EUA sofrem golpe inédito em 20 anos com derrubada de aviões no Irã
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Washington - A derrubada de duas aeronaves militares americanas pelo Irã marca um ataque extremamente raro para os Estados Unidos, que não acontecia há mais de 20 anos, e mostra a capacidade contínua da República Islâmica de revidar, apesar de o presidente Donald Trump afirmar que ela foi "completamente dizimada".
Os ataques ocorreram cinco semanas após os primeiros bombardeios dos EUA e de Israel no Irã, com Trump dizendo no início desta semana que a "capacidade de Teerã de lançar mísseis e drones foi dramaticamente reduzida".
O Irã derrubou um caça americano F15-E Strike Eagle na sexta-feira, 3, com um membro da tripulação sendo resgatado e as buscas ainda em andamento por um segundo, dizem autoridades americanas. A mídia estatal iraniana também afirmou que uma aeronave de ataque A-10 dos EUA caiu após ser atingida pelas forças de defesa iranianas.
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A última vez que um caça americano foi abatido em combate foi um A-10 Thunderbolt II durante a invasão americana ao Iraque em 2003, disse o general de brigada aposentado da Força Aérea Houston Cantwell, ex-piloto de caça F-16.
Novo ataque próximo à usina nuclear
Nesta manhã, o Irã informou que sofreu um novo ataque realizado próximo às instalações da usina nuclear de Bushehr, na região sudoeste do país, matando um membro da equipe da segurança do local, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O órgão informou ainda que este foi o quarto ataque do tipo realizado contra o Irã nos últimos dias, e que não houve relato de aumento dos níveis de radiação no local.
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Em nota, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, expressou "profunda preocupação" com o incidente e ressaltou que "instalações nucleares ou áreas próximas jamais devem ser atacadas", reiterando o apelo "à máxima contenção militar para evitar o risco de um acidente nuclear".
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, destacou que este foi o quarto bombardeio contra Bushehr desde o início da guerra e disse que uma possível precipitação radioativa decorrente dos ataques "acabará com a vida" nas capitais de países do Golfo, em sua maioria aliados dos EUA - Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã -, e não em Teerã.
Europa pede imposto sobre empresas de energia
Preocupados que o aumento dos preços do petróleo e do gás, impulsionado pela guerra no Irã, alimente a inflação e sobrecarregue as famílias, os ministros das Finanças da Espanha e de outros quatro países europeus estão pedindo à União Europeia (UE) que adote um imposto extraordinário sobre as empresas de energia.
O ministro da Economia da Espanha, Carlos Cuerpo, disse neste sábado que seus colegas da Alemanha, Itália, Portugal e Áustria assinaram uma carta à Comissão Europeia citando "distorções de mercado" causadas pelo aumento dos preços.
"O conflito no Oriente Médio fez os preços do petróleo subirem, colocando um fardo significativo sobre a economia europeia e os cidadãos europeus", dizia a carta, datada de sexta-feira e tornada pública por Cuerpo em uma postagem hoje. "É importante garantir que esse fardo seja distribuído de forma justa", acrescentou.
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A Europa depende em grande parte do petróleo e gás importados, o que a deixa vulnerável a choques externos. Em 2022, a turbulência nos mercados de energia após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia elevou a inflação a dois dígitos em muitos países europeus.
Na época, a UE impôs uma "contribuição de solidariedade" que incluía limites para os lucros excessivos de energia.
Dadas as atuais distorções de mercado e restrições fiscais, a Comissão Europeia deve rapidamente desenvolver um instrumento de contribuição semelhante em toda a UE, afirma a carta.
(Com informações da Associated Press)
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