Lula diz que governo deve reduzir 'taxa das blusinhas' nos próximos meses
Adobe Stock
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo deve reduzir a "taxa das blusinhas", em referência à alíquota de 20% sobre as compras internacionais de até US$ 50 em plataformas digitais, nos próximos meses. As declarações ocorreram nesta terça-feira, 14, em entrevista aos sites Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum.
"Eu só não posso anunciar o que que nós vamos fazer porque nós temos um plano de trabalho para num determinado momento a gente fazer o anúncio. Eu não quero anunciar mais nada que vai demorar 40 dias para entrar em vigor. (...) eu quero anunciar as coisas tudo de uma vez, quando tiver tudo pronto para funcionar, mas vai ter coisa boa, sabe? Vai ter coisa boa", disse o presidente.
Leia também: Varejo cresce 5,5% em março, mas cenário segue desafiador, diz Stone
O Congresso Nacional aprovou o aumento da "taxa das blusinhas" em 2024. Naquela ocasião, o deputado Átila Lira (PP-PI) era relator de um projeto de outro assunto – tratava-se do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), sobre sustentabilidade automotiva – e incluiu no texto um dispositivo sobre as compras internacionais. Lula não vetou a medida, porque a aprovação se deu em acordo com o governo federal.
"O Congresso aprovou sob pressão do comércio varejista, sabe, comerciantes de São Paulo, do Rio de Janeiro, ou seja, as lojas mais organizadas fizeram uma pressão", disse o presidente sobre os motivos para taxar as compras internacionais.
E nós concordamos com o Congresso Nacional quando ele aumentou 20%, mas depois os governadores voltaram a aumentar o ICMS."
Leia também: Saque do FGTS alivia, mas não resolve endividamento, dizem especialistas
O presidente também disse que entende que a medida foi prejudicial para a imagem do governo. "Eu achava desnecessário o aumento da blusinha, achava desnecessário porque são compras muito pequenas", disse.
São compras de R$ 50, R$ 60, R$ 70, sei lá, coisas que não tem nada muito significativo, mas as pessoas de baixo poder aquisitivo que compravam aquilo e que ainda compram... eu sei do prejuízo que isso trouxe para nós."
Bets e endividamento
Lula disse ainda que quer "controlar a jogatina" no Brasil e disse que as bets, plataformas online de apostas, tomaram conta dos meios de comunicação.
"Nós vamos encontrar uma solução definitiva para amenizar o sofrimento das pessoas, mas ao mesmo tempo é preciso que a gente tente controlar essa jogatina que tomou conta dos meios de comunicação do Brasil", declarou Lula.
Leia também: Governo estuda autorizar saque de até 20% do FGTS para pagar dívidas
Na sequência, Lula associou o meio das apostas à lavagem de dinheiro e disse que há discussões com a Justiça, o Ministério da Fazenda, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central sobre a questão das dívidas e da "jogatina". Segundo ele, a ideia é combater o crime organizado "com todas as armas que pudermos".
"Sei que não é um tema fácil, mas não podemos deixar continuar do jeito que está. É muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quer combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os flancos", disse o presidente da República.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
