EUA anunciam novas sanções ao Irã e congelam US$ 344 mi em criptomoedas
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São Paulo - O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira novas sanções contra o Irã, incluindo o congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas, em mais um passo da campanha de pressão econômica de Washington sobre Teerã.
Em publicação no X, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a pasta "continuará a degradar sistematicamente a capacidade de Teerã de gerar, mover e repatriar recursos". Segundo ele, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) sancionou múltiplas carteiras digitais ligadas ao Irã. "Seguiremos o dinheiro que Teerã tenta desesperadamente mover para fora do país e miraremos todas as linhas de financiamento ligadas ao regime", escreveu.
Além do bloqueio de criptoativos, o OFAC emitiu uma licença autorizando a liquidação de transações envolvendo a refinaria chinesa Hengli Petrochemical (Dalian) Refinery, também alvo das novas restrições.
O Tesouro acrescentou à lista de nacionais especialmente designados (SDN) 20 entidades e 20 embarcações supostamente envolvidas no transporte de petróleo bruto, derivados e gás liquefeito de petróleo (GLP) iranianos. As empresas atingidas estão sediadas em países como China, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Panamá, Ilhas Marshall e Libéria.
Entre os navios sancionados estão petroleiros e embarcações gaseiras registrados sob bandeiras de Panamá, Barbados, Hong Kong, Comores e Vanuatu. O governo americano também atualizou a designação do Banco Central do Irã, incluindo dois endereços de carteira digital em TRON supostamente ligados à instituição.
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Negociações
A Casa Branca confirmou que os enviado especiais dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner viajarão ao Paquistão na manhã deste sábado, 25, para conversas com representantes do Irã, em mais um movimento diplomático em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
Em entrevista à Fox News, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo iraniano procurou Washington e pediu uma reunião presencial.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, no entanto, confirmou que os representantes do país não vão se reunir com os Estados Unidos neste fim de semana.
Em publicação na rede social X, Baghaei afirmou que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, vai se reunir com autoridades paquistanesas de alto nível para discutir o conflito com os EUA, mas que “não está previsto nenhum encontro entre o Irã e os EUA". "As observações do Irã serão transmitidas ao Paquistão”, acrescentou.
A agência de notícias iraniana Tasnim afirmou, mais cedo, que a recusa dos representantes persas em se reunir com os Estados Unidos se devia às “exigências excessivas dos americanos nas negociações”, além do bloqueio naval ao Irã.
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União Europeia
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou nesta sexta-feira que a União Europeia "não faz parte do conflito, mas fará parte da solução" no Oriente Médio, ao defender maior protagonismo do bloco nos esforços diplomáticos para encerrar a crise na região. Mais cedo, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, voltou a criticar aliados, afirmando que Washington "não está contando com ajuda da Europa" e que o bloco "precisa do Estreito de Ormuz muito mais do que os EUA".
Em coletiva de imprensa após reunião informal de líderes europeus no Chipre, Costa ressaltou que os recentes cessar-fogos entre Estados Unidos e Irã, e entre Israel e Líbano, são bem-vindos, mas disse que "todas as partes devem agir de boa-fé para alcançar a paz". Segundo Costa, as prioridades imediatas da UE são restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, trabalhar por um cessar-fogo estável e duradouro que abra caminho para uma paz sustentável e impedir que o Irã obtenha armas nucleares.
Não pode haver um Oriente Médio estável com um Irã nuclear", afirmou.
O dirigente europeu destacou que a UE intensificou os contatos diplomáticos com líderes da Jordânia, Líbano, Síria, Egito e do Conselho de Cooperação do Golfo. Ele também citou que, sob liderança da França e em coordenação com o Reino Unido, uma coalizão de mais de 50 países prepara uma missão defensiva multilateral para restaurar a navegação em Ormuz, quando houver condições de segurança.
Costa alertou ainda para os impactos econômicos do conflito sobre a Europa, afirmando que a alta dos preços dos combustíveis fósseis tem prejudicado o crescimento e afetado diretamente cidadãos e empresas. Segundo ele, a Comissão Europeia já apresentou um pacote de medidas para enfrentar a crise, e o bloco está pronto para ampliar sua resposta de forma coordenada.
No longo prazo, Costa defendeu acelerar a transição energética e a expansão de fontes limpas domésticas para reduzir dependências externas e reforçar a segurança energética europeia. Ele também afirmou que os líderes discutiram o próximo orçamento plurianual da UE e reiteraram a meta de fechar um acordo até o fim do ano.
(Por Pedro Lima e Letícia Araújo)
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