lago formado após as enchentes iniciais. A emissora estatal chinesa CCTV informou que o novo lago, a mais de 10 quilômetros do posto fronteiriço de Gyirong, uma das áreas mais atingidas, está a 2.950 metros de altitude.

Autoridades nepalesas e chinesas já haviam advertido que o lago poderia provocar novas ondas de água e detritos. Por causa desse risco, equipes que seguiam para a zona de desastre interromperam temporariamente o deslocamento na manhã de hoje, e moradores de áreas potencialmente afetadas foram orientados a buscar locais mais seguros.

Cerca de 680 socorristas conseguiram chegar à área mais atingida em Gyirong a pé e em balsas, após grande esforço, segundo a CCTV. Imagens também mostraram alguns sendo baixados por drones.

No distrito nepalês de Rasuwa, militares tentavam alcançar mais de 100 pessoas que estariam presas pela lama em um túnel do projeto hidrelétrico Upper Trishuli-1. O Exército informou que 350 pessoas já foram resgatadas do túnel. A autoridade de gestão de desastres do Nepal disse que 3.253 pessoas foram retiradas de helicóptero da área atingida, incluindo feridos levados a Katmandu e outras localidades.

500 estrangeiros desaparecidos

Cientistas que analisaram imagens de satélite afirmaram que a rocha sob uma geleira em altitude no Himalaia desabou, arrastando parte da massa de gelo. O deslizamento foi tão intenso que atingiu magnitude sísmica de 5,2, e rochas e água do degelo aumentaram rapidamente o volume dos rios nos vales, gerando uma enxurrada que arrastou construções e pontes no Tibete e no Nepal.

O agente aduaneiro Karbir Gaire, sobrevivente na localidade de Timure, relatou que sentiu o chão tremer e, em seguida, viu uma "tempestade negra" avançando. "Começamos a correr imediatamente... Acho que aqueles 10 segundos salvaram alguns de nós", disse. Ele afirmou que 15 colegas continuam desaparecidos. "Foi como uma cena de filme de Hollywood. Eu não chamo isso de enchente, foi um tsunami", afirmou.

A autoridade de turismo do Nepal disse que entre os desaparecidos há mais de 500 estrangeiros. Cerca de 90 americanos estavam desaparecidos. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que ofereceu ajuda às autoridades nepalesas.

Alguns dos desaparecidos podem estar em peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete, local sagrado para hindus, budistas e outras religiões.

(Fonte: Associated Press)

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