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Estudo encomendado por bets diz que apostas têm pouco impacto nas dívidas

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Segundo o documento, o gasto com bets representou 0,46% do consumo das famílias em 2025 - Adobe Stock
Segundo o documento, o gasto com bets representou 0,46% do consumo das famílias em 2025
Por Broadcast

15/04/2026 | 08h55

Brasília - Estudo da LCA Consultoria encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que reúne as principais plataformas de bets atuando no Brasil, aponta que o impacto das apostas online no orçamento familiar e na inadimplência das famílias é limitado. O governo estuda restringir o gasto com bets de pessoas que entrarem para o novo programa de renegociação de dívidas das famílias.

Segundo o documento, o gasto com bets representou 0,46% do consumo das famílias em 2025, somando R$ 37 bilhões. O valor é semelhante ao dispêndio com bebidas alcoólicas e bem inferior a outras despesas relevantes.

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"O setor de bebidas alcoólicas apresenta presença econômica semelhante às apostas com externalidades negativas relevantes à saúde física e financeira das pessoas, mas não é utilizado como determinante isolado da inadimplência", escreve a consultoria.

O documento aponta que o gasto médio do brasileiro com bets é de R$ 122 por mês, o equivalente a 3,3% da renda média. O porcentual é significativamente inferior ao comprometimento de cerca de 30% da renda das famílias com o pagamento de dívidas.

"Em resumo, o gasto com apostas não pode ser considerado um fator determinante para explicar a crise de inadimplência das famílias no Brasil", afirma o estudo.

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A LCA aponta que o avanço da inadimplência está mais relacionado ao uso de crédito caro e de curto prazo, como o cartão de crédito - especialmente na modalidade rotativa -, aliado ao elevado nível de juros no País.

"A expansão do crédito de curto prazo, impulsionada por novas tecnologias financeiras que avançam mais rapidamente do que o nível de capacitação e educação financeira da população, aliada à escalada das taxas de juros, configura fatores mais diretos e determinantes para o aumento da inadimplência", afirma o estudo.

A consultoria também avalia que, embora o endividamento das famílias esteja em nível elevado, ele permanece relativamente estável e abaixo do observado em outros países.

"Embora em nível superior ao pré-pandemia, o endividamento das famílias não parece estar crescendo em ritmo alarmante", escreve a LCA.

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O estudo cita os dados do Banco Central, segundo os quais a inadimplência de pessoas físicas no Brasil, dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN), segue em trajetória de crescimento desde 2021, chegando a 5,2% em fevereiro de 2026 e se aproximando do patamar verificado em 2012 (de 5,5% em maio).

Controle das apostas

Na terça-feira, 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que quer "controlar a jogatina" no Brasil. Ele afirmou ainda que as bets, plataformas online de apostas, tomaram conta dos meios de comunicação.

"Nós vamos encontrar uma solução definitiva para amenizar o sofrimento das pessoas, mas ao mesmo tempo é preciso que a gente tente controlar essa jogatina que tomou conta dos meios de comunicação do Brasil", declarou Lula.

Na sequência, Lula associou o meio das apostas à lavagem de dinheiro e disse que há discussões com a Justiça, o Ministério da Fazenda, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central sobre a questão das dívidas e da "jogatina". Segundo ele, a ideia é combater o crime organizado "com todas as armas que pudermos".

"Sei que não é um tema fácil, mas não podemos deixar continuar do jeito que está. É muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quer combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os flancos", disse o presidente da República.

(Por Mateus Maia)

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