Erika Hilton processa Ratinho por transfobia e pede R$ 10 milhões
Agência Senado/Andressa Anholete e Reprodução/Instagram
São Paulo - A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) processou o apresentador Ratinho por fala transfóbica em seu programa no SBT. Na ocasião, quarta-feira, 11, ele disse: "ela não é mulher, ela é trans". Ela pede R$ 10 milhões de indenização.
Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é e sempre será um rato", escreveu ela nas redes sociais.
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Ratinho estava comentando a eleição de Erika para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília, quando fez a fala transfóbica. “Eu não achei muito justo. Tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, disse. E continuou dizendo que não tem “nada contra trans".
O apresentador afirmou que “mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente” e que “para ser mulher tem que ter útero” e "tem que menstruar".
Segundo ela, o ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis [mulheres que se identificam com o gênero do nascimento] que não menstruam mais ou nunca menstruaram. "Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo", escreveu nas redes sociais.
Erika encaminhou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) uma representação em que acusa o apresentador de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. Caso o pedido seja aceito, será aberto um inquérito para investigação. Além disso, a petição afirma que Ratinho questionou a legitimidade da eleição.
No Brasil, transfobia se enquadra no crime de racismo. Erika afirmou que a indenização de R$ 10 milhões, que pediu por danos morais coletivos, será direcionada a projetos de proteção a mulheres vítimas de violência de gênero.
Ratinho e o SBT ainda não se pronunciaram. O VIVA não conseguiu localizar a defesa do apresentador.
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