Diretor de fiscalização do BC nega pressão política para liquidar Banco Master
Rovena Rosa/Agência Brasil
30/01/2026 | 08h03
Brasília, 30/01/2026 - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, negou em depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro ter sofrido qualquer pressão política para liquidar ou não o Banco Master. O conteúdo foi tornado público na quinta-feira, 29.
"Que eu tenha conhecimento como diretor de Fiscalização, eu não conheço, não recebi, nenhuma pressão de liquidar ou não liquidar de autoridades da República, não tenho conhecimento", disse Aquino, quando indagado sobre uma possível pressão política durante a oitiva.
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Os depoimentos prestados no mesmo dia por Aquino, pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, e pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa só foram liberados após um mês. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, levantou o sigilo após o BC ter pedido acesso ao conteúdo.
O diretor do BC disse que o trabalho de supervisão do caso foi feito normalmente. Ele também negou que a autoridade monetária tenha adotado uma medida prudencial preventiva contra o BRB - proibindo o banco de comprar novas carteiras de crédito - para impedir a compra do Master. A medida é datada de 14 de outubro, enquanto a operação entre BRB e Master foi negada em setembro.
Vorcaro ataca Banco Central
Já Daniel Vorcaro, dono do Master, afirmou em seu depoimento à PF que foi vítima da atuação do Banco Central. “Prejudicou não só a mim, mas principalmente o mercado financeiro”, disse o banqueiro à delegada Janaína Palazzo, que conduz o inquérito da Operação Compliance Zero, investigação sobre fraudes de R$ 12,2 bilhões no Master.
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O banqueiro disse que "havia uma solução de mercado para o banco" e que o Master conseguiria se recuperar com a entrada de novos investidores. Segundo Vorcaro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo, monitorado com tornozeleira eletrônica, o BC não deveria ter executado a "liquidação do banco, gerando esse prejuízo que poderia ter sido evitado”.
Em outro trecho do depoimento, Vorcaro sugeriu que setores da autarquia conspiravam contra ele.
Eu acho que o grande problema que aconteceu nessa história, doutora, infelizmente, é que dentro do Banco Central, existiam pessoas que queriam uma solução de mercado, e existiam outras pessoas, departamentos, que queriam que acontecesse o que aconteceu e acabaram vencendo, afirmou Vorcaro.
Banco de Brasília
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa afirmou, por sua vez, afirmou à PF que cobrou diretamente Vorcaro sobre carteiras compradas pelo banco estatal.
O meu celular vai mostrar esses registros, essas cobranças, nem sempre de uma maneira muito delicada, de recebimento e busca desses documentos”, disse Paulo Henrique à Polícia Federal.
Segundo investigação da Polícia Federal, de janeiro a junho de 2025, o BRB comprou, no total, R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões de prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões.
De acordo com Paulo Henrique Costa, nunca foi possível vender na íntegra os R$ 6,7 bilhões comprados do Master porque esse dinheiro “não existia no Master”.
(Por Cícero Cotrim)
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