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Europa acelera acordos bilaterais para reduzir dependência dos EUA

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União Europeia anunciou acordo com a Índia, enquanto Reino Unido fechou parcerias com a China - Envato
União Europeia anunciou acordo com a Índia, enquanto Reino Unido fechou parcerias com a China
Por Broadcast

30/01/2026 | 08h48

São Paulo, 29/01/2026 - Países europeus vêm trabalhando nesta última semana em diversas negociações bilaterais, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que chegou a um "esboço" de acordo para a Groenlândia. Os detalhes das negociações, contudo, ainda não são claros e podem render mais uma série de debates com o mandatário republicano.

Na terça-feira, 27, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anunciou um acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE). O pacto abrange 2 bilhões de pessoas e foi concluído após duas décadas de negociações. O acordo vai além da liberalização tarifária agrícola e se insere em uma agenda estratégica mais ampla, voltada ao fortalecimento de investimentos, serviços, cadeias globais de valor e cooperação geopolítica.

Leia também: Chanceler alemão lamenta atraso no acordo comercial UE-Mercosul

Para o setor agrícola, o tratado promete abrir o mercado de 1,45 bilhão de consumidores indianos para produtos europeus de alto valor agregado, derrubando tarifas que hoje chegam a 150% sobre bebidas e alimentos, ao mesmo tempo em que blinda setores sensíveis da UE, como carnes, açúcar e etanol, da liberalização.

O acordo é o quarto tratado bilateral firmado pela Índia em um ano, ao lado de pactos com Reino Unido, Omã e Nova Zelândia, e faz parte do esforço do país para diversificar mercados e reduzir a dependência dos EUA. Ele também ocorre no momento em que Washington impõe tarifas de importação elevadas tanto para produtos indianos, por causa da dependência do petróleo russo, quanto para itens do bloco europeu.

China e Inglaterra

Em paralelo, o Reino Unido abriu as portas para uma série de acordos com a China em meio à visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a Pequim. Segundo Downing Street, os acordos - com ênfase no setor de serviços - vão fortalecer as relações bilaterais. Ambas as nações concordaram em realizar um "estudo de viabilidade" para explorar a possibilidade de iniciar negociações e prometeram afrouxar regras de vistos para turistas.

A UE também não desistiu de implementar o acordo de livre comércio com o Mercosul de forma provisória, afirmou na semana passada a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen - apesar da votação do Parlamento Europeu para adiar a ratificação para revisão legal.

Os acordos bilaterais acontecem no momento em que líderes europeus enfatizam que o continente deve buscar unidade e maior papel estratégico nas disputas globais. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou na sexta-feira, 23, que a Europa busca reforçar seu papel diante de um cenário global marcado pela "disputa entre grandes potências".

Em entrevista coletiva conjunta com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Merz disse que os dois conversaram "quase todos os dias" sobre como lidar com a "questão difícil" da Groenlândia, diante da tentativa dos EUA de adquirir a ilha do Ártico, segundo o jornal The Independent.

O chanceler alemão ainda elogiou o bloco europeu como uma “alternativa ao imperialismo e à autocracia”, que pode formar acordos com parceiros que compartilham os mesmos ideais em um mundo de crescente rivalidade entre as grandes potências, embora não tenha citado diretamente o caso da Groenlândia.

Otan

Do outro lado, Trump comentou, após o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que haverá novidades sobre o acordo da Groenlândia em "duas semanas".

Questionado sobre mais informações, o republicano disse que "podemos fazer tudo que quisermos", mas ponderou que o quadro "traz aspectos positivos para a Europa" e que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai estar envolvida.

Enquanto a UE explora novas parcerias comerciais e uma economia menos dependente dos EUA, a verdade é que substituir o consumidor americano é quase impossível, aponta o Wells Fargo. Portanto, mesmo que o bloco trace novos caminhos comerciais e explore uma integração mais profunda no mercado global sem Washington, um mundo onde EUA e UE estão menos economicamente integrados levanta novos obstáculos ao crescimento global, enfatiza o banco.

(Por Thais Porsch)

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