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Ex-presidente do BRB é alvo de prisão por fraude ligada ao Master

BRB/Divulgação

Paulo Henrique Costa foi demitido em novembro do BRB - BRB/Divulgação
Paulo Henrique Costa foi demitido em novembro do BRB
Por Pedro Marques

16/04/2026 | 07h40

Brasília — A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 16, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Também foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável pela estrutura jurídica do banco Master e suspeito de atuar como elo entre Vorcaro e outros advogados. Segundo a investigação, ele teria montado a estrutura utilizada para lavagem de dinheiro em benefício de Costa.

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Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações identificaram o caminho do pagamento de propina ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e transferência de imóveis, utilizando empresas de fachada para dissimular a origem e o destino dos recursos ilícitos. As informações foram encaminhadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que decretou as prisões.

R$ 12,2 bilhões

A nova fase da operação aprofunda suspeitas de irregularidades na transação entre o BRB e o Banco Master. Segundo a PF, os envolvidos teriam estruturado um mecanismo paralelo de compliance para burlar controles internos e regras de conformidade.

As apurações indicam que o BRB injetou R$ 12,2 bilhões no Master por meio da compra de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas, operação que gerou prejuízo bilionário ao banco público, ainda não totalmente calculado. A instituição adiou a divulgação do balanço de 2025.

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Segundo o inquérito, o BRB realizou operações inconsistentes para dar suporte ao Master enquanto o órgão regulador analisava a proposta de venda do banco, posteriormente vetada.

De acordo com o Ministério Público Federal, o Master teria adquirido carteiras de crédito de uma empresa ligada a um ex-funcionário sem realizar qualquer pagamento e, em seguida, revendido esses ativos ao BRB, com pagamento imediato. A movimentação teria resultado na transferência de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025.

Ao justificar a operação ao Banco Central, o Master informou que a carteira de crédito tinha origem em duas associações de servidores da Bahia. No entanto, após análise de uma amostra de contratos, o BC concluiu que não foi possível estabelecer correspondência entre as operações e o fluxo financeiro, o que “corrobora os indícios de insubsistência”.

Paulo Henrique Costa já havia sido afastado do cargo por decisão judicial e foi demitido em novembro pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após a primeira fase da operação. Ele nega irregularidades.

A terceira fase da Compliance Zero, deflagrada em 4 de março, levou à prisão de Daniel Vorcaro, após a identificação de diálogos em que ele ordenaria ataques a adversários e manteria uma espécie de milícia armada.

Atualmente, o banqueiro negocia um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

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